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Leia a matéria completa aqui: https://www.commentarymagazine.com/politics-ideas/the-climate-change-depressives/

13/09/2019
Abe Greenwald

Nos últimos anos, o ativismo da mudança do clima mudou seu foco dos perigos potenciais das mudanças do clima para a ameaça imediata da "crise climática". Se a idéia era assustar as pessoas para que enfrentem o problema diretamente, está funcionando. Mas não da maneira que os ativistas esperavam.

Alguns da esquerda estão tão convencidos com os argumentos sobre enchentes, secas e incêndios que agora consideram o problema insolúvel. Claro, se todas as histórias de dia do juízo final fossem realmente verdadeiras, esses deprimidos das mudanças do clima estariam absolutamente certos. Para a nossa sorte, eles apenas foram tomados por uma campanha publicitária que perdeu o rumo.

O romancista Jonathan Franzen acabou de escrever um ensaio inteiro na New Yorker, argumentando que é tarde demais para fazermos algo a respeito das mudanças do clima. "Mesmo a essa altura dos acontecimentos, expressões de esperança irrealista continuam abundantes", escreve. "Dificilmente parece passar um dia sem que se leia que é hora de 'arregaçar as mangas' e 'salvar o planeta'; que o problema das mudanças do clima pode ser "resolvido" se tivermos vontade coletiva. Embora essa mensagem provavelmente ainda fosse verdadeira em 1988, quando a ciência a esse respeito se tornou totalmente clara, emitimos tanto carbono na atmosfera nos últimos trinta anos quanto produzimos nos dois séculos anteriores de industrialização”. Franzen observa que a temperatura esquentou nos últimos anos acima do nível crítico, o que nos teria literalmente afundados.

Não se preocupe. Franzen é um apocalíptico pragmático: "Se você aceitar a realidade de que o planeta superaquecerá a ponto de ameaçar a civilização, há muito mais que você deveria estar fazendo". Naturalmente, ele tem suas próprias idéias sobre como se preparar para o grande derretimento. Muito disso involve “ser legal”: ele escreve que a "bondade com os vizinhos e o respeito pela terra - nutrir um solo saudável, administrar sabiamente a água, cuidar de polinizadores - serão essenciais em uma crise e em qualquer sociedade que a sobreviva".

Um artigo recente de Chris Mooney e John Muysken no Washington Post também sugere que estamos além do ponto de não-retorno: "Numerosos locais ao redor do mundo aqueceram-se em pelo menos 2 graus Celsius no século passado", escrevem Mooney e Muysken. "Esse é o número que cientistas e formuladores de políticas identificaram como uma linha vermelha para que o planeta evite consequências catastróficas e irreversíveis. Mas em regiões grandes e pequenas, esse ponto já foi alcançado.”

Na revista “The Week”, Noah Millman menciona “4 verdades inconvenientes sobre as mudanças do clima. A quarta verdade é extraordinária: "Já é tarde demais para evitar as mudanças do clima".

Aparentemente, o candidato presidencial democrata Andrew Yang concorda. "Será uma verdade dura, mas já estamos atrasados demais", disse ele durante o debate sobre o clima da CNN. "Precisamos fazer tudo o que pudermos para começarmos a mover o clima na direção certa, mas também precisamos começar a mover nosso pessoal para áreas mais elevadas".

Se você estiver à esquerda, isso não serve. A força política, econômica e acadêmica que é o ativismo da mudança do clima depende da existência de uma catástrofe climática iminente e de uma solução perpetuamente fora de alcance.

O ensaio de Franzen chamou muita atenção e os cientistas do clima agora estão tentando rasgá-lo por completo. Um exemplo é particularmente revelador: "A estranha insistência de Franzen de que 2 graus é um número mágico e que tudo se transforma instantaneamente em inferno depois disso é uma loucura ”, tuitou o guru da sustentabilidade Andrew Winston. "Se não alcançarmos 2, lutamos por 2.1, depois por 2.2, etc."

Isso nos leva ao grande erro dos deprimidos da mudança do clima: eles não foram avisados. Se você se preocupa com o aquecimento global, não deve encarar a ciência como ciência. Você deve encará-la como "ciência", um termo político recém-cunhado que significa "aquilo que permite ignorar a opinião conservadora em um dado momento no tempo". Você nunca deveria usar a "ciência" como um meio para chegar à verdade objetiva. Na guerra partidária do século XXI, a verdade objetiva é um fardo mortal.

Franzen e os outros, pobres almas, pensaram que tudo era verdade. Mas 2 graus Celsius não significam realmente 2 graus Celsius. Significam 2.1 ou 2.2 ou o que for politicamente viável no momento em que você é chamado a dizer algo assustador. Quando Al Gore disse, em 2006, que tínhamos 10 anos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ou enfrentar catástrofes certas, ele não quis dizer 10 anos; ele quis dizer "10 anos". Quando ele disse, um ano depois, que o gelo do Mar Ártico poderia desaparecer até 2013, ele não quis dizer 2013; ele quis dizer "2013". E assim por diante.

A ciência não está estabelecida. Está "estabelecida", o que significa que é ajustável conforme necessário para a conveniência política. Acreditar na ciência é negar a "ciência".

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