País mais competitivo

08/09/2011

Brasil sobe cinco posições em ranking internacional e alcança o 53º lugar. Gargalos estruturais impedem classificação melhor e podem barrar avanço

Paola Carvalho

A baixa qualidade da educação e da infraestrutura, as barreiras ao empreendedor e a rigidez do mercado de trabalho são gargalos que impedem o Brasil de estar mais bem colocado no ranking de competitividade global, divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Mas há indícios de que a melhora da posição brasileira possa ser uma tendência, pelo menos no curto prazo. O país subiu cinco posições neste ano e chegou ao 53º lugar na listagem.

O Global Competitiveness Report (Relatório Global de Competitividade), publicado anualmente desde 1979, analisa 142 países a partir de dados e pesquisa de opinião com executivos. No Brasil, o levantamento é feito pela Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com o Movimento Brasil Competitivo. O estudo analisa cada nação em 12 pilares de competitividade.

O avanço brasileiro está relacionado ao fortalecimento do mercado doméstico (10ª posição no ranking geral) e à alta sofisticação do ambiente de negócios (31ª), associados com a visão positiva da comunidade empresarial sobre a economia, explica Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação e Competitividade da FDC.

Por outro lado, o Brasil persiste em suas fraquezas competitivas já historicamente apontadas por este e outros relatórios similares. “Não dá para avançar sem resolver problemas básicos: não fizemos reformas nos sistemas tributário, fiscal e trabalhista; a infraestrutura não continua muito bem porque os investimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não aconteceram; a educação continua entre as piores; o custo do empréstimo também é vilão”, detalha Arruda.

Para ele, se nada acontecer, o Brasil continuará avançando em 2012, 2013 e 2014, mas, a partir daí, pode haver uma inversão da tendência. “Em 2016 já haverá passado a Copa do Mundo e a Olimpíada. Os investimentos sairão e os países, hoje em crise, estarão melhores. Então é preciso fazer as reformas antes de que seja tarde”, afirmou Arruda, destacando que é “otimista no presente, preocupado no médio prazo e muito preocupado quanto ao futuro”.

Se por um lado o relatório destaca a força do Brasil e dos países emergentes, as economias mais avançadas têm revelado estagnação econômica e competitiva nos últimos sete anos. Nesta edição, o ranking apontou Suíça, Cingapura e Suécia como as economias mais competitivas do mundo, ultrapassando os Estados Unidos, cuja queda de posição é reflexo de sua instabilidade macroeconômica, do déficit fiscal crescente e da dívida pública.

CORRIDA PELA QUALIDADE

Top 10 da Competitividade

1. Suíça
2. Cingapura
3. Suécia
4. Finlândia
5. Estados Unidos
6. Alemanha
7. Holanda
8. Dinamarca
9. Japão
10. Reino Unido

53. Brasil
 







 

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