"O concurso para o Instituto Rio Branco" (Folha de São Paulo - 13 de janeiro de 2006)

Jornal: Folha de São Paulo Título: 'O concurso para o Instituto Rio Branco' Data: 13/01/2006 Crédito: Fernando Guimarães Reis

Fernando Guimarães Reis

Pela primeira vez na história do Itamaraty, 105 vagas serão oferecidas para ingresso na carreira diplomática por meio do Instituto Rio Branco. As inscrições estarão abertas até 22 de janeiro (o Guia de Estudos pode ser consultado no site http://www2.mre.gov.br/irbr). Começa, assim, a ser implementada a ampliação dos quadros do serviço exterior brasileiro, que se renova.

Novos diplomatas virão suprir às necessidades de pessoal do Itamaraty decorrentes da própria conjuntura internacional e do papel ativo que se espera do Brasil. São cada vez mais complexos e variados os interesses brasileiros perante o resto do mundo.

Como matéria de urgência, apenas para exemplificar, as comunidades brasileiras existentes fora de nossas fronteiras passaram a requerer a implantação de uma rede de postos mais ampla que possa prestar assistência aos compatriotas ora no exterior.

O fato é que o governo brasileiro deve preparar-se para enfrentar o inevitável desafio de suas acrescidas obrigações no contexto mundial.

Paralelamente, é auspicioso verificar o crescente e vivo interesse da sociedade brasileira pelos temas internacionais. Tal fenômeno se reflete objetivamente no sensível aumento do número daqueles que se candidatam a ingressar na carreira diplomática.

Cabe ao Instituto Rio Branco a tarefa de recrutar e de formar os novos diplomatas. A seleção, exclusivamente pelo mérito intelectual, se consolidou nos 60 anos de existência da academia diplomática brasileira, uma das mais antigas do mundo. Nessas décadas, sempre consciente da responsabilidade e da excelência de nossa diplomacia, o instituto não se furtou a rever seu mecanismo de seleção, com base na avaliação dos resultados alcançados e levando em conta demandas conjunturais.

Nesse particular, provocaram debates -fartamente refletidos na mídia- alterações havidas em 2005 nas normas do concurso, particularmente no que se refere ao tratamento dado ao inglês. Para ser preciso, a partir de então, a prova de inglês (que continua a ser matéria obrigatória do concurso e do curso) deixou de ter o caráter eliminatório, quando considerada isoladamente.

Esse formato não será alterado em 2006, pois só o português -como disciplina singular- conserva o caráter de prova eliminatória. A pontuação da prova de inglês continuará a ser computada em conjunto com as das demais seis matérias da terceira fase, cujo total final deve somar pelo menos 60% da pontuação máxima possível. Preserva-se, assim, o critério de tornar o concurso mais equilibrado, abrangente e eqüitativo, depois de se haver corrigido a prática pouco conclusiva da corrida de obstáculos através de provas eliminatórias sucessivas.

Apesar das dúvidas suscitadas, as modificações adotadas em 2005 não prejudicaram em absoluto o perfil dos diplomatas selecionados. Ao contrário, a turma aprovada no último concurso vem demonstrando um dos mais elevados níveis intelectuais da história do instituto. Quaisquer deficiências específicas, em uma ou outra matéria, têm sido sanadas satisfatoriamente durante o curso de formação.

É certo que não sairá do Instituto Rio Branco -graças a exames rigorosos- um diplomata que não esteja perfeitamente habilitado a usar profissionalmente não apenas o inglês como também o espanhol e o francês, estes dois idiomas objeto de provas obrigatórias (em base opcional) no concurso de admissão.

A introdução, para o concurso de 2006, de algumas questões de inglês no teste de pré-seleção (TPS) corresponde a conveniências técnicas no processo de avaliação, à luz da experiência adquirida e sem afastamento das regras já conhecidas. Não ocorreu um retorno do inglês como prova eliminatória nem há motivo de surpresa para os candidatos -aqueles que se prepararam para a prova da terceira fase estarão perfeitamente aptos a responder a questões de inglês no teste preliminar.

Vale lembrar que o TPS tem tradicionalmente a meta de avaliar os conhecimentos gerais de um universo de candidatos que se amplia a cada ano (mais de 6.500 inscritos no ano passado), dos quais apenas os primeiros 300 terão corrigida sua prova de português. Cabe esclarecer também que, no TPS, é exigida uma nota mínima (40%) para o conjunto do exame, e não a título singular nas matérias sobre as quais versarão suas 65 questões objetivas, que, de resto, por sua própria natureza, têm caráter interdisciplinar.

O Itamaraty se empenha no constante aperfeiçoamento do concurso e do curso para a carreira diplomática. A cada ano, novos progressos são obtidos e o processo de seleção se torna mais democrático, inclusive pelo aumento do número de vagas. Hoje -como no passado-, o Instituto Rio Branco procura formar funcionários cujo perfil de maturidade e de integridade profissionais atenda às demandas da política externa do país, que tem seu próprio dinamismo. É esse o desafio.

Fernando Guimarães Reis, 65, diplomata, é o diretor do Instituto Rio Branco desde setembro de 2004. Foi embaixador do Brasil no Japão e cônsul-geral em Roma (Itália).

Endereço: Palácio Itamaraty - Esplanada dos Ministérios - Bloco H -Brasília/DF - Brasil - CEP 70.170-900
Fale Conosco | Mapa do Site | Embaixadas | Consulados e Vice-Consulados | Delegações, Missões e Escritórios
Escritório de Representação: EREMINAS, ERENE, ERENOR, EREPAR, ERERIO, ERESC, ERESP, ERESUL
Legalização Consular de Documentos: MRE - Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior - Setor de Legalização - E-mail:legalizar@itamaraty.gov.br