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Luciano Seixas: Olá, você em todo o Brasil. Eu sou Luciano Seixas e começa agora o "Café com o Presidente", o programa de rádio do Presidente Lula. Olá, Presidente, como vai, tudo bem?

Presidente: Tudo bem, Luciano.

Luciano Seixas: Presidente, os líderes das maiores economias do mundo se reuniram durante o G-20 para discutir saídas para a crise internacional. Que saídas são essas? Houve consenso para adotar medidas que atenuem os efeitos da crise no mundo?

Presidente: Houve consenso e, pela primeira vez, desde que eu sou Presidente da República, participo de uma reunião em que todos os Presidentes demonstraram muita maturidade para lidar com o problema da crise. Teve uma hora em que eu disse que os países emergentes não estavam precisando apenas de ajuda dos países ricos. O que nós queríamos era que os países ricos resolvessem as suas próprias crises para que a gente pudesse voltar à normalidade, porque este é o dado concreto. Você tem uma crise americana de grande profundidade, você tem uma crise européia de grande profundidade, você tem uma crise asiática, e como esses países são os mais ricos, são os que têm mais crédito e são os maiores consumidores, na medida em que a economia deles para, para a economia mundial. Há uma vontade política, há uma disposição extraordinária de todos para tentar resolver esse problema. Pela primeira vez eu vi os Presidentes todos preocupados em encontrar uma saída e o documento foi aprovado por consenso. Eu penso que foi um passo extremamente importante para que a gente possa começar, que os países que estão em piores situações possam voltar a crescer em 2010. A prioridade agora é estancar a crise. Estancando a crise você pode ter a possibilidade de fazer com que a economia dos países volte a crescer definitivamente.

Luciano Seixas: Presidente, qual a sua avaliação sobre o resultado desse encontro do G-20? Essas medidas vão, realmente, trazer resultados práticos, principalmente para os países mais atingidos pela crise?

Presidente: Eu acredito que sim. Primeiro, porque nós tomamos uma decisão de fortalecer as instituições multilaterais de financiamento, tipo FMI e Banco Mundial, para que essas instituições possam financiar os países emergentes. Os países mais pobres irão receber financiamento sem as condicionalidades que existiam na década de 80. Esse é um passo extremamente importante. Todo mundo também está convencido de que o crédito precisa voltar a funcionar. Primeiro, internamente em cada país; e depois externamente, para facilitar o fluxo da balança comercial dos países. Em terceiro lugar, todo mundo estava preocupado com o problema do desemprego, ou seja, todo mundo está entendendo que é preciso fazer com que a economia volte a gerar empregos.
Daí porque o Brasil está totalmente correto quando nós tomamos medidas anticíclicas e fazemos investimentos no PAC. Não vamos paralisar nenhuma obra, como já afirmamos no começo do ano. Anunciamos um programa habitacional, anunciamos um novo programa de redução de impostos para carros, para a construção civil. Se todos os países fizerem isso, nós temos uma grande possibilidade de ver o emprego voltar a acontecer na vida das pessoas. Uma coisa extremamente importante que aconteceu foi que se acertou que os líderes políticos vão começar a discutir a Rodada de Doha outra vez, que tinha parado no final do ano passado, porque todo mundo percebeu que se nós chegarmos a um acordo na Rodada de Doha, um acordo comercial, a gente vai poder possibilitar uma ajuda muito grande aos países mais pobres do mundo.

Luciano Seixas: Você está ouvindo o "Café com o Presidente", o programa de rádio do Presidente Lula. Presidente, o senhor esteve em Doha, no Catar, na abertura da Segunda Cúpula América do Sul e Países Árabes. Qual foi a importância desse encontro?

Presidente: Esse tipo de reunião, Luciano, é muito importante porque, primeiro, é um estreitamento das relações entre dois blocos, dois continentes, ou seja, uma parte do Oriente Médio e uma parte da América Latina se reunindo. Isso foi importante porque veja o que acontece quando você estabelece uma relação e começa a ter uma certa harmonia entre os Estados e entre os Chefes de Estado. Em 2004, nós tínhamos uma balança comercial com o mundo árabe de US$ 8 bilhões. Hoje são US$ 20 bilhões, só o Brasil. Se você pegar a América Latina, nós saímos de US$ 11 para quase US$ 30 bilhões, numa demonstração de que essas reuniões terminam sendo muito produtivas para as relações comerciais entre os países, além da afinidade política que você vai criando entre os Estados, entre os blocos. É muito importante.
Em agosto nós vamos ter uma reunião entre os países africanos e os países da América do Sul, em Caracas, para que a gente também possa aproximar esse continente africano com o continente sul-americano e fazer com que o comércio flua com maior rapidez entre os dois blocos, e isso faz com que todos nós nos tornemos menos dependentes dos blocos ricos. Por isso, eu fiquei muito satisfeito com a presença dos principais líderes dos países árabes, dos principais líderes da América do Sul. Foi um sinal extremamente importante de que nós estamos criando maturidade política para ampliar as relações comerciais, as relações políticas e as relações culturais da América do Sul, do Brasil, da América Latina com outros continentes.

Luciano Seixas: Muito obrigado, Presidente Lula. Até a próxima semana.

Presidente: Obrigado a você, Luciano, e até a próxima semana.

Luciano Seixas: O programa "Café com o Presidente" volta na próxima segunda-feira. Até lá.

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