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https://www.spectator.co.uk/2019/08/the-most-dangerous-thing-about-the-amazon-fires-is-the-apocalyptic-rhetoric/

A pregação moral de jogadores de futebol, atores e políticos nas redes sociais está prejudicando

Matt Ridley – 30/08/2019

Cristiano Ronaldo é um especialista português em florestas que também joga futebol, então quando ele compartilhou online a foto de uma recente queimada na Amazônia, ela se tornou viral. Talvez ele estivesse com pressa naquele dia para sair do laboratório para o treino de futebol, isto porque mais tarde apurou-se que a foto foi era na realidade de 2013, não deste ano, e foi tirada no sul do Brasil, em nenhum lugar perto da Amazônia.

Pelo menos a foto dele era apenas de 6 anos atrás. Emmanuel Macron, outro ecologista que também “trabalha” como Presidente da França, afirmou que “A floresta amazônica – os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta – está em chamas” junto com uma foto de 20 anos atrás. Um terceiro biocientista, que usa o nome de Madonna e canta, coroou suas duas conquistas compartilhando uma foto de 30 anos atrás.

Agora imagine se alguma celebridade – Donald Trump, por exemplo, ou Nigel Lawson – tivesse compartilhado foto de uma floresta tropical intocada com a legenda “A Amazônia está indo bem! ” e se descobrisse que a foto era de décadas atrás ou da área errada. O “verificador de fatos“ da BBC estaria muito interessado nisto, aproveitando a oportunidade para zombar, censurar e marginalizar.

Na realidade, “ a Amazônia está indo bem” é muito mais próximo da verdade do que “a Amazônia – os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta – está em chamas! ” A floresta não está em chamas. A maioria das queimadas deste ano ocorre em terras agrícolas ou em áreas já desmatadas, e a alegação de que a Amazônia produz 20% do oxigênio no ar é absurda ou errada, dependendo de como você interpreta isto. (de qualquer forma, os pulmões não produzem oxigênio). A Amazônia, como qualquer outro ecossistema, consume tanto oxigênio pela respiração quanto produz pela fotossíntese de forma que não há contribuição liquida; e mesmo em termos brutos, a Amazônia é responsável por menos de 6% da produção de oxigênio, pois a maioria da produção ocorre no oceano.

Mas o mais revelador é a natureza desatualizada das fotos compartilhadas pelas celebridades, porque o número de queimadas no Brasil este ano é mais do que no ano passado, mas aproximadamente o mesmo do que em 2016 e menos do que 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2010 e 2012. Durante a maioria destes anos, o presidente do Brasil era um socialista, não um populista de direita, então no mundo da BBC estas queimadas não contam. Mais significante, a taxa de desmatamento na bacia amazônica diminuiu 70% desde 2004.

Provavelmente é verdade que a retorica do Presidente Jair Bolsonaro incentivou aqueles que desejavam retomar a exploração madeireira e a derrubada da floresta e contribuiu para o aumento das queimadas no país. Mas era realmente necessário alegar uma catástrofe global para defender esse ponto, e isto não seria contraprodutivo? “ O “tweet” de Macron teve o mesmo impacto na base de Bolsonaro como quando Hillary chamou a base de Trump de deplorável ”, afirma um comentarista brasileiro.

Eu algumas vezes me pergunto se a citação erroneamente atribuída a Mark Twain, “uma mentira pode dar meia volta ao mundo enquanto a verdade ainda calça seus sapatos”, agora é tomada como uma instrução pelos grupos de pressão ambiental. Eles operam em um mercado viciosamente competitivo em busca de atenção da mídia e doações, e aqueles que gritam mais alto se saem melhor, mesmo que mais tarde fique claro que eles disseram mentiras.

Em todo o mundo, as queimadas estão em declínio, de acordo com a NASA. O desmatamento também está ocorrendo cada vez menos. O relatório das Nações Unidas sobre o estado das florestas mundiais concluiu no ano passado que “ a perda liquida de área de florestas continua a diminuir, de 0.18% ao ano em 1990 para 0.08% no período dos últimos 5 anos”. Um estudo publicado na revista Nature ano passado por cientistas da Universidade de Maryland concluiu que mesmo estes números são muito pessimistas: “mostramos que - a contrário da visão prevalente de que área de florestas tem declinado globalmente – a cobertura florestal aumentou 2,24 milhões de km2 (+7.1% em relação ao nível de 1982).

Este aumento líquido é impulsionado pelo rápido reflorestamento em países temperados e ricos superando a taxa de desmatamento líquida mais lenta em países pobres e quentes. Mas cada vez mais nações estão atingindo os níveis de renda nos quais elas param o desmatamento e começam o reflorestamento. Bangladesh, por exemplo, dobrou sua cobertura florestal nos últimos anos. Costa Rica dobrou sua cobertura florestal em 40 anos. O Brasil está pronto para se para se juntar ao grupo dos países reflorestadores em breve.

Possivelmente o maior impulsionador dessa tendência encorajadora é o aumento da produtividade da agricultura. Quanto mais o rendimento aumenta, menos terra precisamos roubar da natureza para nos alimentarmos. Jesse Ausubel, da Universidade Rockefeller, calculou que o mundo precisa de apenas 35% da quantidade de terras utilizada para produzir uma determinada quantidade de alimentos em comparação com a quantidade de terras necessária 50 anos atrás. Isso tem poupado terras selvagens em grande escala.

Da mesma forma, levar as pessoas a usar combustíveis fósseis e a evitar a queima de madeira como combustível poupa árvores. É nos países mais pobres, principalmente na África, que homens e mulheres ainda recolhem lenha para cozinhar e utilizam carne de animais selvagens como comida, em vez de usar eletricidade ou gás e carne de animais de criação.

O problema da retorica apocalíptica é que ela parece justificar soluções drásticas, mas perigosas. A obsessão com a mudança climática tem retardado o declínio do desmatamento. Estima-se que 700.000 hectares de floresta foram derrubados no sudeste asiático para cultivar óleo de palma e adicioná-lo ao combustível supostamente verde “bio-diesel” na Europa, enquanto o mundo está utilizando 5% de sua safra de grãos para “alimentar” carros ao invés de pessoas, o que significa que 5% das terras cultivadas poderiam ser liberadas para florestas. A Grã-Bretanha importa madeira de floretas selvagens nas Américas para queimar para eletricidade em Drax, norte de Yorshire, privando besouros e pica-paus de seu almoço.

A tentação da pregação moral nas redes sociais é tão forte entre jogadores de futebol, atores e políticos que, na verdade, ela está causando danos. Obtenha os incentivos econômicos corretos e o mundo salvará suas florestas. Pregue e prevarique, e você provavelmente irá terminar inadvertidamente privando mais tucanos e tapires de seu habitat na floresta tropical.

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