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Pergunta: inaudível

Está não foi uma reunião para se adotar decisões. Até porque não podemos adotar decisões bilateralmente. Nós continuamos explorando duas coisas. Primeiro, como atuar conjuntamente para contribuir para o êxito da Rodada. Acho que, sob esse aspecto, é positivo o movimento que a União Européia tem feito em relação à parte de acesso a mercados agrícolas ao se aproximar -- não chegou lá -- da proposta do G-20. Temos posição muito semelhante no que diz respeito a apoio doméstico. A União Européia está muito próxima, realmente, da proposta do G-20. De modo que temos ambos interesse em que os Estados Unidos façam movimentos significativos. Os movimentos que a União Européia tem feito são positivos na parte de apoio doméstico, sobretudo porque os Estados Unidos estiveram sempre preocupados com a questão da harmonização. Não é uma harmonização absoluta, mas diminuir, digamos, o diferencial que existe hoje entre as proporções de apoio doméstico entre Estados Unidos e União Européia. E acho que o que a União Européia tem feito, que não chega exatamente na proposta do G-20, chega muito perto dela, permite maior harmonização, o que já é um argumento forte para que os Estados Unidos diminuam seus próprios subsídios domésticos. Isso é uma coisa importante.

Na parte de acesso a mercados, a aproximação ainda não está totalmente clara porque, obviamente, depende um pouco do tratamento de produtos sensíveis, número de produtos sensíveis e também da parte que diz respeito ao corte tarifário. O que temos sentido é que a União Européia tem avançado na média. Você sabe que média tem aquele velho exemplo: se você puser seus pés no fogão e sua cabeça na geladeira a temperatura média do seu corpo é boa, mas você pode morrer. Então, na média eles estão se aproximando do G-20, mas ainda quando se vê linha por linha, especialmente em tarifas altas, ainda sentimos que há um certo diferencial que tem de ser, de alguma maneira, superado ou compensado. E na parte de produtos sensíveis também.

Sinto que há um avanço nas conversas. Estamos conversando de coisas mais e mais concretas, vendo interesses concretos brasileiros, como eles podem ser atendidos também não só na parte dos cortes, mas também na parte das cotas com o percentual de consumo interno. Tem havido um avanço. Não chegamos lá, mas tem havido um avanço.

Resumindo: na parte de agricultura há uma coincidência quase total em matéria de apoio doméstico porque achamos que a União Européia avançou bastante em apoio doméstico -- pode avançar um pouquinho mais, mas avançou bastante -- e a nossa posição em relação ao que o outro grande subsidiador deve fazer é idêntica. Quer dizer, achamos que os Estados Unidos têm que cortar substancialmente. E, no que diz respeito a acesso a mercados, há uma tendência para uma convergência, mas ainda há uma distância a ser coberta. E, digamos, também fizemos explorações no que diz respeito à parte de acesso a mercados em produtos industriais. O Presidente Lula tem dito que todos temos que fazer nossa parte, mas tem que ser proporcional. Ontem, em um artigo sobre as negociações na OMC, o Paulinho Nogueira Batista comentou: é um triângulo, mas não é um triângulo equilátero, é um triângulo isósceles onde dois lados são iguais, mais ou menos iguais, e o outro lado tem que ser menor, porque um país em desenvolvimento não pode fazer o mesmo sacrifício, o mesmo grau de concessão de países desenvolvidos. Não tem cabimento, senão não seria uma Rodada de Desenvolvimento.

Essa troca de idéias foi positiva. Conversamos sobre que formas haveria também de atender a certos interesses europeus na parte de acesso a mercados industriais, mas sem baixar o coeficiente a um nível que para nós não seria suportável. Acho que a conversa foi boa.

Pergunta: Em matéria de avanços, os europeus sinalizaram alguma coisa além daquilo que o Senhor ... (inaudível)

No caso da União Européia, os avanços têm sido muito graduais. Acho, por exemplo, que a posição atual em relação a apoio doméstico, que é uma parte importante, representa grande avanço em relação ao que era a situação até o acordo-quadro de dois anos atrás. Sinto que estão muito próximos da proposta do G-20. A diferença é pequena. Mas tem sido gradual. Às vezes digo que se a União Européia tivesse feito esse gesto há mais tempo, com mais força, talvez tivesse desencadeado logo uma negociação. Enfim, cada um age como pode.

Pergunta: Essa aproximação das propostas, vamos dizer assim, essa tendência favorável com a União Européia não reforça que a bola da vez está com os Estados Unidos ?

Dizer que a bola da vez está com os Estados Unidos dá a impressão que ninguém mais tem responsabilidade e isso talvez seja uma simplificação. Como eu disse, todos vão ter que fazer movimentos. O grande movimento, o movimento forte, o impulso tem que vir dos Estados Unidos. E acho que o impulso é na parte de apoio doméstico. O que até hoje não ficou claro é se os Estados Unidos estão dispostos a fazê-lo. Já disseram umas coisas que podem ser lidas como positivas, um dia a nuance é mais positiva, no outro dia a nuance é - não digo negativa - mas mais restritiva. Ninguém está pedindo que os Estados Unidos façam uma nova oferta. Ninguém vai pedir isso. Mas eles têm que estar preparados nessa reta final para fazer um movimento forte em apoio doméstico. Quanto ao que vai se dar em troca, ajudaria muito a União Européia também esclarecer mais o que está disposta a fazer em produtos sensíveis porque isso permitiria aos interessados na parte de acesso a mercados, inclusive aos Estados Unidos, ter uma avaliação melhor da oferta.

Na fórmula, os europeus estão avançando. Na média chegaram quase lá em relação à proposta do G-20, embora, quando distribuído por bandas, não está claro ainda. Penso que eles podem movimentar um pouco mais. Mas com maior clareza em produtos sensíveis os Estados Unidos poderiam ver os ganhos concretos que terão e o ganho concreto para todos.

É um pouco trágico dizer isso, mas, na verdade, o que impulsionou o lançamento da Rodada foi o clima que houve depois do 11 de setembro e a preocupação de todos em fortalecer o sistema multilateral. Estamos vendo agora - e eu não estou estabelecendo relações diretas porque não há uma relação de causa e efeito imediata, é preciso sublinhar isso - essas crises no Oriente Médio, o aumento no preço do petróleo, tudo isso tem que nos levar a uma consciência de que o sistema multilateral é essencial para todos. Li um artigo ontem em um jornal que a criação da OMC tinha sido o maior avanço do sistema multilateral dos últimos cinqüenta anos. Não sei, isso é uma avaliação que os historiadores farão, mas vamos perder isso? Não podemos perder isso. Desde o início a Rodada tem tido vários objetivos, mas o seu principal objetivo é reduzir substancialmente os subsídios e aumentar o acesso a mercado em agricultura. Então, é preciso que os países ricos dêem a sua contribuição.

Pergunta: inaudível

Acho que os europeus avançaram. Não há como negar que avançaram. Avançaram o suficiente? Minha opinião é que não, mas avançaram. Antes de Hong Kong o que houve? Era o contrário. Os americanos tinham feito um avanço na parte de apoio doméstico e tinham uma expectativa de que poderiam avançar mais. Depois de Hong Kong, os europeus tinham avançado e essa expectativa de avançar mais ficou mais nebulosa por parte dos americanos. É natural que agora haja uma, como você disse aqui, bola da vez. Eles têm que fazer esse movimento porque, agora, não é um movimento isolado. Quero sempre dizer isso porque não posso ser mal interpretado. Então, vamos esperar? Eu já sei que vem a resposta: mas os Estados Unidos não vão fazer uma nova oferta. Ninguém está pedindo uma nova oferta, mas tem que ter consciência que nesse movimento todos vamos ter que nos mexer de alguma maneira, todos terão que se mexer. Mas o movimento mais importante que tem que ser feito agora é o dos Estados Unidos em apoio doméstico, o que não quer dizer que a União Européia também não tenha que fazer, como acabei de sublinhar, um movimento adicional na oferta de mercados agrícolas e, sobretudo, em relação ao tratamento de produtos sensíveis, quer dizer, à questão das bandas na redução de tarifas. Mas eles estão se aproximando do G-20. Na média eles também estão se aproximando do G-20, mas quando se pensa no corte por bandas e quando se pensa no tratamento de produtos sensíveis, vai-se pensar em termos de salvaguardas especiais. Por exemplo, com uma salvaguarda especial sobre determinado produto, pode-se anular o benefício. Concede-se uma cota, vamos dizer de 3%, 4% do consumo interno, mas aí se aplica uma salvaguarda especial, dependendo da regra de aplicação, anula-se totalmente o benefício. Então, também os europeus vão ter que fazer movimentos. O movimento principal é o do apoio doméstico.

Pergunta: inaudível

Nós divulgamos uma Nota ontem no Itamaraty que é a posição do Governo a esse respeito. Evidentemente, condenamos todo o tipo de incursão, todo o tipo de ato terrorista. Mas achamos que a reação de Israel foi desproporcional. Inclusive li hoje nos jornais que o aeroporto não está utilizável, os portos estão bloqueados. O Líbano é, no final das contas, um país independente, passou por uma transformação importante recentemente, tem um Governo de coalizão ampla. Então, é uma reação desproporcional. Obviamente nós podemos apenas ficar chocados quando os membros de uma família - aliás, a própria Embaixada de Israel divulgou uma Nota lamentando a morte dos brasileiros - são vítimas inocentes, mas quando há ataques muito fortes evidentemente a possibilidade de você ter vítimas inocentes cresce muito. Então isso não é desejável. Estamos preocupados. Acompanhamos a situação no Oriente Médio com muita preocupação, vemos a radicalização. Não estou aqui condenando só Israel. Nesse caso específico do Líbano, criticamos as ações do Hezbollah, mas achamos que a reação israelense foi desproporcional e tende a gerar mais problemas e vemos com preocupação essa crise se espalhar. Antes a crisena Palestina, nos territórios ocupados, em Gaza. Agora vê-se isso se espalhar para o Líbano. É preocupante. Não vai haver uma Declaração do G-8 que eu saiba. A não ser que mude na última hora, não vai haver uma Declaração do G-8 mais cinco. Sei que entre os próprios membros do G-8 há visões diferentes do problema.

Pergunta: A expectativa sobre todo esse clima, o Senhor acha que São Petersburgo possibilita o que o Presidente Lula tenha ... (inaudível)

Há uma chance. Primeiro, ninguém falava. Não era nem parte da agenda. Agora, pelo que eu sei, os Estados Unidos estão levando lá a USTR, Susan Schwab, para participar da reunião. Pediram, inclusive, uma bilateral com o Brasil, porque provavelmente vão tratar de outros assuntos também, mas certamente vão tratar de comércio. A Susan Schwab vai participar da reunião. Então, acho que isso inclui o tema na agenda do almoço. Convidaram o Pascal Lamy. Então, tudo isso é um reconhecimento daquela tese que o Presidente Lula vem defendendo. Agora, você faz a pergunta se eu acho que vai resolver. Espero que possa, mas não tenho certeza. O formato do G-8 não é um formato ideal para negociar. O ideal é que houvesse em formato menor, mais concentrado no tema da OMC. Mas o ideal é inimigo do bom, a gente tem que fazer o que pode, quando pode. E eu acho que se sair de lá um mandato, não sei como isso se expressaria, não sei se há condições de ter um mandato escrito ou não, mas se sair um sentimento, um mandato, ainda que, digamos expresso oralmente, para que os negociadores, os próprios Ministros, saiam de lá e vão para Genebra e digam a eles: vocês não voltem de Genebra sem um acordo pronto. Acho que isso é que é necessário, tendo essas sinalizações que eu já mencionei. A sinalização de que os Estados Unidos estão dispostos a fazer um movimento importante na parte de apoio doméstico - que eu acho que pode fazer sem muito prejuízo aos programas que existem, levando em conta, naturalmente, os compromissos que já assumiram -; de que a União Européia está disposta a fazer um movimento adicional que não é bem um movimento, mas um progresso incremental no que ela tem, até hoje, apresentado em acesso a mercados agrícolas; e de que países como o nosso estão dispostos a fazer algum movimento também na parte de tarifas industriais e serviços, dentro da idéia da proporcionalidade. Não faz sentido cortar as tarifas industriais como eles desejam em 65% e receber de volta um corte de tarifas cheio de perfurações a 40%, 50%.

Pergunta: A questão da violência no Brasil, o Senhor sente algum reflexo externo? O pessoal manifesta preocupação, o senhor acha que isso afeta o nosso país?

Não é positivo. Agora, isso é um problema nosso, nós vamos ter que lidar com ele. É um dos grandes problemas, naturalmente, no Brasil. Qual a maneira de lidar com ele? Eu não sou especialista, eu não sei dizer, mas obviamente é um problema importante, sério, que afeta a imagem. Positivo não é, mas mais importante que a imagem é a realidade. Você tem que atacar os problemas, resolver os problemas.

Pergunta: Ministro, sobre o caso Jean Charles, qual é a expectativa ?

Acho que a expectativa é de que haja uma atitude transparente, justa e também que a família seja compensada adequadamente. O Governo britânico, em relação ao Governo brasileiro, tem tido um comportamento correto. Temos tido oportunidade de ouvir, de ter às vezes até, dentro do limite que é possível, de acordo com a lei, porque esse é um processo judicial e tem certos limites, um conhecimento antecipado ou um conhecimento mais detalhado. Virá uma missão do Brasil na própria segunda-feira que será recebida horas antes, creio eu, da divulgação, mas talvez eles possam obter algum detalhe, pelo menos uma visão geral do que vai sair e alguma outra explicação que possa ser dada. Mas eu aguardaria para comentar porque não adiantaria fazer comentário agora.

Pergunta: Mas o Senhor pode esclarecer o que o Governo brasileiro entende como uma decisão transparente e justa ?

Eu não sei porque depende da investigação. Eu não posso também, a priori, condenar. Tem que ser uma coisa séria. Eu tenho expressado confiança no sistema inglês. Temos recebido sempre garantias de que esses processos continuarão, de que os interesses da família também serão vistos. Vamos ver. Eu acho que temos que aguardar.

Pergunta: Eu estive na Bolívia. Ele criticou a postura do Brasil como dúbia e mais... (inaudível)

Eu acho que não é o caso de eu entrar no debate com um candidato à Presidência que naturalmente está envolvido na campanha eleitoral. Você não vai esperar dele elogios à política externa brasileira. O que eu posso dizer é que nós temos tido uma atitude firme, ao mesmo tempo evitando ataques estridentes, radicalizações, retaliações, que não teriam nenhum benefício. Nós conhecemos em outros casos históricos, se você for analisar, em que resultaram políticas de retaliação. Em geral, não é coisa boa. Eu entendo, quem está na oposição tem que falar. Em geral, as coisas todas estão tendo êxito. O comércio brasileiro tem aumentado espetacularmente. Aumentaram as exportações e mais espetacularmente ainda para os países que foram priorizados pela política externa. Isso é uma coisa que, às vezes, as pessoas esquecem de dizer. Não é só que as exportações brasileiras cresceram a esse ritmo de 15%, 20% ao ano. É a questão de que, para os países em que a política externa deu mais atenção, as exportações cresceram 30%, em alguns casos 40%. Veja bem, nossas exportações para os Estados Unidos estão em um recorde histórico, as nossas exportações para a União Européia estão em um recorde histórico, apesar disso a América Latina e o Caribe se transformaram no nosso maior parceiro comercial. A América do Sul está igualando os Estados Unidos.

Pergunta: Ministro, com relação ao conflito Líbano-Israel, qual a posição do Itamaraty ?

O Brasil acompanha com muita preocupação toda essa deterioração da situação no Oriente Médio, tanto na Palestina, quanto no Líbano. Condenamos todas as execuções de atos terroristas, mas também condenamos a reação desproporcional de Israel que acabou resultando, também, na morte de cinco brasileiros, e há outros brasileiros na região e isso é, evidentemente, motivo de preocupação e temos, publicamente, expressado isso. Achamos que é preciso reverter essa situação. Isso depende de ações de parte a parte porque senão haverá uma escalada com conseqüências muito graves. Vejo que agora a situação está se alastrando. Era uma situação na Palestina, que já era muito grave, e agora também atinge o Líbano e é preciso autocontenção. Obviamente, nós condenamos, repito, os atos terroristas, seqüestros etc., mas também condenamos essas reações desproporcionais que atingem civis.

Pergunta: Qual foi o alerta dado aos brasileiros que estão lá no Líbano ?

Ontem mesmo entramos em contato com a nossa Embaixada no Líbano e com o nosso Consulado, que lida mais diretamente com os brasileiros. Determinamos que procurassem chegar ao local onde há brasileiros ameaçados. Não é uma coisa fácil, o deslocamento não é fácil, mas nós daremos todo o apoio e se, for necessário, inclusive, ver o que podemos fazer para evacuar aqueles que queiram ser evacuados. Isso está ainda em trâmite.

Pergunta: Existe um oficial brasileiro que esteja totalmente direcionado a cuidar desses assuntos?

Nós temos um Embaixador e um Cônsul-Geral no Líbano e eles estão instruídos nesse sentido.

Pergunta: Qual a posição do Itamaraty com relação ao conflito Líbano-Israel ?

Em primeiro lugar, em relação ao conflito evidentemente o Brasil condenou e condena qualquer ação terrorista, seqüestro, incursões feitos pelo Hezbollah ou por quem quer que seja, mas condena também a reação desproporcional de Israel que resultou na morte inclusive de uma família de brasileiros, quatro brasileiros. Estamos tentando ver como ajudar os brasileiros na região, mas seguimos com muita preocupação essa escalada que estava na Palestina, que já era muito grave, mas agora passa também para o Líbano e isso é uma causa de preocupação pelos brasileiros e pela situação mundial.

Pergunta: Ministro, qual a expectativa, qual que seria o resultado positivo ao final da reunião do G-8 em termos de Rodada Doha ?

O resultado positivo é receber uma sinalização clara de todos, mas nesse momento especialmente dos Estados Unidos de que estão dispostos a fazer gestos adicionais em apoio doméstico e, com base nessa sinalização, que os líderes possam dizer para os Ministros irem para Genebra ou para onde quer que seja e saiam de lá só com um acordo. Hoje há um acordo visível, pode-se olhar, o acordo está lá. É um paradoxo. Há um acordo que está ao alcance da mão, se poderia dizer e, ao mesmo tempo, há uma dificuldade em avançar em certos setores. Eu diria que, neste momento, não é o único, repito, não é o único, mas a área em que o avanço é mais necessário é de apoio doméstico e, nesse caso, são os Estados Unidos que podem fazer o maior gesto. É claro que eles não vão fazer esse gesto isoladamente. Terá que ser nesse contexto de negociação.

Pergunta: Nessa reunião bilateral que foi pedida... que os Estados Unidos propuseram fazer com o Brasil, o senhor acha que pode haver algum avanço? No caso, que eles podem acrescentar alguma proposta ?

Acho que o assunto vai ser tratado porque inclusive a USTR, a representante comercial vai estar presente no encontro. A presença dela revela que esse assunto será tratado e certamente o Presidente Lula levantaria esse tema de qualquer forma. Não creio que nós ali vamos negociar um número, mas acho que, na linha desse impulso, é algo necessário, porque se não houver esse avanço significativo na área de apoio doméstico, se não houver uma sinalização clara da disposição dos Estados Unidos de fazer esse avanço, não vejo como fechar a Rodada Doha. E aí, muita gente diz, "você pode congelar e voltar", mas aí nós entramos em uma área de incerteza

Pergunta: O senhor acha que vai se cumprir o prazo do dia 30 deste mês e também o prazo de terminar a Rodada neste ano?

O prazo é mais este ano do que propriamente o dia 30, porque se a reunião do dia 30 passar para dia 4, 5 de agosto isso não é grave, mas vai depender muito dessa decisão dos líderes de dar uma instrução firme para os negociadores. Acho que todos nós sabemos, mais ou menos, onde é que se situa a área onde o acordo é possível. Nós temos uma noção, mas cada um fica forçando mais uma coisa ou outra ou resistindo mais em um ponto ou outro. Isso é normal numa negociação, mas não estamos em uma situação como estávamos há dois anos, como estávamos em Cancún, em que, digamos, as áreas em desacordo eram imensas. Hoje em dia estão delimitadas, numericamente visíveis e, portanto, com vontade política acho que é possível chegar lá.

Pergunta: Mas o prazo de 2006 ... (inaudível)

Eu acho que vai acontecer, mas é difícil prever. Em outras ocasiões no passado já houve. A Rodada do Uruguai aconteceu duas vezes, mas não é desejável. Acho que, hoje, temos uma conjugação de líderes no mundo, e eu incluiria o Presidente Lula entre eles e o Presidente Bush também, que têm um compromisso, o compromisso de um engajamento pessoal na conclusão da Rodada. Se você deixa passar, o risco é que outros fatores venham a pesar, que haja, digamos assim, uma menor confiança no multilateralismo. Os países começam a buscar outras soluções. Isso seria prejudicial ao sistema multilateral de comércio e o sistema multilateral de comércio é um dos pilares da organização mundial como um todo hoje em dia, da organização das relações internacionais. Sairmos do multilareralismo e passarmos para o bilateralismo ou regionalismo seria muito ruim. Ruim do ponto de vista econômico e ruim do ponto de vista político.

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