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Presidente: Olha, companheiros, vocês sabem que o momento não é fácil. Não é fácil o que aconteceu ao Haiti, pelo que aconteceu ao povo do Haiti, pelo que está acontecendo ainda, porque é muita gente soterrada ainda e não sabemos se tem vivos ou não; pela quantidade de gente que nós já sabemos que morreu, fora aqueles que nós ainda não sabemos; pelos 14 soldados brasileiros que morreram, e certamente os quatro que estão desaparecidos podem estar mortos também, porque... pelo representante do Brasil nas Nações Unidas. E toda essa gente que morreu está simbolizada na nossa querida Zilda Arns.

Eu penso que quem viveu no Brasil nessas duas décadas e meia e que lutou pela conquista da democracia, lutou pela conquista dos direitos humanos, lutou pela melhoria da qualidade de vida das pessoas, pelas crianças, pelos idosos, sabe que se a gente fechasse os olhos e fosse imaginar uma pessoa, nós iríamos ver o rosto da dona Zilda.

Então, acho que foi uma perda muito grande para o Brasil, uma perda para o mundo, de uma pessoa que dedicou sua vida a cuidar dos mais necessitados (incompreensível) solidariedade, e que morreu, eu diria, em um momento em que estava cumprindo uma das coisas mais sagradas que ela fazia, que era ajudar as pessoas pobres, não apenas no Brasil, mas em vários países do mundo, e aconteceu com ela, no Haiti.

Eu disse à família que nesse momento de dor todo mundo vai chorar, mas o que é importante que a gente tenha em mente é que as ideias que a dona Zilda pregou neste país durante tanto tempo, eu espero que tenham encarnado na mente, no coração e na alma de cada brasileiro e de cada brasileira e que, a partir do exemplo dela, todos nós sejamos mais solidários, sejamos mais humanistas, e olhemos com um pouco mais de carinho para o nosso próximo porque, às vezes, com um pequeno gesto, a gente pode ajudar muito. Então, eu não poderia deixar de vir aqui prestar a minha solidariedade à família, sabendo que a dona Zilda está lá de cima olhando e dizendo que valeu a pena tudo o que ela fez. Eu tenho certeza que, se perguntassem para ela "se você voltasse a viver, você faria tudo outra vez?", ela falaria: "Faria tudo outra vez, e voltaria inclusive ao Haiti outra vez". Porque ela era uma pessoa assim, e Deus queira que surjam outras pessoas assim no Brasil.
Um abraço.

Jornalista: Presidente...

Jornalista: Obrigado, hein.

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