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Senhor Ministro de Estado,

Senhor Ministro da Cultura, Marcelo Calero,

Senhores Embaixadores e Chefes de Missões Diplomáticas,

Embaixador Mauro Vieira,

Embaixador Ronaldo Sardenberg,

Embaixadores Paulo Tarso Flecha de Lima e Ruy Nogueira, meus antecessores na Secretaria-Geral,

Embaixador Sérgio Danese,

Estimados colegas do Itamaraty, de todas as carreiras e categorias, a quem cumprimento na pessoa dos Subsecretários-Gerais,

Minha mãe Sônia, minha mulher Ana Maria, meus filhos Luísa e Pedro,

Familiares e amigos queridos que vieram de Natal, meu primo Roberto, e de outros lugares para me acompanhar nesta ocasião tão importante para mim,

Caros Amigos e Amigas,

 

Meu primeiro pensamento volta-se para meu pai, Fernando Abbott Galvão, embaixador, primeiro diplomata de uma família de dentistas e profissionais liberais potiguares, do lado paterno; médicos-políticos gaúchos por parte de mãe.

Com meu pai aprendi a ter orgulho do serviço público. Com ele aprendi o rigor absoluto -- quem já trabalhou comigo sabe disso -- o rigor quase obsessivo pela separação entre o público e o privado, sobretudo, mas não apenas, na gestão de recursos e bens governamentais.

Tenho muita pena de que ele, meu pai, não esteja aqui nesta tarde. Que minha mãe Sônia, meus irmãos Dora e Luís -- Luís ausente em missão no exterior -- sejam testemunhas de minhas saudades.

Meu segundo pensamento vai para colegas mais antigos com quem tive a felicidade de servir, de aprender e, apesar da distância que a profissão nos impõe, de conviver de modo permanente ao longo dos anos, muitos e muitos anos. Entre eles, por ordem cronológica, Rubens Ricupero, nosso professor e primeiro chefe, amigo e conselheiro há mais de trinta e cinco anos, Gelson

Fonseca, Sergio Amaral e Rubens Barbosa. Tive ainda o privilégio de servir sob outros chefes ilustres no Itamaraty: João Clemente Baena Soares, Dário Castro Alves, Orlando Carbonar,

Roberto Abdenur e, no Ministério da Fazenda, com Guido Mantega, que me confiou atuar na frente econômico-financeira de nossa política externa.

Presto uma homenagem sentida à memória de Luiz Felipe Lampreia, em cujo gabinete Sérgio e eu nos sucedemos – nisso, aliás, nessas sucessões, parece haver mais elementos do destino que nos une.

Senhor Ministro de Estado, caros colegas,

Embora filho de diplomata, não entrei no Itamaraty porque quisesse especificamente ser diplomata. Antes eu queria ser médico. Mas em 1975-76, acompanhando meus pais no turbilhão político que vivia Portugal após a queda da ditadura salazarista, me mobilizava diante daquele caldeirão de embates ideológicos e mudanças tectônicas que não se viam no Brasil. Foi nesse momento que decidi fazer as provas para o Instituto Rio Branco.

Entrei no Itamaraty, Ministro, naquela altura, porque queria participar de qualquer forma da vida pública do Brasil; servir ao meu país – e este foi o caminho que escolhi.

Com o passar do tempo, pude confirmar o acerto de minha opção de adolescente. Pude confirmar por experiência pessoal direta que, ao ingressar no Itamaraty, passei a fazer parte de uma instituição que se dedica, única e exclusivamente, com rigor e devoção, à defesa dos interesses nacionais, à causa do nosso desenvolvimento.

 

Senhor Ministro de Estado,

Assumo agora o imenso desafio, que encaro com humildade e sentido de dever, de coordenar o corpo de funcionários do Itamaraty em nossa missão conjunta de assessorá-lo na implementação das orientações de política externa enunciadas em seu discurso de posse.

O Ministério estará à altura deste novo desafio. Com certeza não somos perfeitos, Ministro, longe disso. Com certeza há muito que pode e deve ser revisto, pode e deve ser corrigido, aperfeiçoado. No Itamaraty não falta e não deve jamais faltar autocrítica, pois ela é a vacina contra a autocomplacência e postura indispensável para a identificação do que devemos fazer, do que devemos mudar para sermos melhores e mais fortes.

O Sérgio se referiu ao importante trabalho de ajuste de rumos diplomáticos e atualização de práticas que já vinha sendo feito nos últimos tempos. Vossa Excelência, Ministro, já nos deu suas diretrizes e, neste momento, eu assumo o compromisso de cumpri-las, com a colaboração de todos, inclusive dando continuidade ao muito que se fez e se preparou na gestão liderada pelo Ministro Mauro Vieira e por Sérgio Danese.

O piloto automático já estava desligado, até porque o Sérgio, talvez muitos não saibam, tem brevê para pilotar aviões.

O voo continuará a ser manual. Os antecedentes são valiosos, são um dos maiores patrimônios do Itamaraty, mas não bastam. Com serenidade, sem sobressaltos, de acordo com sua orientação, vamos continuar a checar todos os instrumentos, um por um, seja no dia a dia das decisões diplomáticas, das tomadas de posição do Brasil, seja na gestão do Ministério. Nada será repetido apenas porque sempre foi assim. Onde houver necessidade de fazer ajustes e atualizações, serão feitos.

Essas são as suas instruções. O Serviço Exterior Brasileiro -sempre exercendo seu dever de avaliar, ponderar, propor e questionar - orgulha-se de sua disciplina, de sua lealdade. Aqui nós temos orgulho de dizer e escrever: cumpri instruções.

Vossa Excelência já se moveu para começar a corrigir a gravíssima situação do Ministério no que se refere aos meios de que dispomos. Tão logo isso vá gradualmente acontecendo, poderemos liberar energias hoje desviadas para apagar incêndios, por assim dizer, e, com os mínimos recursos necessários, nos dedicar, ainda mais e melhor, ao que devemos e sabemos fazer.

No que se refere à chamada política de pessoal, à organização e funcionamento de nossas carreiras, conheço de perto, Vossa Excelência já conhece, os temas de preocupação legítima dos integrantes do Serviço Exterior e das demais categorias que integram nosso Ministério. A mesma sensibilidade e dedicação a essa frente que é consensualmente reconhecida no Secretário-

Geral que nos deixa, um dos mais queridos da história do Itamaraty, essa mesma dedicação e sensibilidade Vossa Excelência terá, as senhoras e os senhores terão, do Secretário-Geral que a ele sucede.

 

Querido Sérgio,

É com emoção e sentido de responsabilidade que sucedo a Você, amigo fraterno, compadre, companheiro de toda a vida. Você, Sérgio, vai deixar saudades, muitas saudades, em todos aqui.

Para mim, como dizem os anglófonos, são sapatos que terei dificuldade para preencher.

A Você, à querida Angela, integrante competente e exemplar de nosso Serviço Exterior - com quem tive a satisfação de trabalhar no passado -, ao querido afilhado Marcos e ao Lucas, desejo toda felicidade e êxito.

Ser Embaixador em Buenos Aires é das missões mais elevadas, importantes e honrosas que um diplomata brasileiro pode receber. O Brasil tem uma longa e sábia tradição de só escalar craques para Buenos Aires. Neste caso, evidentemente, não para competir,-- isso deixamos para os campos de futebol --, mas para manter forte e cada vez mais fecundo o relacionamento com nosso vizinho maior, nosso parceiro maior, com a irmã República Argentina. Que a sorte o acompanhe, e à sua grande pequena família.

Também eu, ao chegar a Brasília, como Você ao partir, trago comigo a força indispensável do apoio de minha família: de minha mulher, Ana, amor e prumo de minha vida, de meus queridos filhos Luísa e Pedro. E a bênção de minha mãe, embora, a bem da verdade, ela não seja lá muito de bênçãos.

 

Senhor Ministro de Estado,

Finalmente, numa inversão da ordem pela qual me desculpo mas foi consciente, pois esta é a mensagem final: muito obrigado por me haver honrado com o convite para ser o seu Secretário-Geral.

Eu conheço, como todos aqui conhecem, a sua trajetória, sua condição inquestionável de uma das maiores personalidades da vida pública brasileira contemporânea.

Vivi o começo da juventude nos medíocres anos finais do período autoritário. Jamais imaginei que fôssemos ser a vigorosa democracia que somos hoje, por mais que, por meio dessa mesma democracia, ainda haja muito que corrigir, reformar e avançar.

Para mim, portanto, é motivo de especial realização servir ao Brasil sob a chefia de um homem com tantos e valiosos serviços prestados à Nação, reconhecidos ao longo de três décadas na forma de dezenas de milhões de votos de brasileiros, paulistas e paulistanos.

Como disse o Sérgio, a Secretaria-Geral é o posto mais alto a que pode aspirar um diplomata brasileiro. Tenho claríssima consciência, repito, da responsabilidade que assumo neste momento.

Como a de Vossa Excelência, também a minha vida é trabalho e dedicação permanente. Pela boa sorte que, reconheço, tenho tido na vida, sempre agradeci com mais esforço. Darei o melhor de mim para corresponder à sua confiança.

Tenho claríssima consciência, também, de que, para cumprirmos nossa missão, vamos precisar, vou precisar sempre do engajamento de todos os servidores do Itamaraty, no Brasil e no exterior, de todos os integrantes desta grande instituição à qual tanto me orgulho de pertencer.

Muito obrigado, Ministro. Obrigado a todos.


Discurso do embaixador Sérgio Danese por ocasião da cerimônia de transmissão do cargo de secretário-geral das Relações Exteriores – Brasília, 25 de maio de 2016

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