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https://www.thehindu.com/news/international/amazon-fire-fighting-is-brazils-internal-problem/article29302415.ece

31/08/2019

Enquanto os incêndios atingem as florestas amazônicas do Brasil, o governo liderado pelo presidente Jair Bolsonaro rejeitou as críticas ao tratamento da situação e rejeitou uma promessa do G-7 de financiar US $ 20 milhões para a operação de combate a incêndios, denominada “Operação Brasil Verde”. Em entrevista, o embaixador brasileiro André Aranha Corrêa do Lago diz que lidar com os incêndios é um desafio, mas deve ser visto como um problema interno do Brasil.

Quanto tempo levará e qual será o custo para apagar os incêndios?

O mundo inteiro está olhando para essa questão em decorrência da gravidade dos incêndios, mas também porque a Amazônia é a maior floresta tropical remanescente no mundo. Portanto, a solidariedade pela tragédia foi mais forte do que se esperava. O que entendemos no Brasil, ao avaliarmos o custo e os danos, a necessidade de ver o contexto em que esses incêndios estão ocorrendo. Esta é a estação seca no Brasil, durante a qual muitos incêndios ocorrem todos os anos. Estamos tomando todas as medidas para controlá-los; o presidente Bolsonaro fez um discurso nacional afirmando tolerância zero com o desmatamento ilegal e com os responsáveis por deliberadamente provocar incêndios.

Por que o Brasil rejeitou a promessa do G-7 de US $ 20 milhões para lidar com os incêndios?

Penso que temos de considerar o quadro geral: os incêndios não são uma surpresa e não acontecem pela primeira vez. O Brasil é um país capaz de lidar com essa questão e temos mais experiência em combater esses incêndios. Já estabelecemos muitos mecanismos internacionais para poder ter acesso aos recursos necessários para esse tipo de desafio. A maneira como a questão foi levada ao G-7 foi uma afronta à soberania do Brasil, deixando entender que o problema não estava sendo tratado, quando na verdade o Brasil é líder no combate ao desmatamento e incêndios florestais. Quando o G-7 estava discutindo o problema em nosso país, eles deveriam ter garantido que o Brasil também fosse convidado para a sessão.

O meio ambiente pode ser uma questão soberana? Você pode dizer que a Amazônia é uma questão interna, pois está no Brasil, mas as florestas são chamadas de pulmões do mundo...

A questão da soberania vem sendo discutida há muito tempo sobre a Amazônia. Partes da floresta estão em diferentes países e cada um de nós tem consciência do tesouro que possui, e todos somos sensíveis à necessidade de seu desenvolvimento sustentável, para que beneficie as populações locais que lá vivem. Temos 20 milhões de pessoas vivendo na Amazônia brasileira e precisamos encontrar atividades compatíveis com a sua preservação. Embora sejamos um país em desenvolvimento, temos as instituições mais extraordinárias para estudar a Amazônia e entender como preservá-la. Portanto, para o G-7 acreditar que pode apenas dar uma certa quantia de dinheiro e que isso resolverá o problema é desrespeitar os anos de trabalho e as negociações que o Brasil empreendeu no âmbito da Amazônia. Não é que recusemos toda a ajuda, mas a ajuda deve ser oferecida com alguma reflexão.

Existe espaço para cooperação com a Índia?

A Amazônia preservada no Brasil é maior que toda a Índia. Você pode imaginar o que é preciso para ter capacidade e equipamentos para combater incêndios em uma área do tamanho da Índia? A Índia e o Brasil estão muito próximos em todas as discussões sobre mudanças climáticas e de financiamento para o mundo em desenvolvimento, particularmente no grupo BASIC. Pouquíssimos países sabem tanto sobre como o Brasil está trabalhando nesse problema quanto a Índia, país com o qual mantemos um diálogo constante.

O primeiro-ministro Modi está viajando para o Brasil ainda este ano ... Essa será uma das áreas de cooperação em que veremos movimento?

Temos muitas áreas de cooperação, desde comércio e investimento até educação, ciência e tecnologia para discutir durante a visita. Em questões ambientais e finanças internacionais, estamos ambos convencidos do poder do multilateralismo. Índia e Brasil estão unidos em todos esses temas.

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