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A Coordenação-Geral de Cooperação Humanitária e Combate à Fome (CGFOME) foi estabelecida formalmente em 1º de janeiro de 2004, no Ministério das Relações Exteriores, a fim de promover a cooperação humanitária internacional e a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional. Desde então, se tornou a unidade responsável pela articulação operacional das ações humanitárias do Governo brasileiro e pelo diálogo político sobre estes temas junto aos organismos internacionais e demais instituições competentes,

No contexto da necessidade de evacuação de cidadãos brasileiros no Sul do Líbano, em 2006, percebeu-se a necessidade de se estabelecer estrutura de gestão e dotação orçamentária específica no Governo Federal, que permitisse a rápida mobilização de meios para a repatriação de cidadãos brasileiros em casos de emergências e que pudesse ser destinada à cooperação humanitária internacional, em sentido amplo, a fim de colaborar com países e populações em situações de crises humanitárias, fossem elas crises prolongadas, conflitos internos ou externos, surtos epidêmicos ou desastres socioambientais.

Como consequência, foi criado o Grupo de Trabalho Interministerial sobre Cooperação Humanitária Internacional (GTI-AHI), por Decreto Presidencial de 21 de junho de 2006, integrado por 15 Ministérios e coordenado pelo Itamaraty, para uma articulação mais coordenada do Governo brasileiro. A referida medida possibilitou ao Poder Executivo "de forma permanente, empreender ações humanitárias com a finalidade de proteger, evitar, reduzir ou auxiliar outros países ou regiões que se encontrem, momentaneamente ou não, em estado de calamidade pública ou situações de emergência, de risco iminente ou grave ameaça à vida, à saúde, à proteção dos direitos humanos ou humanitários de sua população, respeitando a cultura e os costumes locais dos beneficiários" (Decreto Presidencial de 21 de junho de 2006).

Vários fatores, internos e externos, fizeram com que o país mudasse o perfil no campo da cooperação humanitária e da segurança alimentar e nutricional, principalmente a partir de 2007, coerentemente com a nova posição entre as dez maiores economias do mundo. Deve-se recordar que, quando um país é afetado por desastre socioambiental de grande magnitude, os meios de resposta locais podem esgotar-se rapidamente, sendo necessários meios adicionais.

Para além do diálogo político, as ações operacionais da CGFOME passaram então a ser divididas, essencialmente, em dois tipos: financeiras e doações de itens de primeira necessidade. As financeiras advêm do orçamento do Ministério das Relações Exteriores, a partir de 2007, e são caracterizadas pela transferência de recursos, notadamente por meio de Organismos Internacionais, tais como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), entre outros, para financiamento voluntário de projetos internacionais de cooperação humanitária determinados pelo Governo brasileiro. 

Já as doações de itens de primeira necessidade representam doações principalmente de alimentos e medicamentos, viabilizadas, notadamente a partir de 2007, por meio de importantes parcerias, principalmente com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o Ministério da Defesa, o Ministério da Saúde e o Ministério da Integração, entre outros. Para o transporte de alimentos, ressalta-se a importância dos parceiros internacionais para doações por intermédio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), conforme determinação da Lei 12.429/2011.

De 2006 a 2015, o país empreendeu aproximadamente 682 ações internacionais de cooperação humanitária, das quais 392 foram viabilizadas por meio de dotação orçamentária do Ministério das Relações Exteriores, destinada especificamente para esse fim, beneficiando mais de 96 países na América Latina e Caribe, África, Ásia e Oriente Médio. Em paralelo, 290 ações foram realizadas em coordenação com outros órgãos governamentais, dentre os quais o Ministério da Saúde, o Ministério da Defesa e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para doações de itens de primeira necessidade, tais como medicamentos e alimentos, em benefício de 69 países na América Latina e Caribe, África, Ásia e Oriente Médio.

Vale ressaltar que os recursos destinados à cooperação humanitária brasileira em todo seu histórico representam menos de 0,009% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, sendo inestimáveis os benefícios aos flagelados. São inúmeros os registros recebidos de indivíduos em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar e nutricional, cuja qualidade de vida melhorou por intermédio direto ou indireto das ações empreendidas pela cooperação humanitária brasileira na garantia de direitos humanos fundamentais e universais.

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