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Jornalista: (em inglês)

Presidente: Veja, ele teve que parar em alguma embaixada. Eu acho que a nossa preocupação não é saber em que embaixada ele está ou como ele chegou na embaixada, porque eu recebi as informações já em Nova York.

O dado concreto é que você tem um golpista no poder. O presidente eleito democraticamente foi afastado do cargo, e é justo que o presidente eleito queira voltar ao seu cargo. E o golpista, se quiser ser presidente, dispute as próximas eleições. E nós não podemos aceitar experiência de golpe na América Latina, nem militar e nem civil, porque nós já vivemos muito isso na década de 60.

Eu penso que agora já tem a decisão da OEA. Eu penso que o Conselho de Segurança vai se reunir para tomar alguma decisão ou dar alguma orientação. E eu espero que quem deu o golpe saia do poder, o presidente Zelaya volta, convoca as eleições e volta à normalidade em Honduras.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Veja, eu não vejo nenhuma justificativa para o golpe, porque se ele entrou com um pedido de convocar um referendo era o Congresso que tinha que aprovar. Era só o Congresso não aprovar que não tinha referendo.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: O que nós estamos querendo é que Honduras volte à normalidade. O governo brasileiro espera que não haja nenhuma violação à Embaixada brasileira. Não é a primeira vez na história do mundo que pessoas que se sentem refugiadas e perseguidas ficam em embaixadas de outros países. E o fato anormal em Honduras é estarem na Presidência pessoas que não foram eleitas para a Presidência.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Eu acho que os Estados Unidos tomaram as decisões corretas. Acho que, junto com a OEA, todo mundo condenou o golpe e todo mundo está reivindicando que o presidente Zelaya volte ao exercício da Presidência, convoque as eleições e faça as eleições. É isso que nós queremos. E eu acho que o presidente Obama tomou as decisões corretas, condenando o golpe.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: É por isso também. Nós temos um sistema financeiro bastante regulado, ou seja, o sistema financeiro brasileiro não pode alavancar mais que 10 vezes o seu patrimônio líquido. Aqui, nos Estados Unidos, chegava-se a alavancar até 35 vezes.

Mas o problema é que nós tínhamos um trabalho muito forte de desenvolvimento e investimento em infraestrutura desde janeiro de 2007. Nós lançamos um programa chamado PAC. Nós investimos US$ 254 bilhões para fazer obras públicas. Quando veio a crise, o Brasil já estava em uma fase boa. Nós colocamos mais US$ 100 bilhões de dólares para ajudar na infraestrutura, passamos mais US$ 50 bilhões para o nosso banco de investimento. O Banco do Brasil comprou alguns bancos privados para poder ter mais dinheiro para financiar carros, por exemplo, carro usado. Porque o crédito desapareceu, no mundo inteiro e no Brasil também.

Como nós temos bancos públicos sólidos, temos o maior banco do Brasil, que é o Banco do Brasil; a Caixa Econômica Federal, que incentiva... ela financia habitação; temos o BNDES, que financia desenvolvimento, nós ficamos mais tranquilos.

E quando veio a crise, nós anunciamos ainda um programa de construção de 1 milhão de casas, desoneramos alguns tributos para o carro, para a geladeira, para fogão, para máquina, para computador, para material de construção civil, e a economia brasileira, que tinha tido três meses, quatro meses de crise, em março já começou a se recuperar e está em franca recuperação.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Nós não precisávamos, porque nós tínhamos US$ 210 bilhões de reservas e, portanto, estávamos mais tranquilos. A moeda... a economia estava estabilizada, a inflação controlada. Foi isso que nos deu garantia de a crise chegar por último e acabar primeiro.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Eu sou casado com uma mulher loira, dos olhos azuis. O problema é que no dia em que eu dei essa entrevista, eu estava com o Gordon Brown, e estava começando uma perseguição aos imigrantes, sobretudo na Europa: os negros, os latinos. E eu disse claramente: a crise foi causada não por negros ou por latinos, ela foi causada pelos banqueiros dos olhos azuis.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Esse foi o meu ponto, porque é uma falsa ideia, ou seja, na hora que tem uma crise, você começar a jogar os imigrantes contra o povo daquele país. A resposta que eu dei, no Brasil, foi a legalização de todos os estrangeiros ilegais, para provar que não eram os imigrantes os responsáveis pela crise.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Nós ganhamos um processo contra os Estados Unidos, na OMC. O Brasil não tem interesse de retaliar os Estados Unidos e nenhum país. O que o Brasil quer, concretamente, é que todos os países que nos últimos 30 anos falaram em livre comércio não virem protecionistas agora. Nós queremos o livre comércio, o Brasil foi um país que se empenhou muito para que a gente fizesse a negociação da Rodada de Doha. Lamentavelmente, por conta das eleições nos Estados Unidos e por conta das eleições na Índia nós não conseguimos concluir. E eu estou na expectativa de que o presidente Obama retome as discussões sobre a Rodada de Doha, porque nós ajudaríamos os países mais pobres a ter acesso ao mercado agrícola dos países mais ricos.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: É muita conversa fiada. Eu aprendi, no mandato e no exercício da Presidência, não discutir sobre hipótese ou insinuações. Se um dia eu tivesse que fazer alguma coisa com os Estados Unidos, o primeiro a saber seria o presidente dos Estados Unidos.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Este ano, nós tivemos o menor desmatamento dos últimos 20 anos. Nós estamos assumindo um compromisso, até 2020, de diminuir o desmatamento em 80%. Nós vamos para Copenhague com a disposição de não ficar culpando ninguém, o que nós queremos é encontrar uma solução para o futuro, porque o que está em jogo não é mais a minha vida, mas é a vida do meu neto, a vida dos meus filhos.

Então, o que acontece? Eu acho que os países ricos têm que ter um fundo para compensar os países pobres que ainda têm florestas para preservar. Agora, cada um de nós tem que assumir responsabilidade tanto pela quantidade de emissões de gás efeito estufa, que nós somos responsáveis, e cada país tem a sua responsabilidade, também como pelo sequestro de carbono. Quem tiver competência de manter florestas, de ter uma agricultura forte... Por exemplo, quando nós produzimos cana para produzir etanol, no momento em que a cana está crescendo, nós estamos sequestrando carbono. Portanto, além de o combustível ser limpo, ele é menos poluente quando ele é utilizado. E nós estamos desafiando o mundo a utilizar mais combustível verde e menos poluente.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Não, eu continuo com a mesma atitude e acho que apenas nós precisamos fazer com que cada país seja responsabilizado pelo gás que ele emite.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Olha, eu penso que houve muita má-fé e muito preconceito contra mim. Ou seja, existia uma casta de políticos no Brasil que imaginava que um torneiro mecânico, saído de uma fábrica, não tinha competência para governar o Brasil. E eu preciso provar, todo santo dia, a cada minuto, que eu tenho mais competência do que eles para governar o Brasil, porque tenho mais compromisso, porque conheço mais o país, porque conheço mais o povo e por uma outra razão: é que qualquer outro presidente da República do Brasil, ao deixar a Presidência, vem para Nova York, vai para Paris, para Londres, passa dois ou três anos estudando, e depois de 4 anos volta outra vez. Se der errado, a mesma coisa.

Eu vou terminar a Presidência, vou voltar para São Bernardo, a 800 metros do sindicato que me projetou para a vida política, e mais ainda: se eu falhar, vai demorar mais de um século para um outro trabalhador chegar à Presidência da República, porque vão dizer que trabalhador não tem competência. Então, eu tenho a obrigação de trabalhar todo santo dia para fazer o melhor possível. E agora as pessoas estão me conhecendo melhor e pessoas sabem que eu só tenho um defeito: é que eu gosto do meu país, gosto do meu povo e quero que as coisas aconteçam da melhor forma possível para o Brasil.

Jornalista: (em inglês).

Presidente: Veja, não só compromissos políticos. Em política, quando você é oposição, você diz: "eu acho, eu penso, eu acredito". Quando você chega à Presidência, você tem a matéria-prima na mão. Você faz ou não faz, e eu resolvi fazer.

Jornalista: (em inglês).

Presidente: Significa que eu tenho compromisso com a sociedade brasileira, faço acordo com os empresários, faço acordo com os trabalhadores, faço acordo com o Congresso Nacional, porque, veja, eu represento a totalidade do povo brasileiro. E eu fui dirigente sindical e eu sei o quanto é importante, em uma mesa de negociação, você resolver os conflitos em vez de você ir brigar na rua ou ir brigar na justiça.

Jornalista: Obrigada.

Presidente: Obrigada a você.

Jornalista: (em inglês)

__________: Uma mais?

Presidente: Uma mais.

Jornalista: Obrigado.

Presidente: Foi uma metralhadora giratória de respostas e de perguntas.

Jornalista: (em inglês).

__________: Uma mais? (em inglês)

Jornalista: (em inglês).

Presidente: Veja, eu penso que é muito difícil no mundo de hoje você continuar com o G-8 sem levar em conta a importância do Brasil, da China e da Índia, sobretudo na economia mundial. Porque nós somos grandes consumidores e estamos virando grandes produtores e também porque nós estávamos mais preparados do que os países ricos.

É a primeira crise que não acontece nos países pobres, é causada pelos países ricos e as instituições como FMI, Banco Mundial, que sabiam tudo quando a crise era no Brasil, não sabiam nada quando a crise foi nos Estados Unidos. Então, é preciso aproveitar essa crise e fazer as coisas corretamente. O sistema financeiro tem que ser regulado, é preciso acabar com os paraísos fiscais e é preciso que os bancos centrais do mundo controlem um pouco os financiamentos dos bancos que não podem fugir de uma determinada faixa de alavancagem.

Eu penso que hoje, se quiser minha sinceridade, eu penso que não há nenhuma razão de existir G-8 ou qualquer outro G. É garantir que o G-20 passe a ser um fórum importante para discutir as questões econômicas do mundo.

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Eu não acredito, veja, hoje a economia do mundo, ela está tão interdependente um país do outro, que todo mundo sabe que se a gente se descolar da posição correta vai ser prejudicial. Eu confio na maturidade dos dirigentes políticos, eu confio que a globalização permitiu que a gente tenha que construir cada vez mais políticas comuns entre nós.

Jornalista: Obrigada, novamente.


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