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Presidente: ...um processo de construção democrática muito novo. Nós estamos vivendo hoje o maior período de democracia contínua no Brasil. Em mais de um século, esse período de 20 anos é o mais longo período de democracia contínua no País. Então eu acho que nós estamos em um processo de construção, de fortalecimento das instituições no Brasil. Isso não impede que daqui a algum tempo apareça um partido político ou um conjunto de deputados que proponha mudar a lei que proíbe ter apenas uma reeleição, que pode ter três, quatro reeleições. Tudo pode acontecer. Na hora em que você tiver instituições consolidadas, tiver liberdade política e o povo quiser, isso vai acontecer.

Eu tenho sido criticado no Brasil, muitas vezes, por defender o processo aqui na Venezuela, porque eu sei a quantas eleições você já se submeteu, a quantos referendos, a quantas votações, e eu acho que isso é o exercício da democracia. No dia em que o povo não quiser mais, ele não vai votar em você, vai votar em outro, e vai ser a mesma Constituição que vai permitir que possa ter mais de um mandato, mais de dois mandatos, mais de três mandatos. O que eu acho é que nós precisamos ter consciência de que o processo democrático de cada país é construído a partir do grau de consciência política e da evolução cultural de cada povo. Da minha parte, eu tenho toda a compreensão de que o povo venezuelano queira aprovar o referendo. Agora, o Chávez me disse hoje uma coisa interessante: "Estou propondo o referendo. A maioria do povo foi para as ruas pedir o referendo. Se chegar no dia do referendo e o povo disser não, é não". E ele vai cumprir o seu mandato e acabou.

Jornalista: Ele já disse uma vez.

Presidente: Pode dizer a segunda vez, pode dizer a terceira vez. Eu acho que nós temos que ver direitinho, porque não pode fazer comparação entre o Brasil e a Venezuela, a Bolívia e o Brasil, porque cada país tem que viver o seu processo. Eu acho que no caso do Brasil, nós temos uma cultura política diferente da cultura política da Venezuela, diferente da cultura política da Bolívia, e eu aprendi a respeitar essa diversidade cultural na política. O que importa para mim é que o sistema de disputa seja democrático. Se o sistema de disputa for democrático e as pessoas tiverem chance... Eu vi na televisão hoje de manhã a disputa do referendo, e eu vi muita gente fazendo propaganda pelo "sim" e muita gente fazendo propaganda pelo "não", passeata pelo "sim" e passeata pelo "não". Eu acho que isso é um processo democrático e que vai se aperfeiçoando com o passar do tempo.

Jornalista: E a sua posição pessoal...

Presidente: A minha posição pessoal já é dita: eu não quero reeleição. O Brasil tem muito pouco tempo de experiência democrática consolidada. Obviamente que eu vou trabalhar para fazer o meu sucessor, para ter continuidade no programa que nós estamos fazendo.

Aqui na Venezuela, embora eu não tenha o hábito de dar palpite na política internacional, desde que o Chávez tomou posse... é importante que... a primeira vez que eu conversei com o Chávez como presidente [eleito] foi a pedido do Fernando Henrique Cardoso, porque o Chávez estava precisando de um barril de gasolina. (incompreensível) o Fernando Henrique Cardoso e eu já tinha sido eleito, o Fernando Henrique Cardoso me telefonou para saber se deveria ou não mandar gasolina para o Chávez. Eu mandei a gasolina... Falei para o Fernando Henrique Cardoso: manda a gasolina para o Chávez. Eu me lembro que na época o Sindicato dos Petroleiros aqui me acusou de estar ajudando o Chávez. Então, desde esse período eu tenho dito para o Chávez: a Venezuela já é rica em petróleo. Agora, nenhum país que é rico em petróleo pode ficar só no petróleo. É preciso industrializar, é preciso ter uma agricultura forte. E o que eu estou vendo aqui, (inaudível), sinceramente, é um sonho que eu tenho para a Venezuela e para outros países da América Latina. A segurança alimentar é condição básica para a soberania de uma nação. A política industrial é condição básica para o avanço tecnológico de um país. E essas coisas o Chávez está fazendo com maestria, em parceria com o Brasil, e eu penso que é justo que o povo seja convocado a dizer se quer ou não quer. Dia quanto de fevereiro?

______________: 15.

Presidente: No dia 15 de fevereiro o povo vai para as ruas dizer "eu quero" ou "não quero". Jornalista: (incompreensível) Presidente: E o Chávez é novo ainda. Se ele fosse (incompreensível). Eu já estou velho (incompreensível).

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