Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

Sérgio Rodrigues e o Itamaraty

A colaboração de Sérgio Rodrigues com o Itamaraty se iniciou em 1960, quando o diplomata Wladimir Murtinho e o arquiteto Olavo Redig de Campos, já envolvidos com a transferência do Ministério para Brasília, encomendaram ao designer uma mesa para os gabinetes ministeriais da nova capital. Assim nasceu o modelo ES-6, que Sérgio Rodrigues apelidou de “mesa Itamaraty”.

Modelo ME-6 no catálogo da Oca, loja de Sérgio Rodrigues (arquivo Freddy van Camp)

 

No mesmo ano, impressionado com a ES-6, o Embaixador Hugo Gouthier convidou o arquiteto a mobiliar o Palácio Pamphilij, um edifício histórico no centro de Roma adquirido pelo governo brasileiro para tornar-se a nova sede da Embaixada do Brasil. Sérgio Rodrigues passou quatro meses na Itália desenvolvendo novos modelos. 

 

Modelo ES-6 no Palácio Pamphilij. Ao fundo, conjunto de sofás e poltronas SO-4 (apelidados "Navona"),
modelos criados especialmente para a Embaixada do Brasil em Roma (arquivo Instituto Sérgio Rodrigues)

 

Em 1961, a “Poltrona Mole” de Sérgio Rodrigues ganharia, na IV Mostra Seletiva Internacional de Móveis, em Cantú, Itália, o primeiro prêmio do júri, que a considerou: “único modelo com características atuais, apesar da estrutura com tratamento convencional, não influenciado por modismos e absolutamente representativo da região de origem”. Sérgio Rodrigues tornou-se então referência no design de móveis brasileiro.

 

Os projetos de Sérgio Rodrigues para os interiores do Itamaraty

 

No Palácio Itamaraty, coube a Sérgio Rodrigues projetar os interiores dos principais gabinetes. Tratava-se de um grande desafio: criar um mobiliário com qualidades a um só tempo representativas e funcionais, e que se adequasse às enormes dimensões das salas (36, 72 e 144 metros quadrados, com 3,5 metros de altura).

Sérgio Rodrigues selecionou para os gabinetes do Palácio um mobiliário imponente, construído em grandes peças maciças de jacarandá, com estofamentos em couro preto ou verde e veludo dourado. Uma característica comum a várias peças eram as colunas de sustentação em seção quadrada, com botões metálicos cobrindo parafusos e junções.

 

Modelos VI-IT-7, criados especialmente para o Palácio, para a exposição de documentos históricos (Ana de Oliveira/AIG-MRE)

 

Alguns modelos foram desenvolvidos em diferentes tamanhos, segundo o uso. Uma mesa de trabalho, por exemplo, foi produzida nas larguras de 3m (exemplar único, para o Gabinete do Ministro, de 144 metros quadrados), 2,5m; 2,0; 1,6 e 1,5 metros. Um modelo para secretárias trazia um painel frontal revestido em couro para impedir a visão sob o tampo. 

 

 

 Foto: Ana de OLiveira/AIG-MRE

 

 Foto: AIG-MRE

  

Da mesma forma, uma poltrona foi desenvolvida em versões de escritório, em vários tamanhos.

 

Poltrona estofada, em duas versões. O modelo menor passou a ser comercializado pela Oca como PO-27 (ou poltrona Kiko).

 

 

 Modelos originais ou adaptações?

 

Nas faturas guardadas nos arquivos do Itamaraty, os modelos criados para o Ministério são designados sob uma numeração especial, IT.

No entanto, no catálogo comercial da loja de Sérgio Rodrigues, a Oca, existiam versões menores de vários dos modelos IT. Como não existem registros das datas exatas em que cada móvel foi criado ou entrou em comercialização, não é possível estabelecer quais foram criados para o Palácio e depois entraram na linha comercial em versão residencial, e quais já existiam e foram feitos em dimensões palacianas.

 

O modelo MB-IT-13 e a versão residencial, MB-27 (Fotos: Laura Virgínia, AIG/MRE e arquivo Freddy van Camp)

 

  

   

O modelo BQ-IT-8, de 3 m de largura, e a versão residencial, BQ-27, de 1,5m (Fotos: Ana de Oliveira/ AIG-MRE e arquivo Freddy van Camp)

 

 

E a mesa ES-6? Curiosamente, esse modelo nunca foi utilizado nos interiores do Itamaraty!

 

A redescoberta de um móvel

 

Um móvel extremamente comum nos escritórios do Itamaraty é uma pequena poltrona sobre rodas. Embora tenha várias características típicas dos móveis de Sérgio Rodrigues, essa poltrona não constava de nenhum catálogo da Oca ou de livros sobre o designer. A única indicação de fabricante era uma etiqueta de uma pequena marcenaria do subúrbio do Rio de Janeiro colada em alguns exemplares.

Recentemente, o Instituto Sérgio Rodrigues localizou em seus arquivos um desenho do móvel, confirmando assim sua autoria.

A poltrona de escritório do Itamaraty aparentemente nunca foi comercializada. No entanto, um móvel para sala de estar, apelidado de "Jimmi", tem muitas semelhanças com ela. Deve tratar-se de mais um caso de móvel produzido para o Ministério que foi modificado para venda comercial. De fato, num livro-catálogo editado em 2000, Sérgio Rodrigues associa a Jimmi a outros modelos produzidos para o Palácio dos Arcos.

Mas porque esses móveis carregam a etiqueta de uma pequena marcenaria? Afinal a Oca possuía duas grandes fábricas, no Rio de Janeiro e em Jacareí, São Paulo.

Provavelmente, a poltrona foi produzida por Sérgio Rodrigues após sua saída da Oca. Nessa época, ele passou a recorrer a marcenarias terceirizadas para a fabricação de seus modelos.

Arquivo Instituto Sérgio Rodrigues

 

 

Foto: Ana de Oliveira/AIG-MRE

 

Poltrona Jimmi. Foto: Instituto Sérgio Rodrigues

 

Fim do conteúdo da página