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Senhor Vice-Ministro, Embaixador Michele Valensise,

Senhor Embaixador da Itália, Raffaele Trombetta,

Senhora Embaixadora Caterina Bertolini, demais membros da delegação italiana,

Senhores membros da delegação brasileira, meus colegas,

Senhoras e Senhores,


Em nome do Governo brasileiro e do Ministro das Relações Exteriores, tenho a grande satisfação de abrir este 6º encontro do Conselho de Cooperação. Dou as boas-vindas ao Embaixador Michele Valensise, um grande e querido amigo do Brasil, e aos integrantes da delegação italiana que se deslocaram a Brasília, em demonstração clara do interesse que demonstram pelo diálogo entre nossos países.

Quero também agradecer à delegação italiana o uso do português sem intérprete para realizar estas reuniões, o que demonstra não só uma especial consideração ao Brasil, mas também a reconhecida habilidade dos italianos de dominarem línguas estrangeiras e essa sua capacidade de desvanecer os seus interlocutores com a sua cálida amizade.

Uma forte herança comum e uma história iluminada de relações bilaterais exemplares marcam a amizade entre o Brasil e a Itália. Os trabalhos de hoje singularizam-se pela oportunidade de renovarmos o diálogo e de edificarmos a modernização de nossa agenda, sobretudo no âmbito dos investimentos, da cooperação empresarial, da parceria educacional, científica, tecnológica, da inovação e dos temas de interesse direto das comunidades de migrantes. Nosso desafio é continuar o bom caminho que nos foi legado e concretizar, com ações estratégicas conjuntas, os ideais de que comungamos.

Também a parceria entre os nossos entes sub-regionais – regiões e comunas italianas, estados federados e municípios brasileiros – pode ser instrumental na promoção do comércio e da integração econômica entre os dois países. Contamos com um acordo bilateral sobre a cooperação descentralizada, que conviria explorar em toda a sua excelente potencialidade.

No âmbito econômico, temos uma ampla agenda de trabalho para a criação de oportunidades de comércio e de investimentos. Apesar de o intercâmbio bilateral ter aumentado quase 90% entre 2005 e 2014, houve decréscimo de 4,5% no ano passado, tendência que se repetiu nos dois primeiros meses de 2015. Dinamizar o nosso comércio, explorando novas oportunidades e lidando com as adversidades de maneira célere, é essencial para que nossas economias se desenvolvam de maneira equilibrada.

Nesse contexto, tornam-se fundamentais iniciativas como a criação de mecanismos de diálogo entre pequenas e médias empresas, assim como entre instituições a elas relacionadas, que têm inestimável importância nos tecidos produtivos do Brasil e da Itália e que desempenham papel essencial na geração de renda e de empregos nos dois países.

É também nosso desejo contribuir para que os fluxos de investimentos existentes se multipliquem. A Itália tem uma longa e exitosa história como investidora no Brasil.O Brasil é um mercado cada vez mais promissor. Atualmente, estima-se em 1200 o número de empresas italianas atuando no Brasil, com um estoque de investimentos diretos no total de aproximadamente 18 bilhões de dólares até 2012. São números impressionantes. Os cuidados na gerência da política econômica assegurarão ao Brasil a consolidação de conquistas importantes na área econômica e social, criando novos atrativos. Este é, portanto, o momento de olhar para este país com a visão de futuro e a confiança que sempre marcaram os investimentos italianos no país.

Muitos desses investimentos concentram-se no setor de defesa. Nessa área, regida pelo Acordo de Cooperação em Defesa assinado em 2008, a cooperação bilateral tem-se mostrado profícua. Além dos exitosos resultados históricos já alcançados pela cooperação bilateral em defesa, com destaque para o programa AMX, notamos a contínua incorporação de novas áreas de atuação conjunta, em particular a recente assinatura, em outubro de 2014, do Ajuste Técnico sobre Cooperação no Campo Aeroespacial, complementar ao Acordo de Cooperação em Defesa.

Pretendemos atrair ainda mais recursos humanos e financeiros para setores estratégicos em nossa economia, como os de energia e meio ambiente, biotecnologia e infraestrutura, entre outros. Para estimular a modernização e a capacitação do País, buscamos parcerias de longo prazo que tragam benefícios mútuos. Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Estatísticas italiano em dezembro do ano passado, o Brasil é um dos espaços estratégicos para investimentos italianos na área industrial, sendo o país o terceiro principal destino para a internacionalização das empresas desse setor, atrás apenas dos Estados Unidos e da Romênia.

De nosso lado, a participação brasileira na Exposição Universal de 2015, a realizar-se em Milão com o tema Nutrir o planeta; energia para a vida, é um meio de oferecer ao mundo o que temos de melhor. Em sua dupla condição de potência agrícola e energética, pelos progressos técnicos alcançados na agropecuária e no desenvolvimento de matriz energética limpa e sustentável, o Brasil pode aportar expertise em produção eficiente de alimentos e erradicação da fome. O pavilhão brasileiro, intitulado “Alimentar o Mundo com Soluções”, será um dos maiores da Exposição.

Senhoras e senhores,

Nossa agenda de trabalho naturalmente abarca os temas sociais, a cooperação para o desenvolvimento e questões consulares. Para nós, é muito clara a necessidade de firmar o desenvolvimento nacional nos pilares social e ambiental, além do econômico.

Ressalto a necessidade de iniciarmos tratativas com vistas a formular um tratado de previdência social, de maneira a modernizar as regras do Acordo de Migração assinado pelo Brasil e pela Itália há mais de cinquenta anos e que se baseava em contexto social, político e econômico totalmente diferente tanto num país quanto noutro. Um acordo moderno nessa área é indispensável para as comunidades de migrantes.

Destaco, igualmente, a relevância de nossa parceria em matéria de cooperação educacional. Além de a Itália ser, hoje, um dos receptores mais procurados por estudantes brasileiros incluídos no Ciências sem Fronteiras, é um dos países em que o Programa mais avançou na oferta de oportunidades de estágio profissionalizante, graças à parceria estabelecida entre nossa Embaixada em Roma e a Fundação Alma Mater, ligada à Universidade de Bolonha, e à disposição de empresas italianas atuantes no Brasil, como a Tim e a Telecom Itália. No marco do programa complementar Idiomas sem Fronteiras, estamos felizes com os recentes entendimentos bilaterais, que nos aproximaram da assinatura do Memorando de Entendimento sobre o Ensino da Língua Italiana no Brasil.

Seja pela magnitude dos investimentos italianos no Brasil e pela crescente presença de empresas brasileiras na Itália, seja pela vitalidade das duas culturas, que dialogam entre si e buscam fecundar-se mutuamente, seja, por fim, pelo legado determinante da migração, nossas sociedades há muito decidiram que esta parceria é aspecto central do lugar que os dois países pretendem ocupar no mundo. Cabe a nós tirar proveito desse intercâmbio franco de ideias, que frutificam em benefício de nossas sociedades.
Com esses pensamento, caro amigo Embaixador Valensise, dou novamente as boas vindas à delegação italiana e desejo muito êxito aos trabalhos que aqui começam.

Muito obrigado.

 

 

 

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