"G-20 pressiona Paris por concessões comerciais" (Handelsbatt - 23 de novembro de 2005)

Jornal: Handelsbatt Título: 'G-20 pressiona Paris por concessões comerciais' Data: 23/11/2005

No quadro dos desentendimentos sobre o bloqueio da Rodada de comércio internacional, os maiores países em desenvolvimento (G-20) intensificam seus ataques a um país-membro da UE: a França. "É meio estranho que 24 países possam ser pressionados por um só", disse o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, em entrevista ao Handelsblatt, por ocasião de reunião extraordinária da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.


A França, sozinha entre os 25 países-membros da UE, ameaça bloquear um acordo com os outros membros da OMC sobre a liberalização do mercado agrícola. Sem um entendimento no conflito sobre a agricultura, a Rodada da OMC irá fracassar e a economia mundial deixará de auferir grandes benefícios.


O Governo Federal também criticou o comportamento do Governo francês. "A França, com suas ameaças, está passando dos limites", declarou ao Handelsblatt o Secretário de Estado do Ministério da Economia alemão, Bernd Pfaffenbach. Para a Alemanha, como maior nação exportadora do mundo, o sucesso da Rodada de comércio internacional é essencial.


Pfaffenbach reprovou a crítica da França ao Comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, de que ele, com sua oferta de redução média de 46% das tarifas sobre produtos agrícolas, teria ultrapassado seu mandato negociador. "O governo Federal pode considerar ir mais além em termos de abertura dos mercados agrícolas da UE", ressaltou o Secretário de Estado. Em contrapartida, no entanto, os grandes países em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia, teriam de reduzir suas tarifas de importação para bens industrializados e serviços.


O Ministro do Exterior brasileiro, Celso Amorim, por sua vez, reiterou que agora caberia à UE movimentar-se para desbloquear a Rodada. Primeiro, Bruxelas deveria apresentar uma nova oferta melhorada para a abertura de seus mercados agrícolas. "Todos os membros da OMC, com exceção dos europeus, compartilham a nossa opinião de que as ofertas européias seriam insuficientes", disse o Ministro. A proposta atual da UE para a redução das tarifas agrícolas foi classificada por ele de "enganosa". O Comissário Mandelson havia esclarecido, no final de semana, que a UE não apresentará mais outra proposta.


O Brasil exerce a função de porta-voz no grupo dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, o G-20. O grupo também abrange gigantes como a China, a Índia e a África do Sul. Esse grupo de países associados por interesses comuns demanda na Rodada de comércio, com veemência, melhores condições de acesso aos mercados do Hemisfério Norte para os agricultores dos países em desenvolvimento. Isso seria condição para concessões na abertura de seus próprios mercados de produtos industrializados e serviços.


"Nós depositamos a nossa confiança na sinceridade dos franceses, que sempre têm sublinhado sua solidariedade com os pobres deste mundo. Espero que não sejam palavras vãs", declarou Amorim. Os agricultores franceses são os maiores beneficiários dos subsídios agrícolas da UE. Na reunião extraordinária de ontem em Genebra, grandes blocos comerciais como a UE, os EUA, o G-20 e o Japão pretendiam conversar sobre como salvar a Conferência Ministerial da OMC agendada para meados de dezembro, em Hong Kong. Originalmente, o Diretor-Geral da OMC, Pascal Lamy, havia planejado celebrar na ocasião grandes progressos no caminho de um novo acordo de comércio internacional. Com a paralisação das conversas, no entanto, Lamy diminui o nível das ambições.


Pfaffenbach, por sua vez, exigiu que fosse mantido o objetivo de abertura dos mercados internacionais da forma mais ampla possível. "Isso devemos sobretudo aos países subdesenvolvidos", disse ele. Para esses países, as perdas e danos de um eventual fracasso das negociações seriam ainda maiores. Nesse caso, aumentaria o número de acordos bilaterais entre grandes potências econômicas como EUA, China, Brasil e UE, e os países pobres ficariam de fora.


O Representante do Comércio dos Estados Unidos, Rob Portman, também reiterou: "Não podemos diminuir o nosso nível de ambição." A rodada, que foi aberta em 2001, em Doha, no deserto do Emirado do Catar, deveria ter sido encerrada no final de 2004. Conforme um estudo do Banco Mundial, a economia internacional poderia auferir ganhos de 300 bilhões de dólares se os políticos eliminassem, como planejado, as barreiras comerciais e os subsídios.

Endereço: Palácio Itamaraty - Esplanada dos Ministérios - Bloco H -Brasília/DF - Brasil - CEP 70.170-900
Fale Conosco | Mapa do Site | Embaixadas | Consulados e Vice-Consulados | Delegações, Missões e Escritórios
Escritório de Representação: EREMINAS, ERENE, ERENOR, EREPAR, ERERIO, ERESC, ERESP, ERESUL
Legalização Consular de Documentos: MRE - Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior - Setor de Legalização - E-mail:legalizar@itamaraty.gov.br