The multipolar moment has arrived -- and it's nothing like Americans imagined.
Looking for a sign of when the multipolar moment suddenly seemed real? You could do worse than mark the day when Brazil and Turkey -- two of the world's most avidly internationalist emerging powers -- joined together this May to announce they had stepped in to broker a nuclear-fuel swap deal with Iran that potentially -- though sadly not actually -- paved the way toward a peaceful solution to the standoff. Turkey and Brazil aren't superpowers, nor are they permanent U.N. Security Council members. But just as U.S. President Barack Obama came into office preaching a renewed focus on multilateralism, rising powers are reminding us that respect for hierarchy is no longer on anyone's agenda.
What a difference a couple of decades makes. A little over 20 years ago, then U.S. President George H.W. Bush -- who had just witnessed the fall of the Berlin Wall and saw the Soviet Union disintegrating before his very eyes -- stood at the granite podium of the U.N. General Assembly in New York and proclaimed a "new world order," a U.S.-dominated international system "where the rule of law supplants the rule of the jungle." Two decades later, the "new new world order" we are in fact living looks almost nothing like what Bush -- and most Americans -- imagined or hoped.
The United States still has the world's most powerful military, of course, but its utility is diminishing as the capacity to deter and resist spreads. Just look at Iraq and Afghanistan. Military might and political influence no longer necessarily go together, and too much of the former can even undermine the latter. More fundamentally, the world has quickly become multipolar, with the European Union a larger economic player than the United States while China rises quickly on all measures of hard and soft power. Obama couldn't give the "New World Order" speech today; he'd have to negotiate it first with his peers in Brussels and Beijing. And as for democracy: Meet authoritarian state capitalism, a new entry into our lexicon that underscores the non-Western options every state can pursue today. Nobody's talking about the Washington Consensus anymore -- instead the Beijing Consensus, the Mumbai Consensus, and even something only half-jokingly called the Canuck Consensus are competing for the hearts and minds of global elites.
Rather than a world of alliances, it's a world of multi-alignment. Globalization means never having to choose sides. Look at the Persian Gulf states. They make big-ticket arms deals with Washington, buying weapons to recycle their petrodollars and deter Iran; sign huge trade agreements with China, where ever more of their oil flows; and negotiate currency arrangements with the European Union. If there is any doubt as to the general lack of foresight that governs international relations today, just consider how America has ceased certain joint weapons production with Israel as punishment for Israel's selling sensitive technology to China, which in turn sells missile technologies to Iran, whose leadership wishes to eradicate Israel from the map. Everyone is playing everyone else in what seem like endless single-iteration prisoner's dilemma games.
Bush Sr. chose to give the speech at the United Nations for a reason: America was the preeminent power, but he was a multilateralist. Paralyzed during the Cold War, the United Nations now had a chance to play the central role as arbiter of global governance for which it was envisioned. But rather than personify multilateralism itself, the United Nations is proving to be at best just one manifestation of it. Free-standing functional agencies like the World Trade Organization and the International Monetary Fund -- which has only become more important in the wake of the financial crisis -- are our only effective global bodies, and they are solely economic in nature. But the G-20 has hardly lived up to its billing as the new "steering committee for the world." Before the most recent Seoul summit, world leaders described U.S. proposals for harmonizing current account surpluses and deficits as "clueless." The Security Council has long ceased to be legitimate or effective, with little prospect for reform in sight. As we learned so painfully this year, the United Nations can't forge a global climate deal and can't make the world meet the Millennium Development Goals. For every issue there are now several specialized agencies, like the World Food Program and Office of the U.N. High Commissioner for Refugees, that mostly secure their own funding contributions and are evolving at their own pace.
The closest thing we have to multilateral governance happens on a regional level, and it is far more promising, whether the deeply entrenched and supranational European Union, the rejuvenated Association of Southeast Asian Nations, or the nascent African Union. Each is building a regional order tailored to its members' priorities and level of development. On Sudan and Somalia, it's Uganda leading the new diplomatic and peacekeeping push. For Palestine, the Arab League is considering a peacekeeping force. And on Iran, Turkey is now in the lead.
The world of 1990 was expected to remain fundamentally international. Yet instead its very structure has changed as globalization has empowered legions of transnational nonstate actors from corporations to NGOs to religious groups. As a result, today's world features overlapping and competing claims to authority and legitimacy. The Gates Foundation gives away more money each year than any European country. Villagers in Nigeria expect Shell to deliver the goods, not their government. And Oxfam shapes the British development agency's priorities more than the reverse.
Neither the United States nor the United Nations can put the genie back in the bottle. With each passing year, deal-making at Davos and the Clinton Global Initiative become more important than the glacial advance of empty declarations at international summits. These and other venues are the places where the "new new world order" is being built. And it's happening from the bottom up rather than the top down.
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O mundo tornou-se multipolar, mas é muito diferente daquilo que imaginava Bush pai e muitos americanos
Por acaso você está procurando um sinal de quando o mundo multipolar repentinamente tornou-se realidade? Não seria uma má ideia escolher o dia em que Brasil e Turquia - duas potências emergentes que buscam avidamente uma projeção internacional - se uniram, em maio, anunciando a intenção de intermediar um acordo de troca de combustível nuclear com o Irã - que teria potencial, mas que não se concretizou, infelizmente - para uma solução pacífica do impasse.
Turquia e Brasil não são superpotências e tampouco são membros do Conselho de Segurança da ONU. No entanto, como o presidente Barack Obama, ao assumir o governo dos EUA, preconizou um novo foco no multilateralismo, as potências emergentes nos lembram que o respeito pela hierarquia não consta mais da agenda de ninguém.
Como tudo ficou diferente em questão de algumas décadas. Há pouco mais de 20 anos, o presidente George H. Bush - que acabara de presenciar a queda do Muro de Berlim e de ver a União Soviética se desintegrar diante de seus olhos - subiu ao pódio de granito da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, e proclamou uma "nova ordem mundial", em que o sistema internacional era dominado pelos EUA e "o estado de direito suplantava a lei da selva".
Poder brando. Duas décadas mais tarde, essa "nova ordem mundial" que estamos vivendo não se parece em nada com o que Bush e muitos americanos imaginavam ou esperavam. Naturalmente, os EUA ainda possuem o Exército mais poderoso do mundo, mas sua utilidade vem diminuindo à medida que a capacidade para dissuadir e resistir fica mais difusa.
Senão, vejamos o caso do Iraque e do Afeganistão. A força militar e a influência política já não seguem mais juntas. Quando a primeira é excessiva, pode prejudicar a última. De modo mais fundamental, o mundo ficou rapidamente multipolar, com a União Europeia se tornando um ator econômico maior do que os EUA, enquanto a China aumenta, em todos os aspectos, seu poder brando e duro.
Hoje, Obama não poderia fazer um discurso sobre uma "nova ordem mundial". Antes, ele teria de negociar com seus pares em Bruxelas e Pequim. No que se refere à democracia, um novo termo entrou no nosso vocabulário, o capitalismo de Estado autoritário, destacando as opções não ocidentais que todo o Estado tem hoje a sua escolha. Ninguém fala mais do Consenso de Washington, mas sim em Consenso de Pequim, Consenso de Mumbai e até em alguma coisa meio jocosa chamada Consenso de Canuck, que estão disputando os corações e as mentes das elites globais.
Novo modelo. Em vez de um mundo de alianças, o que observamos é um mundo de múltiplos alinhamentos. A globalização significa jamais precisar escolher um lado. Basta olhar para os Estados do Golfo Pérsico. Eles fazem acordos de armamentos milionários com Washington, compram armas para reciclar seus petrodólares e dissuadir o Irã, assinam grandes acordos comerciais com a China, para onde flui cada vez mais o seu petróleo, e negociam, ao mesmo tempo, acordos monetários com a União Europeia.
Se há alguma dúvida quanto a ausência de uma perspectiva de longo prazo governando as relações internacionais, basta examinar como os EUA interromperam a produção conjunta de certas armas com Israel, punindo os israelenses por venderem tecnologia considerada secreta para a China, que, por sua vez, vende tecnologia para fabricação de mísseis para o Irã, cujos líderes querem apagar Israel do mapa. Todos jogam com todos um tipo de jogo que é uma espécie de "dilema do prisioneiro" que não tem fim.
George Bush pai decidiu discursar nas Nações Unidas por uma razão: os EUA eram a potência predominante, mas ele defendia o multilateralismo. Paralisada durante a Guerra Fria, a ONU naquele momento tinha a chance de assumir o papel central de árbitro da governança global para o qual foi projetada. Mas, em vez de ser a personificação do multilateralismo, a organização tem provado que é apenas uma simples manifestação dele.
Independência. Atualmente, agências independentes, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que ficaram mais importantes em consequência da crise financeira dos últimos anos, são nossos órgãos globais efetivos e unicamente econômicos por natureza.
O G-20, entretanto, mal conseguiu cumprir sua proposta de ser o "novo comitê diretor do mundo". No recente encontro de cúpula, na Coreia do Sul, os líderes mundiais qualificaram as propostas dos EUA para harmonizar os atuais déficits e superávits das contas correntes de "desinformadas". Há muito tempo, o Conselho de Segurança da ONU deixou de ser um órgão legítimo ou eficaz e são poucas as perspectivas de reforma.
Como vimos de modo tão doloroso este ano, as Nações Unidas não conseguiram forjar um acordo global sobre o clima e nem fazer com que o mundo cumprisse as Metas de Desenvolvimento para o Milênio. Para cada uma dessas questões, existem diversas agências especializadas, como o Programa Alimentar Mundial, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, que essencialmente garantem as próprias contribuições para seu financiamento e se desenvolvem segundo seu próprio ritmo.
As instituições que temos que mais se aproximam de uma governança global estão no plano regional, e são algo muito mais promissores. Trata-se da profundamente arraigada e supranacional União Europeia, da rejuvenescida Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), e da nascente União Africana. Cada uma dessas organizações está criando uma ordem regional ajustada ao nível de desenvolvimento e às prioridades de seus membros.
No Sudão e na Somália, é Uganda que lidera os esforços diplomáticos e de manutenção da paz. No caso dos palestinos, a Liga Árabe pensa em criar uma força de paz. Quanto ao Irã, a Turquia agora lidera os esforços para conter Teerã.
A expectativa era a de que o mundo de 1990 continuasse fundamentalmente internacional. No entanto, em vez disso, sua estrutura mudou à medida que a globalização capacitou legiões de atores não estatais transnacionais, como corporações, organizações não governamentais e grupos religiosos.
"Nova nova ordem mundial". Como resultado, o que vemos no mundo hoje são reivindicações que coincidem e competem entre si, de autoridade e legitimidade. A Fundação Gates distribui mais dinheiro anualmente do que qualquer país europeu. Os habitantes dos povoados na Nigéria ficam à espera de mantimentos fornecidos pela Shell, e não pelo governo. A instituição Oxfam é o modelo de agência de desenvolvimento da Grã-Bretanha, muito mais do que o inverso.
Nem os EUA, tampouco as Nações Unidas, podem colocar o gênio de volta na garrafa. A cada ano que passa, realizar acordos em Davos e as ações da Clinton Global Initiative tornam-se mais importantes do que as declarações vazias em reuniões de cúpula internacionais. Davos e outros centros de reunião são lugares em que a "nova nova ordem mundial" está sendo criada. E isso vem ocorrendo de baixo para cima, e não no caminho contrário.
