Artigo Alemanha defende conciliação (Correio Braziliense, 29/4/2008)

Hércules Barros

 

O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel, se diz satisfeito com as ações do Brasil para conciliar o programa de biocombustível sem ameaçar a produção de alimentos, nem provocar desmatamento. Em reunião com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o alemão avaliou como positivas as informações recebidas do governo brasileiro de que os biocombustíveis não pressionam a fronteira agrícola no país e anunciou que a Alemanha vai assinar um acordo energético com o Brasil em meados de maio.


Para o ministro será uma oportunidade de o Brasil mostrar que segue critérios de sustentabilidade. “Se continuar provando isso (sustentabilidade) no panorama internacional, não haverá dificuldade em que a Europa continue importando etanol da cana-de-açúcar”, observou Gabriel.
Entusiasta do programa brasileiro de produção de etanol, a Alemanha busca conciliar os investimentos energéticos com as recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU). “Estamos discutindo se fontes biológicas de combustíveis poderão concorrer com a produção de alimentos”, observa o ministro alemão. No início do ano, relatório da ONU sobre a alimentação fez um alerta sobre o avanço do biocombustível sobre a fronteira agrícola no mundo, colocando em risco a produção de alimentos. O relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, chegou a pedir a suspensão da produção de biocombustíveis, apontando como uma das causas da alta nos preços dos alimentos.
Preservação


A ministra Marina destacou as relações Brasil-Alemanha na área ambiental. “O governo alemão é um dos maiores doadores de recursos ao Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), que alavanca projetos como a construção da BR-163”, destacou Marina. Segundo o governo da Alemanha, desde o início do programa, em 1992, a Alemanha investiu US$ 400 milhões em projetos nas regiões da Amazônia e da Mata Atlântica.


No encontro com Marina Silva, o ministro anunciou a doação de 30 milhões de euros para o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Ele destacou que nos últimos três anos, a derrubada de floresta no Brasil teve redução de 59% e que uma das formas de conter o desmatamento seria não permitir a produção de biocombustível na Amazônia, por exemplo. “O Brasil possui 300 milhões de hectares de área agricultável, mas utiliza somente 1% para a produção de biocombustível. Na Amazônia, existem 166 mil hectares abandonados sem que seja preciso avançar sobre a floresta”, afirmou.

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