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Meus amigos,

Minha primeira palavra não poderia ser outra senão a de levar ao Presidente Lula o meu abraço de congratulações, de parabéns, por possuir no seu Governo, à frente do Ministério do Meio Ambiente, uma mulher como Marina Silva.

Mas é aquela história, as mulheres estão-se revelando no mundo inteiro. E aqui, hoje, nós também temos presente esta outra grande brasileira - que é a Maria Fernanda - à frente da Caixa Econômica Federal.

Muitos países gostariam de possuir uma autoridade como a Marina para falar de meio ambiente. Eu penso que é importante como ela fala - e fala muito bem -: "o desenvolvimento que não observa a questão ambiental não pode ser considerado desenvolvimento." E hoje isso está presente nas preocupações do mundo inteiro. Agora, por exemplo, nós estamos vendo esse trabalho grande, que também tem sido desenvolvido no Brasil, que é o biocombustível.

É claro que há razões econômicas muito fortes, como o preço do petróleo, mas a principal razão pela qual o mundo inteiro está ligado a essa questão é o meio ambiente.

Então, nós estamos hoje num dia em que comemoramos o Dia do Meio Ambiente.

Quero cumprimentar a Ministra Marina, a Maria Fernanda Ramos Coelho, os senhores chefes de missões diplomáticas aqui presentes, os senhores parlamentares, as servidoras e os servidores dos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação, as senhoras e os senhores representantes de organizações não-governamentais.

Minhas senhoras e meus senhores,

Creio que o Brasil tem motivos para encarar com otimismo este Dia Mundial do Meio Ambiente. E não se trata de uma afirmação protocolar. Poucas nações no mundo reúnem o potencial brasileiro para enfrentar esse que é um dos maiores desafios do nosso tempo: reconciliar o desenvolvimento com o equilíbrio ambiental.

Durante a maior parte do século passado, o mundo pareceu caminhar deliberadamente rumo ao fim. O crescimento desordenado, que sempre excluiu de seus benefícios a maior parte da população mundial, também exauria de forma irresponsável os recursos naturais, condenando à fome uma população cada vez mais numerosa. Era a lei do aqui e do agora, que não pensava nas novas gerações, que não levava em conta o futuro.

Como pai e avô, tenho a felicidade de constatar que o mundo decidiu dar uma segunda chance a si mesmo - antes que não houvesse mais tempo, ou seja, tempo hábil -, e a defesa do meio ambiente é hoje ponto prioritário na agenda do Planeta.

Como Vice-Presidente da República, tenho orgulho de integrar o Governo de um país que está na vanguarda desse novo tempo. O Brasil tem muito a ensinar ao mundo, quando se trata de conciliar crescimento econômico, combate à fome e preservação ambiental. O Brasil cresce distribuindo renda, construindo um país menos desigual. Cresce preservando de forma corajosa seu meio ambiente. Cresce inventando alternativas energéticas, apostando nos biocombustíveis, contribuindo para a redução da emissão de gases e do aquecimento global.

Ao iniciar seu primeiro mandato, em janeiro de 2003, o Presidente Lula encontrou um quadro desolador. Entre 2000 e 2001, a área desmatada na Amazônia brasileira chegou a 18.165 km2. Em 2002, outros 23.143 km2 de floresta viraram cinzas, poeira, deserto. Para reverter a espiral predatória, aprovamos em 2004 o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia. Nos dois últimos anos, conseguimos reduzir a devastação da principal floresta do mundo em nada menos de 52%. Em apenas quatro anos, evitamos a derrubada de 1 bilhão de árvores, a morte de 40 milhões de aves e de 1 milhão de primatas. Mais de 430 milhões de toneladas de dióxido de carbono deixaram de ser lançadas na atmosfera, contribuindo para um planeta mais saudável. Esse resultado extraordinário deveu-se a uma nova forma de trabalho: a integração de esforços entre os diversos órgãos do Governo federal, por meio do Grupo Permanente de Trabalho Interministerial para a Redução dos Índices de Desmatamento da Amazônia. Este trabalho interministerial conta com 13 ministérios.

Muito já foi feito, mas nosso débito para com o meio ambiente é imenso. É preciso fazer muito mais. O Poder Público federal deve estar atento às novas necessidades e buscar atendê-las de forma dinâmica. Nesse sentido é que estamos reestruturando o setor ambiental federal. Além de mudanças no Ministério do Meio Ambiente, com a criação de novas secretarias, também criamos o Instituto Chico Mendes, que visa aprimorar a gestão das unidades de conservação. Imaginem que eu tive a sorte de, num outro período de interinidade, assinar essa criação do Instituto Chico Mendes.

Então, isso me orgulha muito. É claro que o Lula gostaria de assiná-la, mas não gostaria mais do que eu, não, gostaria igual. No nosso Governo, 52 unidades de conservação federais foram criadas e 7, ampliadas, totalizando 19 milhões e 500 mil hectares protegidos. Isso representa cerca de 30% de todas as unidades de conservação federais criadas ao longo da história do Brasil.

Outra conquista relevante desses quatro anos foi a aprovação da Lei da Mata Atlântica, pelo Congresso Nacional, após 14 anos de sua propositura. A Lei cria um regime jurídico para esse bioma tão importante e tão ameaçado.

Senhoras e senhores,

Não há registro de semelhante desempenho ambiental na história, conjugado a um processo de crescimento com justiça social, como tem ocorrido no Brasil. O futuro depende do que estamos fazendo aqui e agora com os nossos recursos naturais. O Brasil é um exemplo para países que ainda insistem em crescer a qualquer custo, sem se importar com a qualidade de vida de seu próprio povo, muito menos com a saúde do Planeta. Estamos fazendo a nossa parte. Vivemos uma conquista histórica, que permite ao Brasil figurar como uma das vozes mais ouvidas e respeitadas no concerto das nações. Falo da transição da matriz energética mundial, uma das principais transformações que vão marcar a economia e a geopolítica do Planeta nas próximas décadas. No entender do nosso Governo, não se trata apenas de planejar uma resposta ao virtual esgotamento do ciclo do petróleo. Esta, por si só, já seria uma razão suficientemente forte e impositiva para o empenho de todas as forças e energias de uma sociedade.

Porém, é mais do que isso. Para o Brasil, essa é também a oportunidade de alargar o horizonte do nosso desenvolvimento para extrair desse desafio não apenas uma nova fonte de abastecimento, mas sobretudo, uma sociedade justa e uma nova era de reconciliação entre o econômico, o social e o ambiental.

Pela primeira vez na história, o Brasil está em condições de liderar uma mudança de padrão tecnológico. Mas não apenas isso. Além da vantagem técnica, temos hoje um Governo fortemente comprometido com a causa do desenvolvimento sustentável. Podemos fazer da agroenergia o pilar de um novo tempo que reconcilie as demandas não atendidas no passado com as potencialidades imensas do futuro.

Tenho a convicção de que estamos diante de uma poderosa alavanca para um futuro sustentável, capaz de manter acesa a luz da civilização sem agredir mais o clima da Terra nem acumular ameaças ao nosso futuro comum. Esse é o horizonte do futuro que nos leva a saudar com otimismo este Dia Mundial do Meio Ambiente.

Para encerrar, quero parabenizar aquela que - ao lado do Presidente Lula - tem sido a mais valente e sensata porta-voz deste novo tempo: a Ministra Marina Silva.

Muito obrigado.

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