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Portal do Governo Brasileiro
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Se fosse me dada a oportunidade, eu ia fazer mais bonito que esse acrobata da bola que veio aqui, mas não me deixaram.

Eu quero, primeiramente, dizer a vocês da alegria imensa de estar vivendo este momento, em que estamos terminando uma Copa do Mundo e estamos fazendo uma festa para iniciar outra Copa do Mundo.

Quero cumprimentar o companheiro, se assim posso chamá-lo, Joseph Blatter, presidente da Fifa, que tem trabalhado de forma extraordinária, junto com o Brasil, e, ao mesmo tempo, parabenizá-lo por atender a uma demanda de um brasileiro excepcional, João Havelange, que queria trazer a Copa do Mundo para o continente africano.

Quero cumprimentar o companheiro Ricardo Teixeira, presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e presidente da CBF. E dizer a você, Ricardo, que eu não serei mais Presidente depois do dia 1º de janeiro de 2011, mas continuarei brasileiro, continuarei amante do futebol e pode contar comigo no que for necessário para que a gente possa fazer a melhor Copa do Mundo que um país já conseguiu fazer. E eu tenho certeza que o Brasil será capaz disso.

Quero cumprimentar o senhor Irving Khoza, presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul,

Quero cumprimentar os amigos aqui presentes, homens e mulheres, mas queria, sobretudo, cumprimentar aqueles que são a razão principal da Copa do Mundo.

Eu não poderia deixar de citar aqui a presença do companheiro Cafu, nosso companheiro que tantas vezes levantou taças em nome do Brasil, e com muito orgulho. Já parou de jogar futebol, poderia jogar futebol no meu time, daqui para frente.

Não poderia deixar de cumprimentar o mais irreverente dos jogadores que eu conheço, bom caráter, boa gente, meu companheiro Romário, nosso querido campeão de 1994, e que lamenta não ter sido titular, junto com o Bebeto, em 1990, que poderiam ter sido campeões na Itália.

Quero cumprimentar o companheiro Bebeto que, além de goleador, fez um gesto extraordinário quando na comemoração de um gol ele homenageou, possivelmente, o nascimento do seu filho, fazendo aquele gesto de balançar uma criança. Sem nenhum demérito, Cafu, eu quero cumprimentar aquele que eu acho o mais perfeito lateral-direito que o Brasil já teve, não apenas por jogar bola, mas pela liderança que exercia dentro do campo - você não era nem nascido, Ricardo Teixeira -, o nosso querido Carlos Alberto Torres, nosso companheiro que marcou um gol inesquecível na Copa do Mundo de 1970, contra a Itália.

Quero cumprimentar o Parreira. Parreira, eu sei que não foi possível fazer mais na África do Sul, pouco tempo... o Joel [Santana] esteve por aqui, também não foi possível fazer. Mas eu quero lembrar, Parreira, das alegrias que você deu ao futebol brasileiro como técnico, e se você não se lembra, que você deu ao meu Corinthians, quando criou uma teoria simplista de que a melhor forma de um time não tomar gol é não deixar o adversário ter a bola nos pés. E foi naquele tempo que o Corinthians teve um grande time.

Quero cumprimentar, aqui, os companheiros. Eu sei que todo mundo lamenta profundamente... Platini, você tirou o Brasil de uma Copa do Mundo, Platini! Você se meteu a marcar um gol de pênalti contra o Brasil – e isso é imperdoável – mas de qualquer forma, eu quero que você saiba que eu tenho um carinho profundo pelo grande jogador de futebol que você foi.

Aqui, tem uma outra pessoa que eu não estou vendo, mas eu sei que está aqui, que é o Beckenbauer. O Beckenbauer – pelo menos colocaram na minha relação que ele está aqui – não sei cadê o Beckenbauer, mas o Beckenbauer foi, possivelmente, um dos jogadores que eu mais admirei pela seriedade, pela garra e por aquela final do jogo Inglaterra X Alemanha, em 1966. Eu não sei se foi naquela Copa que o Beckenbauer estava com o braço quebrado e que voltou a jogar. Mas de qualquer forma, Beckenbauer, eu quero que você saiba que eu o considero, depois de mim e depois do Pelé, o melhor jogador que eu vi jogar e o mais sério.

Bem, minha amigas e meus amigos, me disseram que eu tinha só cinco minutos para falar mas, como Presidente, a gente sempre pode extrapolar democraticamente um pouco do tempo.

Minhas queridas amigas e amigos,

Antes de mais nada, eu quero cumprimentar calorosamente a África do Sul por esta maravilhosa e inesquecível Copa do Mundo. Ela está mostrando a todos os povos do Planeta, a todos os países do mundo, a todos os continentes, a força, a alegria, a criatividade e a capacidade de organização do povo africano.

Nós, brasileiros, estamos muito contentes com o extraordinário sucesso da Copa na África. Em primeiro lugar, porque o sucesso do Mundial na África é também a realização do sonho de um grande brasileiro, o nosso querido presidente de honra da Fifa, o João Havelange.

Além disso, o sucesso dos nossos irmãos africanos representa um tremendo desafio para os brasileiros. Vamos aprender com eles. Aliás, estamos aprendendo com eles para que a Copa de 2014, que teremos a honra de hospedar, seja um sucesso maior ainda. É uma grande responsabilidade, mas estamos confiantes.

Os brasileiros gostam de desafios, são movidos a desafios e, estejam certos, farão um Mundial da Fifa tão bonito e emocionante como o da África do Sul.

Os indicadores econômicos do Brasil são animadores, o país cresce e se desenvolve. Em 2014, teremos uma economia ainda mais relevante no cenário internacional. Estamos trabalhando duro para que a pujança crescente de nossa economia reflita-se em uma Copa vibrante e impecável.

Já aprovamos um plano integrado que envolve o governo nacional e os governos locais de doze cidades-sede onde se realizarão os jogos do Mundial. E aqui estão presentes o governador do estado da Bahia e o governador do estado do Paraná. A preparação do evento terá máxima transparência. Já fiz dois decretos: todos os gastos públicos serão divulgados na internet e poderão ser acompanhados em tempo real por qualquer cidadão de qualquer lugar do mundo. Faremos uma Copa verde; verde como nossas florestas. A sustentabilidade ambiental é uma prioridade para o Brasil e será uma das marcas da Copa em nosso país. A Copa será uma grande oportunidade para acelerar investimentos em infraestrutura, necessários para o Mundial e fundamentais para o desenvolvimento do nosso Brasil. Queremos deixar um legado que se refletirá na melhoria das condições de vida do nosso povo.

Com o Mundial, teremos a oportunidade de apresentar ao mundo um novo momento do Brasil. Estamos seguros de que encantaremos o mundo, como a África do Sul encantou o Planeta nessas últimas semanas.

Somos um povo, meu caro Blatter, apaixonado pelo esporte e apaixonado pelo futebol, porque somos um povo apaixonado pela vida e acreditamos que, embora ela seja maravilhosa, sempre pode melhorar mais ainda, desde que, é claro, lutemos por isso e não nos conformemos ou nos calemos diante das injustiças. Acreditamos no poder do esporte para unir homens e mulheres, acima das diferenças, e também para derrubar preconceitos.

Quando soar o apito final aqui, em Joanesburgo, a bola atravessará o Atlântico e será recebida fora dos campos pelos brasileiros, com o mesmo carinho e amor com que a tratamos dentro das quatro linhas. Vamos fazer uma Copa inesquecível. É um compromisso, podem cobrar.

Eu queria, meu caro Ricardo e meu caro Blatter, dizer a vocês que nós, brasileiros, temos orgulho do que nós somos. Nós somos um povo que sabemos amar, nós somos um povo que sabemos trabalhar, nós somos um povo que tem gente rica e tem gente pobre, mas, sobretudo, nós somos um povo orgulhoso. E somos um povo que mesmo nas adversidades nós não desistimos nunca. Isto é o Brasil de 2014.

Muito obrigado.

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