Insatisfeitos com ONU, EUA avaliam sanções próprias contra o Irã

25/05/2010

Internacional

Bloomberg

O presidente americano, Barack Obama, está pressionando congressistas para que apressem as discussões sobre uma proposta de sanções contra empresas estrangeiras que vendem gasolina para o Irã. A medida faz parte de uma estratégia de Washington de tentar evitar que o país islâmico avance em seu programa nuclear. Os EUA dizem que o Irã trabalha para construir uma bomba atômica.

Obama pretende que futuras sanções a empresas excluam aquelas companhias de países que Washington julga estarem cooperando com os esforços americanos contra o Irã.

A Câmara dos Deputados e o Senado precisam aprovar uma legislação única, que mescle os textos já aprovados pelas duas Casas sobre sanções a empresas que vendem combustível ao Irã. A expectativa na Câmara é que uma nova lei seja consolidado ainda este mês.

Na semana passada, uma comissão da Câmara aprovou um projeto - com apoio dos dois partidos - que proíbe o Pentágono de comprar petróleo de empresas que tenham qualquer tipo de negócio com o Irã, segundo o \"Wall Street Journal\". O jornal lembra que há um longo caminho até que o texto se transforme em lei, mas diz que o que importa é que a aprovação reforça quão descontentes os congressistas estão com as tentativas internacionais de punir o Irã.

No que diz respeito à gasolina, o veto às vendas teria um forte efeito sobre o país. O Irã é o segundo maior produtor de petróleo do Oriente Médio, mas sua capacidade de refino não dá conta da demanda interna. As futuras punições a empresas que fornecerem gasolina, equipamentos para o refino ou que prestem serviços de refino poderiam atingir petroleiras chinesas. Entre as penalidades que estão sendo discutidas há uma que proíbe as empresas que violarem as futuras regras de fazerem transações por meio de instituições financeiras americanas.

Em março, o Government Accountability Office (uma espécie de controladoria do governo americano) apontou 41 empresas, que segundo o órgão, investem no desenvolvimento do setor petroleiro do Irã. Entre elas a PetroChina, a Petrobras, a francesa Total, a russa Gazprom e a indiana Indian Oil. Mas apenas quatro, segundo o balanço, estavam envolvidas nos trabalhos de aumento da capacidade de refino do Irã. Entre elas, a China Petroleum & Chemical Corp e a japonesa JGC.

A Petrobras não tem nenhum negócio no Irã e nesse momento está fechando seu escritório naquele país. Em 2004 a companhia ganhou uma licitação para explorar petróleo no Golfo Pérsico e assinou contrato a National Iranian Oil Company (Nioc). Mas aparentemente não encontrou nada.

Na semana passada, a China e a Rússia se uniram aos EUA, Reino Unido e França em apoio a um projeto de resolução que prevê mais sanções ao Irã e que seria levado ao Conselho de Segurança da ONU.

A inidiana Reliance Industries está entre as que já anunciaram terem interrompido suas vendas de combustível para o Irã. A Total disse em abril que pararia de vender gasolina aos iranianos se qualquer lei classificar esse comércio como ilegal. (Com Cláudia Schüffner)

 

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