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Presidente: Bem, companheiros da imprensa, companheiros presidentes. Primeiro, eu penso que hoje é um dia histórico para a nossa América Latina e para o Caribe. Certamente, quem estava acostumado às tradições das políticas internacionais dos nossos países pode até estranhar porque eu estou falando que é um dia histórico o dia de hoje. É porque todos os países aqui, há quase ou mais de 200 anos, todos conquistaram as suas independências. O Brasil fará 200 anos em 2022. E é a primeira vez, desde que nós conquistamos a independência, que conseguimos reunir todos os países da América Latina e do Caribe.

Qual é o significado disso? O significado disso é que todos nós, do menor país do nosso continente até o maior país, estamos compreendendo que quanto mais nos juntarmos, mais chance nós temos de ter uma participação nas decisões das políticas globais, de ter uma participação maior no bolo da riqueza produzida na economia global e, ao mesmo tempo, de termos mais chance para evitar que a crise nascida exatamente no seio dos países ricos atinja muito fortemente os países que não provocaram a crise, que não foram convocados para participar da suposta riqueza que criou a crise e que agora, certamente, esses países tendem a sofrer as conseqüências de uma crise da qual não participamos.

Eu posso dizer para vocês que eu já participei de muitas reuniões. Aqui, acho que só o Chávez participou de mais reuniões internacionais do que eu. E eu penso que foi uma reunião, do meu ponto de vista, extraordinária, pelo alto grau de consciência política, pelo alto nível que se deu na reunião. E eu acho que isso só vem a confirmar que a política está mudando, e está mudando muito mais rapidamente.

Não apenas a existência dos países emergentes, com economias sólidas e, às vezes, tão importantes quanto as dos países até então considerados ricos, mas, sobretudo, pela compreensão política de que essa crise pode ser uma grande oportunidade para nós fazermos aquilo que deveríamos ter feito há 30 ou 40 anos e não fizemos, porque todo mundo ficava esperando que um país rico desse uma chance a um país pobre. E nós agora estamos descobrindo que nós temos muito a contribuir, se soubermos tirar proveito da similaridade que existe entre nós.

Ditas essas palavras, eu não sei se os companheiros presidentes gostariam de dar uma mensagem ou abriríamos para a imprensa, porque me parece que a imprensa já almoçou fartamente e os pobres presidentes estão aqui com hambre, com muita fome, e nós gostaríamos de, terminando a coletiva, nós iríamos almoçar.

__________: Então vamos às perguntas. Primeiramente o jornalista…

Presidente: Por favor, ninguém tire o sapato. Aqui, como é muito calor, se alguém tirar o sapato a gente vai perceber antes de jogar, por causa do chulé.

__________: Passamos à próxima pergunta. Com a palavra o jornalista Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo. Por gentileza.

Jornalista Clóvis Rossi: A minha pergunta é para o presidente Lula. Eu queria saber se o senhor está de acordo com a proposta que o presidente Evo Morales fez (inaudível) nesta manhã de que o grupo de países aqui reunidos estabeleceu um prazo para que os Estados Unidos levantem o embargo a Cuba e, em caso contrário, retirem todos os seus embaixadores. O Brasil estaria preparado para retirar os seus embaixadores?

Presidente: O companheiro Evo Morales fez uma proposta de ação da América Latina e do Caribe, com relação a exigir o fim do bloqueio a Cuba. Veja, eu sou mais cuidadoso do que o Evo Morales. O Obama vai tomar posse dia 20 de janeiro, penso que todos nós aqui, que falamos com o Obama, falamos apenas para cumprimentá-lo pela vitória. Não houve nenhum contato, feito por nenhum de nós aqui, talvez só o México que teve mais acesso ao Obama até agora.

Portanto, eu acho que nós temos que esperar o Presidente dos Estados Unidos tomar posse. Nós temos que esperar para ver qual é a sua proposta de política para a América Latina, qual é a política de tratamento que ele vai dar, com relação a Cuba, qual é a política que vai dar com relação ao Oriente Médio. Porque é esse comportamento do Presidente dos Estados Unidos que vai mostrar se houve ou não mudança na política internacional norte-americana.

Depois, nós vamos saber o que vai acontecer com o muro do México, o muro para evitar que mexicanos pobres vão para os Estados Unidos, porque as pessoas olhavam muito o muro de Berlim, olhavam muito o muro de não sei onde, agora, os muros que são construídos nas nossas casas a gente não percebe.

Então, eu penso que nós temos que esperar, primeiro, o Obama tomar posse, ver quais são os sinais que ele vai dar, com relação à sua política, e depois eu penso que, quem sabe, um dia, a gente possa, depois do Obama visitar a Venezuela, ou o Chávez visitar o Obama, a gente possa convidar o Obama para um encontro da América Latina e Caribe para discutir política internacional com ele.

Eu acredito… Eu sou esperançoso de que mude. Eu sou esperançoso, porque não é possível que os Estados Unidos não se dêem conta de que a América Latina, nos anos 70, aonde milhares de jovens imaginavam chegar ao poder pela luta armada, num ano em que nós tínhamos a bipolaridade, tínhamos a guerra fria. Será possível que ele não percebeu que tudo isso acabou? Que, na América Latina, todos aqueles que pensavam em chegar pela luta armada, com exceção das Farc, chegaram ao poder.

E eu sinto orgulho de ter participado disso porque criamos, em 1990, o Fórum de São Paulo, que era um processo de unificação da esquerda latino-americana. E hoje eu vejo muitos companheiros que participaram do Fórum de São Paulo no governo, em seus países.

De forma que eu acho que nós temos que ter apenas a prudência e a diplomacia política de dar tempo a que o Obama tome posse e que faça a sua política, para que a gente possa aprová-la ou questioná-la.

Eu confesso, Clóvis Rossi, que eu não consigo entender a permanência do bloqueio a Cuba, por nenhum… A não ser por birra, ou seja, eu não quero porque eu não quero e acabou. Mas não existe nenhum sentido. Então, eu espero que isso aconteça.

Da mesma forma que eu acho que a paz em Israel vai acontecer quando tiver outros interlocutores discutindo a paz em Israel. Ou seja, se os Estados Unidos forem uma das razões do confronto no Oriente Médio, ele não pode ser o único interlocutor para resolver o problema do Oriente Médio, é preciso que tenha outras representações de outros países, que os grupos diferentes, dentro de cada país, seja de Israel ou da Palestina, estejam representados na mesa de negociação, senão você não encontra acordo.

Agora, eu acho que… eu sou muito esperançoso que haverá uma mudança para melhor da política americana para a América Latina e Caribe.

Já são 3h20. Para quem veio de Brasília já são 4h20. Eu queria fazer o seguinte: o companheiro que for fazer pergunta, faça a pergunta dirigida a um presidente e aquele presidente responde. Se outro tiver interesse, pode fazer um comentário à pergunta, ou se tiver divergência. Senão nós não saímos daqui, ainda faltam três perguntas.

Eu não vou nem pedir para vocês abrirem mão de fazer perguntas. A não ser que tenha uma novidade estupenda. Se não tiver novidade, poderíamos todos nos abraçar aqui, nos beijar e irmos comer. Porque depois cada um de vocês vai conversar com o presidente do país de vocês.

A minha sugestão, companheiro, com toda a diplomacia, é a seguinte: tem alguma pergunta que é a novidade da novidade, que ninguém fez ainda? Aquela mais inteligente, que já não foi feita ainda? Se não tiver, companheiros, vamos almoçar, é um pedido que eu peço para vocês.

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