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Presidente: Vamos lá, gente. Perguntas e respostas, vamos lá. Um de cada um. Vamos lá. Tânia.

Jornalista: O senhor também ficou frustrado com o pacote que o Obama fechou?

Presidente: Eu não tenho o direito de ficar frustrado com o pacote do Obama. O que é importante que a gente tenha clareza é que são dois tipos de pacote: uma parte é para tentar salvar o sistema financeiro, outra parte é para tentar ativar o setor produtivo. Quem está reclamando é o setor financeiro, que parece que não está contente com a parte que cabe a ele.

Primeiro, dizer para vocês que eu sou muito solidário e tenho rezado mais pelo Obama do que por mim mesmo. Porque eu acho que os Estados Unidos têm uma situação gravíssima e acho que o Obama é a esperança de resolver esse problema. Por isso eu estou torcendo que cada medida que ele faça possa ajudar a minimizar, ou seja, se parar a crise já está de bom tamanho, porque somente parando é que pode retomar o crescimento. Então, eu estou convencido de que o Obama vai dar conta do recado. Ele está no poder há apenas 15 dias, 20 dias, a gente não pode também esperar que ele resolva um problema que vem sendo criado ao longo de algumas décadas.

Portanto, eu quero dizer para vocês que tenho muita esperança que o presidente Obama possa resolver os problemas dos Estados Unidos junto com o Congresso Nacional, junto com os empresários e junto com os trabalhadores.

Jornalista: A decisão do governo, Presidente, o governo estuda permitir FGTS para as pessoas que aceitaram redução de jornada com redução de salário?

Presidente: Veja, eu tenho muita dificuldade de trabalhar sobre hipóteses. Nós estamos conversando com os empresários, estamos conversando com os trabalhadores. Aqui no Brasil, tanto empresários quanto trabalhadores são especialistas em negociações. Nós já negociamos em outros momentos difíceis. Vocês estão lembrados que, em 92, nós criamos a câmara setorial na indústria automobilística, que foi um sucesso extraordinário. Agora eu acho que não é o momento de nenhum setor da sociedade brasileira se precipitar.

Vocês estão percebendo que no mês de janeiro os carros tiveram uma boa venda. Certamente, as pessoas ficaram precipitadas por causa do pânico. Nós sabemos que ainda não está resolvido o problema do crédito no Brasil. E é importante que vocês saibam: nós tivemos um problema no crédito, ou seja, nós tínhamos 30%, mais ou menos, do crédito brasileiro que era tomado em dólar, empresas como a Petrobras, como a Vale do Rio Doce, como a Gerdau, como a Votorantim. Na medida em que o dólar seca lá fora, esses 30% vieram para dentro do Brasil. Então, o que acontece? Você tem mais tomador, os mesmos emprestadores e o que acontece? Eles ficaram mais seletivos e mais caros. Nós estamos tomando providências, e eu estou certo de que na hora que nós conseguirmos normalizar o crédito no Brasil a gente vai ter todos os setores que estavam produzindo voltando a produzir bem.

É lógico que eu tenho clareza que a indústria automobilística não vai poder continuar crescendo a 25% ao ano, ou seja, não há rua para caber todos os carros. Mas que vai continuar crescendo, vai, e o Brasil pode se recuperar mais rapidamente. Eu estou convencido disso, trabalho com muito afinco para que as coisas aconteçam. Tenho feito mais reuniões nesses últimos dias do que em todo o ano passado. E eu acho que é com muita tranquilidade, com muita conversa, com muita esperança, vendendo esperança para as pessoas, vendendo otimismo para as pessoas, que a gente vai fazer com que a economia brasileira dê um salto de recuperação rápida.

Jornalista: Presidente, o pacote de educação?

Jornalista: Presidente, tem uma parte que fala de protecionismo, que é para eles consumirem produtos americanos para aumentar o emprego nos Estados Unidos. Isso pode afetar o Brasil e é uma medida protecionista contra aquilo que o senhor tem reclamado, como hoje, por exemplo, no discurso que o senhor fez.

Jornalista: E a Argentina, também, está tomando medidas contra o Brasil.

Presidente: Eu acho um equívoco as pessoas quererem voltar a praticar o protecionismo de antes. Nesse momento, se as pessoas começarem a praticar o protecionismo, a crise só tende a se agravar. Por isso é que nós não acreditamos no protecionismo, vamos falar contra, vamos trabalhar contra e vamos fazer os acordos aonde podem ser feitos acordos.

O problema com a Argentina será resolvido em uma mesa de negociação no Mercosul, gente. Não adianta a gente ficar respondendo coisas, ou debatendo pela imprensa. Não. Tem um problema? Tem. Esse problema, nós vamos sentar à mesa de negociação no Mercosul e vamos resolver, porque o Mercosul é o foro legítimo para decidir as coisas comerciais entre Brasil e Argentina, Brasil e Uruguai, Brasil e Paraguai.

Jornalista: Presidente, e o seguro-emprego? O que que é o pacote seguro-emprego que o ministro Luppi disse que vai levar para o senhor?

Presidente: Eu, às vezes, fico chateado quando as pessoas começam a falar pela imprensa antes de me dizerem as coisas. Fico chateado porque pode não acontecer. Ou seja, para as pessoas me convencerem de umas coisas, as pessoas precisam se dotar de argumentos, porque eu entendo muito de negociação, fiz isso a minha vida inteira, e eu acho que não existe nenhum momento de você ficar desesperado, achando que cada um tem uma solução no bolso do colete.

A rotatividade de mão-de-obra no Brasil sempre foi muito grande. Se vocês não se lembram, porque são muito jovens, na década de 70 eu era dirigente sindical e a minha grande briga era contra a rotatividade de mão-de-obra. As empresas... mesmo quando o emprego está crescendo, a rotatividade é altíssima. Por isso que de vez em quando eu estranho alguns empresários dizerem que é preciso flexibilizar porque é difícil mandar um trabalhador embora. É uma coisa absurda.

Eu vou dar um dado para vocês. No ano passado, a rotatividade foi, praticamente, de 15 milhões de trabalhadores. Ora, um país que pode se dar ao luxo de contratar 16,5 milhões e dispensar 15 milhões, não pode dizer que aqui tem alguma dificuldade de dispensar qualquer pessoa.

Jornalista: Mas o caminho, então, é negociação (incompreensível).

Presidente: O caminho é negociação entre empresa e sindicato. O governo só entra na negociação entre capital e trabalho no dia em que uma das partes pedirem e as duas concordarem. Eu era dirigente sindical e nunca aceitei que o governo se metesse nas minhas negociações. A única coisa que eu queria era liberdade para negociar. Então, os dirigentes sindicais e os empresários têm liberdade para negociar. Certamente, nenhum dos dois vai ganhar 100% do que está reivindicando, mas vai ficar com uma coisa que é razoável para a continuidade do crescimento do Brasil.

Jornalista: Presidente, sobre as medidas para a habitação, como andam as negociações, já tem uma data?

Presidente: Foi apresentada uma proposta para mim, eu não gostei da proposta, pedi para eles refazerem, e essa proposta de construção de casas vai ser apresentada para mim, não sei se hoje ou amanhã. Possivelmente hoje vai ser apresentada ou, no mais tardar, na sexta-feira. E aí eu vou deliberar, quando eu for convencido da proposta e ela atender aos interesses que nós queremos, que é o de fazer gerar emprego e vender casas mais baratas, e uma boa parte delas para as pessoas mais pobres deste país, aí nós aprovaremos, anunciaremos e contrataremos. É isso o que eu pretendo fazer no Brasil.

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: A primeira proposta...

Jornalista: Por que o senhor não gostou da proposta?

Presidente: A primeira proposta não me contentava porque tem muito penduricalho de juros, de coisas que nós temos que tirar. A segunda coisa é que nós estamos vendo a possibilidade de ver quais os terrenos da União que podem ser disponibilizados para baratear, quais os estados que podem dar terrenos, quais as prefeituras que podem dar terrenos, porque o que nós queremos é construir a casa com melhor qualidade, mais barata e, para isso, nós precisamos ter o terreno, que tem uma incidência muito grande no valor de uma habitação. Mas, com muita tranquilidade, porque nós tínhamos pensado primeiro em 200 mil, eu disse que queria fazer 500; pensamos em 500 e agora eu já estou com vontade de fazer 1 milhão de casas até 2010. Podem ficar certos que nós vamos anunciar. Assim que me convencerem do programa, assim que ele estiver bom, nós queremos fazer porque achamos que a construção civil é uma área extremamente importante para gerar empregos e dinamizar a economia, o setor siderúrgico e, sobretudo, a mão-de-obra menos especializada no Brasil.

A última pergunta, para eu ir embora.

Jornalista: O senhor tem falado com o presidente Obama sobre protecionismo nos Estados Unidos, a economia que precisava ser gerada (incompreensível).

Jornalista: (incompreensível) disse que vai trabalhar contra.

Presidente: Trabalhar contra o quê?

Jornalista: Contra o protecionismo.

Presidente: Deixe-me contar uma coisa importante. Eu não sei se vou me encontrar com o Obama porque não sei se está marcado.

_______________: Está, praticamente.

Presidente: Ele disse que gostaria que quando eu fosse a Nova Iorque, que a gente conversasse um pouco. Eu vou a Nova Iorque porque vou a um debate para discutir a questão dos biocombustíveis. Eu estou convencido de que o protecionismo, nesse instante, ele vai prejudicar a possibilidade de a economia voltar a crescer. Eu acho que a melhor medida que os países ricos poderiam tomar nesse instante era voltar a se sentarem à mesa de negociação, concluir a Rodada de Doha e dar um pingo de esperança para os países mais pobres do mundo. A segunda coisa que eu acho extremamente importante é que, imaginem se cada país agora cerca a sua fronteira e fala "aqui não entra nada estrangeiro". O que vai acontecer? O mundo hoje é muito interdependente. O que nós precisamos... Obviamente, fazer uma luta muito séria contra dumping, ou seja, se tiver algum produto que está sendo vendido a preços que prejudicam a indústria brasileira, a gente vai ter que discutir. Mas eu não posso acreditar, em nome da minha consciência, que os países ricos, que passaram as três décadas últimas dizendo que o livre comércio era a solução para o problema do mundo, eu não quero crer que era só porque eles tinham mais produtos para vender e estavam tentando nos convencer a comprar. Eu acho que agora... Dizem que peixe morre pela boca. Eles pregaram tanto o livre comércio que a única coisa que eu quero é que eles pratiquem aquilo que eles falaram. É só isso. Tem muito país pequeno dependendo dos países ricos. A América Central e o Caribe dependem muito dos Estados Unidos. Os países africanos dependem muito de todos os países. Ora, se durante 30 anos os países ricos ensinaram aos países pobres que era preciso ter livre comércio, eu espero que agora eles pratiquem o livre comércio que foi cantado em verso e prosa em todos os foros internacionais, em todos os editoriais, em todas as matérias de jornais, em todos os programas de televisão. Eu só quero que eles cumpram aquilo que professaram.

Tchau, obrigado.

Jornalista: Presidente, o senhor vai sambar no Rio?

Presidente: Se Deus quiser.

Jornalista: Vai, é?

Presidente: Sabem qual era meu nome antes de conhecer a Marisa? Pé-de-valsa.

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