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Presidente: Bom dia. Calma. Deixe-me respirar.

Jornalista: É muito tempo de espera, Presidente.

Jornalista: O senhor teve um encontro com o Presidente do Paraguai agora há pouco... (inaudível)

Presidente: Nós estamos com uma comissão de alto nível discutindo com o Paraguai. É uma reunião em que participa o Ministro da Fazenda, participa o Ministro de Minas e Energia e participa o Ministério das Relações Exteriores dos dois países.

Nós temos vários assuntos a tratar com o Paraguai, Itaipu é um deles. E eu penso que nós vamos trabalhar intensamente para ver se em abril, quando o Presidente Lugo visitar o Brasil, numa visita de chefe de Estado, a gente tenha já resolvido algumas questões, se não todas, pelo menos parte delas. Esses acordos internacionais normalmente são difíceis, exigem tempo, exigem quebra-cabeça, exigem vontade política, exigem uma série de coisas. Quando tudo está pronto, muitas vezes nós dependemos do Congresso Nacional dos nossos países, o que leva mais um tempo.

Mas eu estou esperançoso de que a gente possa chegar a bom termo com o Paraguai, porque o Brasil, como maior economia da América do Sul, tem responsabilidade em ajudar os países de menores portes. E nós vamos fazer um esforço para fazer com que a América Latina e a América do Sul continue uma região de paz, uma região de democracia e uma região de desenvolvimento. É esse o meu interesse, e eu penso que nós vamos conquistar esse interesse.

Jornalista: Uma pergunta sobre o Cesare Battisti... (inaudível)

Presidente: Primeiro é importante dizer que a relação Itália-Brasil é inabalável. Nós temos uma relação de mais de um século. Nós temos, no Brasil, aproximadamente 30 milhões de pessoas que são descendentes de italianos. Portanto, não é um problema que vai abalar uma relação, eu diria, quase que inquebrantável, como têm Brasil e Itália.

Acho que o primeiro-ministro Berlusconi definiu bem, na nota que ele publicou hoje, ou seja, há uma decisão do governo brasileiro, tomada pelo Ministro da Justiça, a quem era de direito tomar a decisão - e é importante que as pessoas respeitem as decisões soberanas de cada país. E a Itália tem o direito de recorrer ao Poder Judiciário, que é o direito da Itália. Na hora em que a Justiça tomar a decisão, seja qual for ela, nós não discutimos mais e respeitamos a decisão.

O que é importante as pessoas compreenderem é que a relação entre dois países, histórica, como Itália e Brasil, não será arranhada por causa de uma decisão brasileira que alguém da Itália não gostou, ou uma decisão da Itália que alguém do Brasil não gostou. A relação entre Estados é muito mais importante, é muito mais forte e, sobretudo, a relação de irmandade, a relação cultural e a relação política que têm Brasil e Itália.

Eu penso que o governo italiano vai entrar com o recurso que lhe é de direito, e vamos aguardar a Justiça.

Jornalista: Presidente, o senhor prepara uma nova lei de Comunicações?

Presidente: Não, não. O que nós vamos fazer agora é uma grande conferência sobre comunicação no Brasil e nós temos um projeto de lei chamado PL 29, que é um projeto que regula um pouco a questão de comunicação no Brasil. Nós estamos trabalhando de acordo com... todos os setores de comunicação trabalhando para que a gente possa permitir uma flexibilidade maior aos produtores brasileiros. Eu acho que essa lei tem quase que consenso na Câmara, ela tem muita discussão com as pessoas do meio de comunicação no Brasil e eu acho que agora falta entrar em votação, quero que este ano vote.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Veja, primeiro que eu não desisti de ir a Davos, eu não marquei que ia a Davos. Eu fui a Davos quando eu achei que era interessante ir a Davos e vou ao Fórum Social quando eu acho que é interessante ir ao Fórum Social. Eu participei do primeiro Fórum Social e depois eu não participei dos dois fóruns que foram realizados fora do Brasil.

Obviamente que um encontro como este, representativo, de boa qualidade, acho que o Presidente da República não poderia deixar de participar em hipótese alguma. Foi, para mim, extremamente gratificante a presença de quatro Presidentes da República da América do Sul, foi importante para o fórum, foi importante para o Brasil, foi importante para os Presidentes que vieram aqui.

Este Fórum, ele está surpreendendo pela qualidade, está surpreendendo pela participação da juventude e está surpreendendo pelos temas que as pessoas estão discutindo. De forma que eu acho que Belém, eu acho que Belém recupera o prestigio do Fórum Social Mundial.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não.

Jornalista: Então qual é a programação (incompreensível)

Presidente: Veja, primeiro seria humanamente impossível em um Fórum desta magnitude que alguém não criticasse o Brasil, não criticasse o meu governo. Entretanto, tem muita gente que fala da Amazônia sem conhecer a Amazônia. Tem muita gente que fala da Amazônia se esquecendo que a Amazônia é do Brasil e portanto é o Brasil que tem direito sobre ela. E tem muita gente que dá muito palpite na Amazônia sem saber que aqui moram quase 25 milhões de habitantes, que querem trabalhar, que querem ter acesso a bens materiais e que, portanto, não querem que a Amazônia seja um santuário da humanidade.

Nós temos um programa de desenvolvimento para a Amazônia, nós achamos que aqui pode se desenvolver, inclusive, projetos de indústrias madeireiras para a gente trabalhar com o manejo da floresta corretamente e, por isso, já fizemos o programa, e as pessoas que vêm visitar o Brasil precisam saber do seguinte: tomem conta do que é seu, que o Brasil toma conta do que é dele.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Veja, nós temos uma parceria estratégica com a França, está andando muito bem, muito rapidamente. A França vai nos ajudar a desenvolver a tecnologia do nosso submarino nuclear. A França está implantando no Brasil uma fábrica de produção de helicópteros, ou seja, o que é importante para nós é que a França está fazendo acordos com o Brasil com transferência de tecnologia. Isso para o Brasil é extremamente importante e eu acho que está andando muito, mas muito bem a parceria estratégica entre França e Brasil, já que este ano é o ano da França no Brasil e que nós pretendemos mostrar para os franceses o que é o Brasil, e os franceses mostrarem para nós o que é a França.

Jornalista: (incompreensível) Brasil e sobre a Guiana Francesa também. (incompreensível) Guiana Francesa.

Presidente: Veja, nós temos interesse de criar inclusive um centro de pesquisa de biodiversidade entre Brasil e França, porque a França é o único país europeu que tem um pedaço de terra na América do Sul, ou seja, a França é o único país europeu que tem o privilégio de ser ao mesmo tempo um país europeu e um país da América do Sul. E o que nós queremos é que a França invista mais na Guiana Francesa e, por isso, nós estamos nos propondo a construir a ponte, que demorou muito tempo, mas, se Deus quiser, Sarkozy e eu vamos inaugurá-la antes de 2010.

Jornalista: (inaudível) tem algum investimento previsto para a Amazônia, especificamente? O senhor disse que ia aumentar os investimentos no País.

Presidente: Tem muitos investimentos. Hoje não existe uma cidade brasileira e não existe um estado brasileiro que não tenha fortes investimentos do PAC. Ou seja, se você conversar com a governadora, conversar com o prefeito, você vai perceber que o governo brasileiro, em parceria com prefeitos e com governadores, está fazendo obras em todos os estados, nas regiões metropolitanas de todas as capitais. Se você analisar o que é a política de drenagem que estamos fazendo aqui, onde vai passar a orla, são US$ 125 milhões em investimentos, em parcerias.

Conversei com o prefeito agora mesmo, e vou conversar com a governadora, nós vamos fazer a linha de transmissão até Marajó. E vamos pegar o projeto que o prefeito vai nos entregar, para ver se a gente consegue colocar mais dinheiro para que a gente possa apressar tanto a orla quanto a política de drenagem que estamos fazendo. A última pergunta, gente. A mais inteligente de todas, agora.

Jornalista: O Brasil pode anistiar imigrantes ilegais que estão no País?

Presidente: O Brasil pode dar o direito de as pessoas continuarem no Brasil. Este país aqui é um país que tem lição a dar ao mundo sobre tratamento de imigrantes. Este país aqui, desde 1850 - não vou nem falar dos portugueses, que chegaram em 1500 - mas desde 1850 a gente recebe imigrantes. Primeiro foram os alemães, depois foram os italianos, depois japoneses, depois espanhóis, depois chineses, coreanos, todos que chegaram aqui são tratados com respeito, diferentemente de alguns países europeus, de alguns países ricos, que acham que o problema do seu empobrecimento são os coitados dos imigrantes.

Eu acho que o que nós precisamos garantir é o desenvolvimento das regiões mais pobres, como forma de a gente evitar que os pobres do mundo se transformem em nômades, andando para os outros países. Se quisermos que as pessoas fiquem na África, ou na América Latina, nós temos que desenvolver a África e a América Latina. E o Brasil dará um tratamento respeitoso a todos que aqui chegarem.

Jornalista: Presidente, o resultado do encontro de ontem com os Presidentes. O senhor acredita realmente que a crise econômica mundial trará grande impacto para o Brasil?

Presidente: Essa crise econômica mundial vai depender do comportamento dos países ricos, como eles vão tratar da crise. Porque, como ela é oriunda dos países ricos, e ela está mais forte nos países ricos, que já entraram em recessão, e os países emergentes ainda não entraram em recessão, estão sofrendo uma retração, o que nós queremos é que a Europa e os Estados Unidos resolvam logo o problema da sua crise, para que a gente possa voltar a ver o mundo pobre crescer. Estava crescendo a África, estava crescendo a América Latina, e é importante que a gente cresça, porque ficamos 20 anos sem crescer.

Então eu penso que tão preocupado quanto eu, ou mais preocupado do que eu está o Presidente Obama, que sabe o tamanho do problema que ele vai enfrentar, porque ele não tem apenas a crise, ele tem o Iraque, ele tem o Oriente Médio, ele tem o Afeganistão, e tem a crise econômica, que é uma crise econômica muito forte.

Eu vi ontem que o Presidente Obama tomou uma decisão de que os investimentos novos terão que ter utilizado aço só da siderúrgica americana. Se isso é verdade, é um equívoco a gente entender que o protecionismo resolve o problema da crise. O protecionismo, neste momento, vai agravar a crise.

É importante que os países ricos não se esqueçam nunca que foram eles que inventaram essa tal de globalização, foram eles que inventaram essa história de que o comércio poderia fluir livremente pelo mundo, na época em que eles estavam crescendo e na época em que eles queriam vender. Não é justo que agora, que eles entraram em crise, eles esqueçam o discurso do livre comércio, eles esqueçam o discurso da globalização e passem a ser os protecionistas que eles nos acusavam de ser.

O que nós precisamos fazer, na verdade - e eu estou esperançoso que façamos isso no dia 2 de abril, em Londres - é que a gente, primeiro, tenha uma regulação do sistema financeiro. É preciso que a gente coíba o sistema financeiro de alavancar muito acima do seu patrimônio líquido. No Brasil, enquanto nós temos dez vezes, nos Estados Unidos chegou a 35 vezes.

Segundo, é preciso que a gente regulamente o mercado futuro. Se alguém quer comprar hoje o aço que vai ser produzido em 2012, esse alguém tem que depositar algum dinheiro vivo, que é para saber se ele está comprando mesmo ou se está apenas especulando. Eu penso que, com algumas medidas, nós vamos melhorar a situação dos países.

Essa crise agora, ela é diferente da crise asiática, porque na crise dos anos 90, os países foram obrigados a fazer ajustes fiscais. Os países ricos sabiam tudo e davam muito palpite sobre as nossas economias. Agora a crise é deles, e em vez de a gente fazer ajuste fiscal, nós temos que fazer investimentos: investimento em ferrovia, investimento em estrada, investimento em educação, investimento em saúde e em saneamento básico. Por isso que o Brasil decidiu fazer os investimentos.

Agora, o que é muito importante ainda nessa crise é que os países ricos não sabem o que fazer. Eles têm... Eu ainda não vi o FMI dar palpite sobre essa crise, eu não vi ainda o Banco Mundial dizer como tem que fazer. Quando a crise era do Brasil, todo mundo sabia como resolver. Agora que eles têm que resolver, é aquilo que a gente fala: "o calo no pé dos outros é mais fácil".

Então eu estou torcendo, tenho muita esperança que o Presidente Obama, que tem muito capital político, tome as atitudes de fazer o que tem que fazer para que a economia americana se recupere logo; que os europeus, que têm muita tradição, façam o que têm que fazer para a economia se recuperar e que, pelo amor de Deus, não permitam que os pobres paguem por uma crise que eles não criaram.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não teve... O Presidente não veta, o Presidente decide. Eu tenho uma tese e já disse várias vezes: eu não acho que o protecionismo vai resolver o problema da crise. Se cada país resolver colocar um muro em torno de si e achar que não precisa mais de nada, a crise vai piorar. O que eu acho é que nós temos que conversar mais, discutir mais, flexibilizar naquilo que é possível flexibilizar na nossa relação comercial, e a gente continuar comprando e continuar vendendo. Se a gente parar de comprar e vender, aí sim, o bicho pega.

Tchau, gente!

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