18/10/2011
Os mercados tinham tudo para fechar ontem no azul: a reunião do G-20 (realizada na sexta e no sábado) sinalizou que, no próximo domingo, finalmente pode ser divulgado um plano para solucionar a crise na Zona do Euro — que tem sido a principal responsável pelo comportamento bipolar das bolsas, nos últimos meses. Não é à toa que os mercados ocidentais abriram em alta e a Ásia fechou com valorização.
“A reunião gerou otimismo”, diz Luiz Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil. No entanto, duas declarações foram suficientes para jogar um banho de água fria nas expectativas sobre o fim da crise no curto prazo. A primeira foi do ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, que disse que não será entregue um plano definitivo nesta semana. Depois foi a vez de Steffen Seibert, porta-voz da chanceler Angela Merkel (primeira ministra alemã), reforçar a inviabilidade da solução em tão pouco tempo — apesar da pressão das autoridades econômicas mundiais. “Os alemães deram um choque de realidade nos mercados”, acrescenta.
Para agravar a mudança de humor, a atividade industrial em Nova York retraiu mais que o esperado em outubro. O índice Empire State foi de menos 8,48 neste mês, ante estimativa de retração de 4. Resultado: as bolsas caíram com medo da piora no cenário americano e continuidade da incerteza na região do euro. Na Europa, o FTSE-100 caiu 0,54%, o CAC 40 perdeu 1,61% e o DAX, 1,81%. Do outro lado do Atlântico, os mercados também recuaram. S&P 500, Nasdaq e Dow Jones retraíram 1,94%, 1,98% e 2,13%, respectivamente. Já o Ibovespa caiu 2,03%. De acordo com Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da corretora Renascença, a queda mais acentuada também é reflexo da alta do índice na semana passada, que se valorizou 7,39%. Mário Saldanha, analista técnico da Cedro Finances, acrescenta que o pregão de hoje será decisivo para saber se a tendência de baixa foi embora de vez. É que, na sexta, o índice rompeu a barreira de 54.200 pontos, mas voltou a recuar ontem. “Como uma andorinha sozinha não faz verão, vamos ver se há novo rompimento.”
Já o dólar subiu 2,25% ontem, depois de oito sessões em queda em relação ao real, e fechou o dia cotado a R$ 1,769. O ouro também se valorizou com alta de 0,60%. ■
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