Artigo "O Brasil a caminho de se tornar uma potência" (Handelsblatt (Alemanha) - 18 de março de 2005)
Jornal: Handelsblatt (Alemanha) Título: 'O Brasil a caminho de se tornar uma potência' Data: 18/03/2004
Em trinta anos o Brasil poderá ultrapassar a Alemanha economicamente - diagnosticou o Banco de Investimentos Goldman Sachs.
Junto com a Índia, a China e a Rússia, o Brasil pertence ao grupo de países emergentes que mais cresce. Até a metade deste século, estes países poderão ultrapassar os países líderes econômicos do G-8.
No Brasil, essa análise é vista com ceticismo, pois o país foi a grande decepção no mercado mundial nos anos oitenta. A economia ficou estagnada por mais de uma década e perdeu a oportunidade para os países asiáticos. Mas também a OCDE, em seu relatório mais recente, considerou o Brasil "um fundamento para um crescimento estável". Para desenvolver este pontencial, no entanto, o país precisaria melhorar as condições de investimento, seguir uma política de orçamento sólida e programar a política social de forma mais eficiente. "O Brasil precisa, a curto prazo, superar o maior obstáculo para um crescimento duradouro", ressaltaram os economistas da Goldman, Dominic Wilson e Roopa Perushotham.
Nos últimos dois anos - tempo de governo do presidente e antigo líder sindical, Luiz Inácio Lula da Silva - o país alcançou um passo adiante em quase todos os pontos.
Por exemplo, no comércio exterior: nos anos 90 foi responsável por 10 % do PIB brasileiro. Neste meio tempo, a participação é por volta de 26%. O Brasil quer aumentar essa participação até o final do governo Lula, em 2006, para 35%. E pode ser que ele consiga: o Brasil é um dos mais importantes exportadores de matéria-prima. Além disso, o país é uma importante plataforma para produtos semimanufaturados: automóveis, peças de automóveis, aviões, material têxtil, máquinas e celulares, com esses produtos o Brasil concorre hoje com sucesso no mercado mundial. A exportação para os produtos semimanufaturados é duas vezes maior do que de matéria-prima e está aumentando cada vez mais.
Também na área de investimentos, o Brasil está progredindo: os investimentos diretos do exterior aumentaram, em 2004, 18 bilhões de dólares, num total de 10 bilhões de dólares no ano anterior. Por fim, Lula surpreendeu os seus partidários com um duro curso de redução de despesas. Nesse meio tempo, o governo objetiva um superávit primário no
orçamento, isto é, sem considerar o pagamento dos juros - de mais de 5% do PIB. Isso garante a estagnação da dívida. A dívida diminuiu com relação ao PIB, em dois anos, de 60% para 52%.
"O superávit orçamentário precisa ser mantido de qualquer forma", exige a OCDE. Ao invés de aumentar os impostos, a organização defende gastos eficientes. Isto é válido, sobretudo, na área social, onde Lula até agora não tomou nenhuma posição clara.
O sucesso da política de Lula também é revelado nos dados atuais de crescimento: segundo a mais recente estatística do IBGE, o BIP brasileiro cresceu em 5,2% no ano passado. É o crescimento mais alto desde 1994 e o dobro da média da década passada. Esse foi impulsionado pelo consumo interno e pelos investimentos, além das exportações, acredita
Victoria Werneck, do banco de investimentos UBS. Ela crê que o crescimento no Brasil seja duradouro, segundo o UBS, este ano o desempenho econômico deverá crescer por volta de 4%.
