Brasil surpreende com os maiores salários do mundo no alto escalão
10/12/2010
Eu & CarreiraRemuneração: Ranking internacional coloca São Paulo como a cidade que paga melhor os executivos da indústria.
Por Stela Campos | De São Paulo
Um ranking sobre salários realizado com executivos do alto escalão em São Paulo, Nova York, Londres, Cingapura e Hong Kong apresenta um resultado surpreendente: os brasileiros são os mais bem pagos. O levantamento contempla o salário fixo e, portanto, não inclui os bônus e o décimo terceiro salário. Mesmo assim, o holerite de um CEO do setor industrial na capital paulista chega, em média, a US$ 620 mil por ano e o de um diretor US$ 243 mil - em Nova York eles recebem, respectivamente, US$ 574 mil e US$ 213 mil.
O resultado da pesquisa deixou os próprios executivos admirados. "Os estrangeiros não faziam ideia de que o país pagava tão bem. Nem mesmo os brasileiros que estão trabalhando no exterior tinham essa noção", diz Adriana Prates, presidente da Dasein Executive Search, que conduziu o levantamento com 80 profissionais do alto escalão. Entre os entrevistados estão CEOs e diretores da indústria automotiva, siderúrgica, metalúrgica, mineradora, construção entre outras. São empresas com entre 1 mil até 15 mil funcionários. "No mercado financeiro esse valores são ainda mais altos", diz. Vale lembrar, segundo a headhunter, que a parte variável da remuneração é bastante representativa no Brasil. "Em alguns casos, ela chega a 23 salários extras por ano."
Paralelamente, a mesma pesquisa foi realizada pela Association of Executive Search Consultants (Aesc), através do site Blue Steps, com outros 42 altos executivos. Os resultados foram semelhantes e a ordem do ranking permaneceu a mesma. "Foi uma surpresa ver a liderança do Brasil. Acredito que o fato de a economia do país estar em expansão e de existir uma escassez de talentos ajudam a explicar essa alta nos salários", diz Peter Felix, presidente da Aesc, associação internacional que reúne mais de 300 empresas de seleção de executivos.
Um fato curioso é que a maior parte dos entrevistados da pesquisa da Aesc acreditava que o resultado seria bem diferente. Metade dos que participaram do levantamento tinha certeza de que Nova York estaria no topo da lista, 44% apostavam em Hong Kong e 39% em Londres. Mais de 80% esperavam que o Brasil figurasse em último lugar. "O estudo mostrou que eles estavam completamente enganados", diz Peter Felix. "Por muitos anos, o país viveu uma instabilidade política e econômica que não o qualificava como um destino promissor para os altos executivos. Agora as coisas mudaram."
Embora a mudança de cenário no Brasil e os altos salários sejam atraentes para quem está em outro país, alguns fatores ainda desencorajam os executivos. "A segurança pessoal ainda é um problema sério que desestimula os estrangeiros. Isso precisa ser resolvido pelo governo", afirma Felix.
Segundo o headhunter, existe um número cada vez maior de empresas de seleção de executivos no Brasil buscando profissionais em outros países para suprir a alta demanda por profissionais qualificados. "Elas estão a procura de candidatos em todo o mundo", afirma.
A presidente da Dasein diz que o inverso também é válido. Nos últimos meses, sua empresa tem recebido currículos de vários executivos estrangeiros em busca de oportunidades no Brasil. "Vários brasileiros que estão no exterior também nos procuram. Eles querem aproveitar esse bom momento do país para voltar", diz. Em ambos os casos, entretanto, ela diz que eles têm pouca informação sobre o real valor dos salários praticados atualmente, uma das razões que motivou a realização da pesquisa.
A headhunter afirma que no caso dos estrangeiros o desconhecimento também é grande em relação ao "modos operandi" das organizações no Brasil. Ela conta que, recentemente, um executivo dinamarquês se surpreendeu quando descobriu que um diretor cumpria jornadas de trabalho até 16 horas. "Ele acreditava que aqui as pessoas trabalhavam cinco horas e depois iam para a praia. Quando viu a realidade das nossas empresas, desistiu", conta. "Foi um choque para ele."
