Desvio de R$ 2,5 milhões constrange portugueses

19/08/2011

Governo de Portugal tem auxiliado investigações, mas se esquiva em dar declarações sobre episódio

José Luis Costa - O desvio de R$ 2,5 milhões de Arquidiocese da Igreja Católica que teve a participação do ex-vice-cônsul português na Capital Adelino Vera Cruz Pinto causa desconforto entre autoridades portuguesas. A situação levou o Palácio de São Bento (sede do primeiro-ministro) a decretar silêncio total no caso. No Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, na Embaixada de Portugal, em Brasília, e no vice-consulado, na Capital, os servidores têm ordem para não falar do episódio. Desde abril, quando o escândalo virou caso de polícia, ZH enviou 11 e-mails e telefonou mais de 20 vezes para representantes do governo de Lisboa sem obter respostas.

– A vergonha é tão grande que não se pode imaginar – diz Antônio David Santos da Graça, diretor do Clube Casa de Portugal em Porto Alegre.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil prefere ficar longe do caso. A assessoria de comunicação informou que ninguém do Itamaraty falaria. Ex-embaixador em Portugal e ministro das Relações Exteriores durante seis anos no governo Fernando Henrique Cardoso, Luiz Felipe Lampreia entende as posturas adotadas. – Certamente, o constrangimento é muito grande por parte do governo português, e o governo brasileiro não deve falar para evitar humilhações a Portugal por causa da grande amizade entre os dois países – avalia Lampreia.

O governo português designou dois diplomatas para averiguar o ocorrido. Um deles, Paulo Santos, assumiu interinamente o vice-consulado por dois meses. Ele preparou um relatório que determinou o afastamento de Pinto e a abertura de uma investigação pelo Ministério Público português e, por dois meses, visitou autoridades gaúchas e a Arquidiocese, pedindo desculpas.

Namorada de ex-vice-cônsul foi ouvida pela polícia gaúcha

Diplomatas procurados por ZH evitam opinar sobre o grau de responsabilidade do governo português, por desconhecer detalhes do caso.

Conforme o delegado Paulo César Jardim, Portugal vem colaborando com as investigações. Pinto teve prisão decretada, e a polícia interrogou uma namorada dele – uma funcionária da Receita Federal, cujo nome não foi revelado – que vive na Capital.

A servidora garantiu nada saber sobre os negócios do ex-vice-cônsul. Lembrou que, em março, quando Pinto deixou o país, despediram-se no aeroporto, como se fosse uma viagem de trabalho, mas ele nunca mais voltou.

– Ela é uma pessoa elegante, digna, de bom nível social, que emprestava credibilidade ao Adelino (Pinto) e foi enganada – observou o delegado.







 

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