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Portal do Governo Brasileiro
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Excelentíssima senhora Henriette Reker, Prefeita da Cidade de Colônia;
Excelentíssimo senhor Stephan Holthoff-Pförtner, Ministro do Reno do Norte-Vestfália;
Excelentíssimo senhor Oliver Wittke, Secretário de Estado do Ministério Federal para Assuntos Econômicos e de Energia da Alemanha;
Excelentíssima senhora Yana Dumaresq Sobral Alves, Secretária-Executiva do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil;
Excelentíssimo senhor Dieter Kempf, Presidente da Federação das Indústrias da Alemanha;
Excelentíssimo senhor Paulo Tigre, Vice-Presidente da Confederação Nacional das Indústrias do Brasil;
Meus colegas Mário Vilalva, embaixador do Brasil em Berlim, e embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Apex-Brasil,

Senhores e senhoras;

Guten Morgen! Bom dia a todos!

Em primeiro lugar, quero agradecer a Cidade de Colônia. Saúdo a escolha da cidade para sediar a 36ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha.

É com muita satisfação que participo desta edição do Encontro. Trata-se de importante exercício de aproximação, que tem servido de instância de acompanhamento periódico do intercâmbio comercial e de investimentos entre nossos países.

Como todos aqui sabem, o Brasil está saindo de uma das maiores recessões econômicas de sua história. Depois de dois anos difíceis, o Brasil voltou a crescer em 2017 e essa expansão vem ganhando força: vamos crescer neste ano mais do que em 2017 e algo em torno a 3% em 2019.

Sempre haverá dificuldades e desafios a vencer, mas a recuperação da vitalidade da economia brasileira renova a nossa confiança.

O crescimento e a melhora do ambiente macroeconômico que vivenciamos refletem também as reformas econômicas em curso, que vêm assegurando a estabilidade de preços, a solidez de longo prazo de nossa economia e promovendo a competividade do país.

Nesse contexto, o Brasil terá eleições gerais, inclusive presidenciais, em outubro próximo. Estamos seguros de que, quem quer que venha a vencer, os alicerces institucionais, políticos e econômicos do Brasil continuarão a fortalecer-se. Os avanços institucionais por que passou o país nas últimas décadas são importantes garantias para o progresso e para as relações políticas e econômicas, em especial com grandes parceiros como a Alemanha.

Senhoras e senhores,

Estou certo de que a ampliação permanente do relacionamento econômico entre Brasil e Alemanha é nosso interesse comum.
O Brasil deseja continuar a atrair novos investimentos alemães, em particular neste quadro de retomada do crescimento. A solidez de nossos indicadores macroeconômicos e de nossas instituições democráticas, de nosso Estado de Direito, permitiu-nos superar a crise, e abre espaço para que se reforce ainda mais a confiança dos investidores externos. Estamos satisfeitos em saber que o setor privado alemão tem percebido esse progresso, como demonstram recentes anúncios de possíveis novos investimentos nos setores automobilístico, de petróleo e gás e de tecnologia no Brasil.

A modernização da infraestrutura também é parte essencial do desenvolvimento brasileiro e uma grande oportunidade para investidores estrangeiros. Entre as principais iniciativas em curso, destaco o lançamento, há dois anos, do Programa de Parcerias de Investimentos, o chamado “Avançar Parcerias”.

Desde maio de 2016, buscamos investimentos em iniciativas de alta prioridade para o nosso país, direcionadas a setores fundamentais, como portos, aeroportos, geração e transmissão de energia, produção de energias renováveis, construção e modernização de rodovias e ferrovias, apenas para citar alguns exemplos.

Setenta e dois projetos já foram entregues com previsão de gerar mais de R$ 143 bilhões de investimentos nos próximos anos, com o importante aporte de recursos e expertise de diversos grupos empresariais estrangeiros. Ainda temos 103 empreendimentos a serem licitados e estamos seguros de que os resultados continuarão a ser animadores.

Meine Damen und Herren,

Die Weltwirtschaft läuft relativ gut. Nicht so sehr, jedoch, die weltpolitische Lage.

A economia mundial vai relativamente bem; o mundo, nem tanto.

A economia mundial vai relativamente bem, ao menos por ora, se observarmos os dados de crescimento do PIB global. A política internacional, ao contrário, vive período de múltiplas tensões, de preocupantes incertezas.

Depois de décadas ao longo das quais nos acostumamos com a noção de que a história caminha sempre para adiante, presenciamos agora tendências com claros elementos de retrocesso. Assistimos a posturas e manifestações que a imensa maioria de nós jamais imaginou, sinceramente, que o mundo fosse rever.

E como temos presenciado nos últimos meses, parece pouco provável que a economia global — e em maior ou menor grau, também as economias nacionais — deixem de ser adversamente afetadas por esses desdobramentos políticos, domésticos e internacionais.

Isso já começa a acontecer na esfera do comércio, como todos sabemos.

Esse não é um processo ao qual devamos ou possamos assistir passivamente. Ao contrário, a todos os membros da comunidade internacional, a todos os atores públicos e privados cabem papeis relevantes.

Brasil e Alemanha, apesar das diferenças de estágio de desenvolvimento que nos distinguem, somos duas das dez maiores economias do mundo. Somos duas das maiores democracias do mundo. E somos dois atores cujas vozes e posições — além, sobretudo, de nossas ações — se fazem ver, ouvir e sentir no contexto regional e mundial.

É o caso, por exemplo, de nosso compromisso com o Direito Internacional, com o multilateralismo, com as regras e decisões das Nações Unidas e da Organização Mundial do Comércio.

Não interessa ao Brasil — e não interessa à Alemanha — um mundo sem regras, sem estabilidade, sem segurança, sem previsibilidade.

É evidente que não podemos ser insensíveis à desesperança daqueles que a chamada globalização deixou de contemplar, ou mesmo deixou pelo caminho.

Não podemos ser insensíveis à exasperação de pessoas que, legitimamente, cobram decisões e mudanças que nossos sistemas políticos muitas vezes parecem tardar em produzir; até mesmo por conta de suas virtudes e cuidados democráticos.

Mas a resposta à desesperança, às frustrações e às demandas legítimas dos cidadãos certamente não se encontra no abandono dos grandes pilares do convívio internacional que se foram construindo, com esforço e ousadia, desde o fim da extraordinária tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial.

A propósito, aqui na Alemanha, em Colônia, me ocorre homenagear também a grande obra político-diplomática que é a União Europeia, que veio culminar a reconstrução deste continente — deste velho porém novo continente — onde nasceram as duas Grandes Guerras Mundiais do século passado, e ao qual elas trouxeram maior destruição.

E se a integração europeia foi e é uma resposta a esse passado de violência e sofrimento, ela deve continuar a ser também, agora e no futuro, uma força que ajude a manter a própria Europa e o concerto das nações no bom caminho da liberdade, dos valores democráticos e da livre iniciativa.

A criação do Mercosul, como sabemos, inspirou-se em grande medida no exemplo do processo europeu.

Lá como aqui, inicialmente centrado na superação de rivalidades anacrônicas, que dificultavam o bom convívio entre irmãos vizinhos e cerceavam o desenvolvimento comum, o processo de integração encontrou na ampliação exponencial do relacionamento na esfera econômico-comercial uma fonte ímpar de legitimação perante as nossas sociedades. No caso do Mercosul, a integração contribuiu decisivamente, ainda, para ancorar o retorno à democracia de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai

Como ocorreu também aqui na Europa, o Mercosul foi e é uma construção político-diplomática notável, que teve de enfrentar obstáculos de desconfiança e ceticismo, mas do qual temos hoje justificados motivos de orgulho.

O Mercosul ao longo de muitos anos voltou seu ímpeto de integração para os seus próprios Membros e para a América do Sul.

Hoje existe plena compreensão nos setores público e privado quanto ao imperativo de uma integração profunda e eficaz à economia global. É por isso que também já iniciamos negociações para acordos de livre comércio com o Canadá, com a EFTA, com a Coreia e, muito em breve com Singapura.

Mas é chegada a hora — é mais do que chegada a hora — de o Mercosul e a União Europeia trabalharem juntos, em um novo patamar, atravessando um Oceano Atlântico que nunca nos separou; como se pode confirmar nos nomes e histórias de brasileiros e alemães que se encontram aqui na manhã de hoje.

O presente cobra e o futuro exige que tenhamos a clareza e a vontade política de pensar grande. Não parece razoável que detalhes menores ou maximalismos táticos nos impeçam de fazer o que todos sabemos deve ser feito.

A conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia, que já deveria ter vindo à luz há vários anos, nunca esteve tão próxima. Pode ser questão de semanas, se todos os atores envolvidos reconhecerem, de verdade, o alcance e o significado do que está em jogo.

O alcance como passo de maior acercamento e articulação entre nossas economias. E o significado, para nós e para o mundo, de darmos este passo justamente agora, neste momento da vida internacional.

O Mercosul – o Brasil e nossos sócios – temos demonstrado na prática a nossa vontade de alcançar a conclusão do acordo. E temos também demonstrado compreensão política das sensibilidades do lado europeu.

Confiamos em que também a União Europeia será capaz de mobilizar a necessária determinação, bem como o indispensável elemento de compreensão política, agora que podemos estar na reta final das negociações.

Trata-se, para ambos os lados, de saber estar à altura dos desafios da história; desafios presentes e desafios futuros.

Se perdermos esta oportunidade e novamente deixarmos o Acordo para depois, com certeza o faremos sem saber quando será esse depois.

Senhoras e senhores,

É sob essa perspectiva de um Acordo Mercosul-UE talvez próximo, desse desafio histórico tão potencialmente transformador da parceria entre Brasil e Alemanha, de nossa longa e rica história de trabalho conjunto, que se dará este 36o Encontro Econômico Brasil-Alemanha.

Bom trabalho a todos nós.

Danke vielmals. Muito obrigado.

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