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30/09/2019

Uma afirmação que vem sendo replicada por vários integrantes do governo federal nas últimas semanas é de que a Amazônia não está em chamas, inclusive pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que falou sobre isso em seu discurso na Assembleia Geral da ONU. Se a situação das queimadas na região saiu de controle em agosto, a boa notícia para o meio ambiente é que setembro reverteu os indicadores e houve uma diminuição dos focos de calor naquele bioma, chegando a um patamar equivalente ao registrado em 2016.

Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que no mês de setembro, até o domingo (29), foram registrados 19.487 focos de calor no bioma Amazônia. Esse número é, até o momento, o menor registrado para um mês de setembro nos últimos quatro anos: está no patamar de 2016, quando o mês de setembro teve 20.460 casos detectados.

A quantidade de focos registradas em 2019 é inferior à média do mês, que é de 33.426, e menor do que os registros de 2018, quando foram 24.803 focos, e 2017, que teve 36.569 registros. O ano de 2017, inclusive, foi o com maior quantidade de casos registrados desde 2011, e somou 107.439 focos de calor na região amazônica.

O indicador também é importante porque brecou o avanço dos focos de calor que estavam sendo registrados em agosto deste ano, quando esse número chegou a 30.901 casos. Historicamente, os meses de agosto e setembro são os que registram os números mais elevados de focos de calor e incêndio, e também os que registram mais casos de queimada.

O chefe do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Ibama, Gabriel Zacharias, explicou que setembro costuma concentrar até um terço dos focos de calor de um ano. Ele falou sobre isso na última semana, em coletiva que apresentou o balanço de um mês da operação Verde Brasil.

Vale destacar que o número de focos de calor não corresponde ao de incêndios ambientais. Um único incêndio pode ter até centenas de focos de calor, que são detectáveis pelos satélites e radares.

Reversão difícil

De fato, setembro costuma concentrar, em média, 30% dos focos de calor registrados no Brasil a cada ano. É, também, o mês que registrou o maior pico de toda série histórica do Inpe: 73.141 casos em 2007 – naquele ano, isso foi equivalente a 39% de todos os registros. Há uma explicação para o aumento de ocorrências neste mês: estão relacionadas diretamente à quantidade de registros do mês de agosto e também são influenciadas por fatores climatológicos. A tendência dos meses de setembro na região do bioma amazônico é de serem mais secos, o que colabora para a propagação de queimadas.

A série histórica do Inpe, que compila dados desde 1998, mostra que é muito difícil “reverter” o resultado de agosto. Ao longo desses 21 anos, os números de setembro só foram inferiores aos registrados em agosto em seis ocasiões – de 1998 a 2001 e depois em 2010 e 2019. O resultado é comemorado pelo governo, porque quanto mais tarde aumentam os focos de calor, mais danoso o cenário se torna ao meio ambiente.

A redução da quantidade de focos de calor era um dos objetivos da força-tarefa que integra a operação Verde Brasil, iniciada a partir da publicação de um decreto de Garantia de Lei e Ordem (GLO) ainda em agosto e prorrogada por mais um mês, até o final de outubro. Entre vários objetivos, que incluem também a fiscalização ambiental, o principal, talvez, fosse a contenção do avanço das queimadas na região.

Para o governo, uma confluência de fatores explica os bons resultados obtidos em setembro, que reverteram a tendência de alta que estava sendo registrada em agosto. Além da presença das Forças Armadas e de toda a estrutura que envolve equipes de outros órgãos do governo, como Ibama, ICMBio e a Polícia Federal, o combate aos pontos de incêndio e até mesmo chuvas esparsas colaboraram para esses resultados.
Ainda assim, a tendência é de que 2019 termine com mais registros de focos de calor do que o ano anterior. Até o dia 29 de setembro foram registrados 66.312 casos contra 68.345 do ano passado. Historicamente, o último trimestre de cada ano soma cerca de 37,5 mil ocorrências.

Distribuição dos focos

O último relatório sobre distribuição dos focos de calor, publicado pelo Inpe nesta segunda-feira (30), aponta que foram detectados 292 focos de calor no bioma Amazônia pelo satélite que cobre a região apenas no domingo (29), ante 494 registros em todo o país.

Na região da Amazônia Legal, foram identificados focos em 74 municípios de sete estados – são nove unidades da federação que compõem essa região. Os estados que têm mais cidades com focos de calor são Pará (24), Acre (14) e Maranhão (12). Também registraram casos Amazonas (9), Amapá (7), Rondônia (3) e Mato Grosso (3).

Mas, não é apenas a região amazônica que está de alerta. O bioma corresponde a 46% de todos os registros de focos de calor registrados no Brasil até o dia 29 de setembro – são 142.739 ocorrências no total. Com exceção do Pampa e da Caatinga, que estão com números inferiores aos registrados em 2018, os demais sistemas ou estão com números iguais ou superiores às médias históricas ou registraram avanços ante o mês de agosto.

No Cerrado, já são 50.439 focos de calor, sendo que 22.904 foram registrados em setembro. Além de ser um número superior à média histórica do mês, já superou os casos de 2018, quando foram 39.449 ocorrências no ano todo.

No Pantanal, os registros em 2019 somam 5.941, sendo que 2.776 foram verificados em setembro. Esses indicadores são superiores aos registrados em 2017, que teve 5.773 casos, e muito mais do que em 2018 todo: foram 1.691 registros no ano passado, número praticamente igual aos 1.690 casos verificados apenas em agosto deste ano. Além disso, no bioma Mata Atlântica, os focos de calor registrados em 2019, que somam 13.647, já são superiores aos registrados em 2018, quando foram anotadas 11.298 ocorrências.

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