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DISCURSO DE ABERTURA DA REUNIÃO ANUAL BILATERAL DO CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-CHINA (CEBC)

DISCURSO POR OCASIÃO DE JANTAR OFERECIDO PELA CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL (CNA)


 

 

Discurso de Abertura da Reunião Anual Bilateral do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC)
Senhor Embaixador Sérgio Amaral, Presidente da Seção Brasileira do Conselho Empresarial Brasil-China,
Senhor Liu Mingzhong, Presidente da Seção Chinesa do Conselho Empresarial Brasil-China,
Senhores Ministros de Estado aqui presentes e demais autoridades de Governo,
Senhores Representantes das empresas-membro do CEBC,
Senhoras e Senhores,
É com grande satisfação que participo hoje da Sessão de abertura da reunião anual das Seções brasileira e chinesa do CEBC.
Como co-presidente da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), tenho tido oportunidade de acompanhar as importantes atividades do Conselho, que reúne as empresas mais representativas das relações econômico-comerciais entre Brasil e China.
Além do positivo intercâmbio entre as empresas, o Conselho Empresarial cumpre papel essencial como ponte entre os setores privados dos dois países, de um lado, e os Governos brasileiro e chinês, de outro.
Quero recordar que o Conselho e a COSBAN nasceram juntos, em 2004, há quase dez anos, em momento de grande adensamento de nossas relações, quando tivemos trocas de visitas no mais alto nível. O então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou Vista de Estado à China, reciprocada pelo então Presidente Hu Jintao, reafirmando o reconhecimento mútuo da importância de dois grandes países em desenvolvimento, com vasto potencial de cooperação conjunta.
Desde 2004, a agenda sino-brasileira registrou avanços muito expressivos, para os quais os trabalhos do Conselho Empresarial Brasil China certamente foram de imensa valia. Ao longo desses quase 10 anos, o crescimento do CEBC em número de empresas associadas e de atividades acompanhou pari passu a significativa ampliação e diversificação das relações econômico-comerciais.
Nosso comércio bilateral passou de US$ 9,1 bilhões em 2004 para US$ 75,5 bilhões em 2012, sendo que nossas exportações cresceram exponencialmente de US$ 5,4 bilhões para US$ 41,2 bilhões. De igual importância, foi o aumento de nosso superávit de US$ 1,7 bilhão para US$ 6,9 bilhões, o que representou 36% do superávit total brasileiro no ano de 2012.
Mesmo diante de circunstâncias adversas no cenário econômico internacional desde 2008, nossas trocas comerciais têm demonstrado dinamismo e robustez. O Brasil é o primeiro parceiro comercial da China na América Latina e, no ano passado, tornou-se o oitavo parceiro chinês, quando, em 2004, ocupava a 19ª posição. Recordo que, em 2009, a China tornou-se o principal parceiro comercial brasileiro, ultrapassando os EUA, que ocuparam por cerca de 80 anos essa posição.
Mas as exportações do Brasil para a China continuam fortemente concentradas em pequeno grupo de produtos primários. Minério de ferro, soja e petróleo respondem por 78 % de nossas exportações para a China. Essa circunstância deve reforçar nosso empenho na busca da ampliação da participação de produtos de maior valor agregado nas nossas exportações para o mercado chinês. Nesse sentido, aproveito esta ocasião para cumprimentar a seção brasileira do CEBC pela realização de importantes estudos sobre a expansão do comércio e dos investimentos entre o Brasil e a China, com foco em seus desafios e suas oportunidades.
Identificamos no setor do agronegócio vasto potencial para a inserção de produtos brasileiros com maior valor agregado no mercado chinês, à luz da considerável expansão desse mercado como decorrência da elevação crescente da renda da população chinesa.
No Plano Decenal de Cooperação Brasil-China que firmamos em 2012, estabelecemos a meta de duplicar o fluxo bilateral de comércio até 2021. Para tanto, precisamos construir condições para ampliar significativamente nossas exportações. Estou ciente de que há obstáculos técnicos e sanitários que dificultam o cumprimento desse objetivo. Nos encontros que mantive com o Presidente Xi Jinping e com o Vice-Presidente Li Yunchao, bem como na Reunião da COSBAN, busquei sensibilizar o lado chinês quanto à necessidade de serem superados esses entraves.
Os fluxos de investimentos também seguem caminho ascendente. Segundo dados do próprio CEBC, entre 2007 e 2012, 60 projetos de investimentos foram anunciados por empresas chinesas interessadas em ingressar no mercado brasileiro, com valores que chegam a US$ 68,5 bilhões. Mudou, igualmente, o perfil dos investimentos chineses no Brasil, que atualmente se expandem para setores de maior valor agregado e voltados para o mercado doméstico brasileiro, nas áreas de energia, produção de automóveis, máquinas e equipamentos, eletrônicos, telecomunicações e serviços bancários.
Mais recentemente, acompanhei com satisfação a participação de petroleiras chinesas – a "CNOOC International Limited" e a "CNPC – China National Petroleum Corporation" – no consórcio vencedor do leilão do campo de Libra do pré-sal. Esperamos também a participação chinesa nos próximos leilões de blocos terrestres para a produção de gás natural, a serem realizados no final do corrente mês de novembro. Será igualmente bem-vinda a participação em projetos brasileiros de infraestrutura, nos setores ferroviário, portuário, rodoviário e aeroportuário.
Os anúncios de investimentos brasileiros na China são crescentes e promissores. Contamos, atualmente, com 57 empresas brasileiras operando na China, muitas das quais com participação significativa no mercado local. Destaco que o Banco do Brasil abrirá em breve sua primeira agência em Xangai, como importante instrumento para a entrada e consolidação das empresas brasileiras na China. Os Bancos Centrais do Brasil e da China assinaram, em março último, acordo de swap cambial no valor máximo de 60 bilhões de Reais e 190 bilhões de Yuan para operações financeiras de lado a lado, que está pronto para ser utilizado na medida dos interesses dos operadores comerciais.
Senhoras e Senhores,
Apesar do exponencial crescimento dos laços econômicos e comerciais nos últimos anos, estou convencido de que podemos avançar ainda mais, identificando e difundindo novas oportunidades de investimentos para as empresas de ambos os países, papel este que o CEBC vem cumprindo com excelência.
Reitero que janelas de oportunidades vêm-se abrindo tanto no Brasil, com vastas oportunidades de novos investimentos em projetos de infraestrutura e no Plano de Investimento em Logística – PIL, como na China, com a aceleração de seu processo de urbanização e do crescimento do poder aquisitivo de sua população, constituindo ocasião única para adensarmos ainda mais nosso relacionamento econômico-comercial.
Muito obrigado.


 

Discurso por ocasião de jantar oferecido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
Excelentíssima Senhora Senadora Kátia Abreu, Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil,
Excelentíssimo Senhor Antônio Andrade, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
Excelentíssimo Senhor Wellington Moreira Franco, Ministro-Chefe da Secretaria de Aviação Civil,
Excelentíssimo Senhor Ricardo Shaefer, Secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Excelentíssimo Senhor Márcio Zimmermann, Secretário-Executivo do Ministério de Minas e Energia,
Excelentíssimo Senhor Valdemar Carneiro Leão Neto, Embaixador do Brasil em Pequim,
Senhores Empresários e Lideranças de entidades do agronegócio,
Senhoras e Senhores,
É com grande satisfação que participo hoje deste jantar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a convite da Senadora Kátia Abreu e das lideranças empresariais do agronegócio.
Acompanho, com admiração, os trabalhos que a CNA vem conduzindo no Brasil e no exterior, em especial na China, em defesa do desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
Quero parabenizar a CNA pela organização dessa importante missão que ora se realiza à China, e, em especial, o seminário Agroinvest 2013, em Xangai, na próxima semana, parte de uma estratégia bem definida para promover a inserção dos produtos do agronegócio brasileiro neste País e em favor da ampliação de parcerias no setor entre o Brasil e a China.
Parabenizo, igualmente, a CNA pela acertada criação de seu escritório em Pequim, inaugurado no ano passado, e peça fundamental na estratégia de internacionalização de suas atividades e, sobretudo, para sua melhor atuação na China.
Senhoras e Senhores,
O Brasil constitui, hoje, uma das maiores potências agrícolas do planeta. Nossa agricultura, diferentemente de décadas atrás, é moderna, mecanizada, industrializada, científica, intensiva em capital e altamente produtiva, o que nos dá condição de competirmos em patamar de superioridade aos nossos concorrentes.
Somos o maior exportador de açúcar do mundo; somos líderes no mercado de carne, retomando o posto que perdemos em 2011 para a Austrália; nos tornamos o maior exportador de milho; e estamos prestes a nos tornar também o maior exportador de soja. Mantemos igualmente posição de destaque nos mercados internacionais de café, laranja, entre outros produtos.
Esses dados estão refletidos no nosso comércio com a China. Somos o maior fornecedor chinês de carne de aves, e a China é nosso principal mercado para a soja. O comércio agrícola bilateral duplicou nos últimos anos e temos a expectativa de que a China se tornará, em breve, o principal cliente das exportações brasileiras do agronegócio.
Em que pese a pujança do comércio agrícola com a China, persistem desafios que merecem ser enfrentados.
O Governo brasileiro vem trabalhando para promover a diversificação de nossa pauta exportadora para a China e um comércio bilateral que seja, além de complementar, mais equilibrado em suas respectivas pautas exportadoras.
Em nossas reuniões com as autoridades chinesas temos insistido na importância de medidas que permitam diversificar nossa pauta exportadora para a China em dois sentidos:
(i) Em primeiro lugar, devemos agregar valor aos nossos produtos exportados, ou melhor, aumentar a parcela de produtos industrializados – incluindo os agrícolas – nas vendas à China, uma vez que 82,8% de nossas exportações em 2012 foram de produtos básicos. As vendas de semimanufaturados foram, por sua vez, de 11,3%, e as de manufaturados, 5,8%.
(ii) Em segundo lugar, dentro de nossas exportações de produtos básicos (82,8% do total das exportações em 2012), necessitamos diversificar a pauta com a inclusão de commodities, visto que minério de ferro, soja e petróleo representaram 78% das vendas brasileiras (US$ 27 bilhões) no ano passado.
Para efeitos de comparação, recordo que a pauta exportadora chinesa ao Brasil é mais diversa que a pauta exportadora brasileira à China. A parcela de bens industrializados das importações brasileiras da China é de 97,9%. Por sua vez, os cem principais produtos da pauta exportadora chinesa representam 42,16% das vendas para o Brasil (contra uma participação dos cem principais produtos de 96,62% no caso da pauta brasileira).
Para tentarmos reverter esse quadro, é de suma importância a união de esforços entre diferentes instâncias do Governo e setores privados, para negociarmos com os chineses em melhores bases.
Nesse sentido, o Governo vem trabalhando numa agenda que busca remover as barreiras sanitárias e fitossanitárias que incidem sobre nossos bens agrícolas. Estamos também discutindo com os chineses a escalada tarifária aplicada sobre nossos produtos semi-manufaturados, de modo a abrir o mercado chinês para nossos produtos; a criação de mecanismo que agilize o credenciamento de estabelecimentos brasileiros autorizados a exportar para a China; a abertura do mercado chinês para novos produtos nacionais, como o milho; o aumento da exportação de produtos em que possuímos reconhecida vantagem comparativa e excelência na qualidade, como café, laranja e celulose; a atração de investimentos chineses; e a criação de parcerias em segmentos de nosso interesse.
Esses foram importantes pontos de nossa agenda de trabalho em Cantão, onde realizamos, juntamente com o Vice-Primeiro-Ministro Wang Yang e sua equipe, mais uma produtiva reunião de nossa Comissão de Alto Nível, COSBAN. Esses temas constaram também das conversas que tive aqui em Pequim com o Presidente da República Xi Jinping e com o Vice-Presidente Li Yuanchao. Posso assegurar que continuaremos, com muito empenho, trabalhando com a Parte chinesa nesses objetivos.
Temos presente que a China nos oferece, hoje, grandes oportunidades ao agronegócio, à luz de sua enorme população, acelerado processo de urbanização, elevação crescente da renda dos trabalhadores e por consequência da demanda de melhores produtos.
Devemos, certamente, fazer nosso “dever de casa”, investindo em infraestrutura, logística, ampliando incessantemente nossa capacidade cientifico-tecnológica, melhorando nossa produtividade e eficiência, de forma a diminuir os custos que oneram nossa competitividade no mercado internacional.
Quero registrar aqui os esforços do Governo federal para melhora aparelhar o País com uma infraestrutura eficiente e moderna, que possa levar a ganhos reais em competitividade para os setores produtivos brasileiros, incluindo o agronegócio.
Com esse propósito, recordo o Programa de Investimento em Logística – PIL, em 2012, que contempla um conjunto de projetos, com investimentos estimados em US$ 90 bilhões (R$ 180 bilhões), nos setores ferroviário, rodoviário, portuário. O objetivo principal é fortalecer a integração logística entre os diversos modais de transporte de forma a promover ganhos de competitividade para o País. É esperado que esses investimentos em infraestrutura impulsionem o crescimento econômico e promovam o desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira.
Para implementação do PIL, também estamos buscando parcerias com empresas chinesas, as quais vem ampliando crescentemente sua participação em importantes projetos brasileiros, mostra do amadurecimento de nossas relações.
Senhoras e Senhores,
Apesar da grandiosidade das cifras que alcançamos no comércio bilateral agrícola com a China, tenho a convicção de que ainda podemos avançar mais e aproveitar as oportunidades que se abrem.
Nesse sentido, quero também registrar que mantemos, hoje, com a China, uma Parceria Estratégica Global, estabelecida ano passado entre a Senhora Presidenta Dilma Rousseff e o então Primeiro-Ministro Wen Jiabao. É o reconhecimento da alta importância que um país atribui ao outro e a determinação de trabalharmos juntos no plano bilateral e nas esferas internacionais, em benefício do desenvolvimento de nossas sociedades e em prol da reforma das instituições de governança global em sua vertente política e econômica.
Nossa Parceria Estratégica Global se estende além do plano dos negócios comerciais, sem deixar de considerar a importância desse eixo de nossas relações, e busca o desenvolvimento de projetos concretos também na área dos investimentos, da cooperação financeira, em ciência, tecnologia e inovação; da cooperação espacial; da aproximação de nossas culturas e da cooperação educacional, entre outras tantas. Temos importantes projetos em cada uma dessas áreas, alguns mais relacionados à área agrícola, como o laboratório virtual estabelecido entre a EMBRAPA e a Academia de Ciências Agrárias da China; ou o centro conjunto de biotecnologia, entre outras iniciativas.
Desejamos desenvolver com a China projetos conjuntos de longo prazo, buscando inspiração no nosso Programa CBERS de cooperação espacial, que já completou 25 anos na construção de satélites sino-brasileiros. Em dezembro lançaremos na China mais um satélite, e assinaremos hoje o Plano Decenal de Cooperação Espacial.
Também com esse sentido estratégico, Brasil e China firmaram ano passado o Plano Decenal de Cooperação, que determina ações prioritárias nos principais campos de nossas relações, com metas de longo prazo. Entre essas ações, estão a promoção do agronegócio e abertura de mercados; a pesquisa agropecuária; a formação de parcerias industriais; a promoção de investimentos em áreas-chaves como energia e infraestrutura; a capacitação de recursos humanos; que, concretizadas contribuirão, seguramente, para o desenvolvimento de nossas sociedades.
Agradeço, mais uma vez, o excelente trabalho que a Senadora Kátia Abreu e a CNA vêm desempenhando. Tenho certeza que seus esforços nos farão trilhar o caminho certo: tornar o Brasil o principal exportador de bens agrícolas para a China.
Contem conosco nessa importante empreitada.
Muito obrigado.

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