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Bem, primeiro dizer a vocês da alegria de poder estar aqui em Copenhague para defender o Brasil e a cidade do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016. Acredito que, de todas as vezes que o Brasil participou, esta é a primeira vez que o Brasil se preparou com o objetivo de ganhar o direito de sediar as Olimpíadas. O Brasil agiu profissionalmente, o Brasil engajou os três entes federados - prefeitura, governo do estado e governo federal -, o Brasil envolveu o Congresso Nacional quando aprovou o ato olímpico, dando uma demonstração de que o compromisso é de toda a nação brasileira e não apenas de um prefeito e de um governador ou de um presidente da República. E o Brasil está demonstrando que quer provar que tem competência para fazer a melhor Olimpíada já realizada em qualquer parte do mundo.

O Brasil vive um momento econômico excepcional. Poucas vezes na história do Brasil nós tivemos as perspectivas de viver a situação que estamos vivendo, e eu acho que tudo isso vai resultar em possibilitar que o Brasil realize uma Olimpíada do tamanho que precisa ser realizada. Eu não vou falar da beleza do Rio de Janeiro, eu não vou falar das qualidades do povo do Rio de Janeiro. Eu vou apenas dizer que o Brasil e a América do Sul estão querendo pegar essa oportunidade com unhas e dentes para que a gente possa levar para o continente sul-americano, pela primeira vez, a possibilidade de realizar uma Olimpíada. Nós respeitamos Madri, nós respeitamos Chicago, nós respeitamos Tóquio, mas, desta vez, nós somos mais Rio de Janeiro e mais Brasil. Achamos que estamos em melhores condições para realizar essas Olimpíadas.

Dito isso, me coloco à disposição dos senhores e das senhoras para as perguntas.

Mediador: (em inglês)

Jornalista: Presidente, bom dia. Pedro Bassan, TV Globo. Presidente, os membros do Comitê Olímpico Internacional já conhecem muito bem o projeto da candidatura do Rio, já sabem que seria a primeira Olimpíada na América do Sul. Que palavra final o senhor vai trazer para os membros do COI, para convencê-los a votar no Rio de Janeiro? Qual vai ser o argumento final nas conversas que o senhor vai ter aqui na Dinamarca?

Presidente: A palavra final que nós pretendemos levar aos membros do Comitê, que vão votar amanhã é a palavra de vender o futuro do Brasil e o futuro do Rio de Janeiro. Todo mundo que acompanha economia sabe que o Brasil hoje está em uma situação mais favorável do que muitos países desenvolvidos; todo mundo sabe o que significa, para o futuro do Brasil, a quantidade de investimentos que estamos fazendo em infraestrutura no Brasil; todo mundo sabe que nós vamos realizar a Copa do Mundo de 2014 e que é quase uma avant-première das Olimpíadas; todo mundo sabe o significado da descoberta do pré-sal e o que isso significa de possibilidade de investimentos na melhoria da infraestrutura brasileira; e, portanto, eu só posso garantir que não tem hoje no mundo nenhum país que tem tanta certeza do seu futuro como o Brasil tem do seu. Acho que o Brasil é hoje um país mais otimista, a autoestima do povo está no mais elevado patamar, porque as pessoas têm clareza de que o Brasil vive uma espécie de momento mágico de possibilidade de crescimento, de acerto da sua economia e de melhoria de vida das pessoas mais pobres. É esse Brasil de 2016 que nós queremos mostrar aos delegados e às delegadas e conquistar o voto deles.

Jornalista: (falha no áudio) (pergunta em inglês)

Presidente: Eu penso que é o mesmo tipo de convencimento. Veja, uma coisa importante e nova que está acontecendo no Brasil é que nós não temos mais o complexo de cidadãos de segunda categoria. Houve um tempo em que o Brasil entrava em uma disputa dessas se achando inferior aos outros. Da mesma forma que, na minha campanha, muita gente dizia que eu não tinha condições de ganhar as eleições porque o povo brasileiro não estava preparado para votar em um operário que tinha saído da fábrica e de dentro de um sindicato. Nós fomos para as ruas para convencer o povo de que, ao votar, o povo deveria escolher alguém que pudesse apresentar coisas concretas para melhorar a vida dele, e com isso nós ganhamos as eleições.

Aqui, eu acho que a história se repete. Nós temos os Jogos Olímpicos muito marcados por serem feitos em países mais desenvolvidos. Nós tivemos a exceção da China, que foi o primeiro país considerado de terceiro mundo que realizou as Olimpíadas mais recentes e o México, que tinha realizado em 1968. Ora, de lá para cá, nós temos visto acontecer muitas Olimpíadas, sobretudo no continente europeu e muitas Olimpíadas nos Estados Unidos. Ora, nós queremos mostrar que o Brasil é o único país que está entre as dez economias do mundo já há muito tempo, que não realizou uma Olimpíada. Nós queríamos mostrar que nessa crise econômica o Brasil esteve muito melhor do que todos os chamados países ricos. Nós queremos mostrar que o Brasil... quando o sistema financeiro internacional entrou em crise, o Brasil se apresentou ao mundo como o melhor sistema financeiro, o que tinha o sistema financeiro melhor regulado pelo Banco Central, e nós entramos na crise por último e saímos da crise primeiro, numa perspectiva extraordinária. Eu... se quisesse pegar um dado de hoje, eu pegava um dado... enquanto alguns países ricos estão vivendo uma situação de desemprego muito forte ainda, no mês passado, no Brasil, nós criamos 242 mil postos de trabalho formais e vamos chegar a 1 milhão de postos de trabalho este ano, contra milhões de desempregados no mundo europeu.

Eu penso que essas são as condições de discussão que nós precisamos fazer para convencer as pessoas a votarem no Rio de Janeiro. O Brasil recuperou sua autoestima, o Brasil vive um momento econômico importante, o Brasil tem programas de investimento extraordinários até 2017 e, portanto, as Olimpíadas virão apenas nos forçar a fazer mais coisas do que já estávamos prevendo fazer no Brasil. Só os investimentos em infraestrutura que, nesse momento chegam a quase US$ 359 bilhões... Nós sabemos que temos que fazer muito mais, independentemente de Olimpíada, porque nós queremos dar ao Brasil a condição de um país desenvolvido, de um país rico e de um país que vai aproveitar a descoberta do petróleo para melhorar a vida das pessoas mais pobres.

Eu acho que é assim que a gente vai poder convencer o Rio de Janeiro, mostrando as coisas boas que nós temos, não mostrar defeito dos outros porque eu não acho eticamente correto eu ficar falando mal das outras cidades em detrimento do meu país e da minha cidade, eu quero falar bem do Rio de Janeiro. Quero orgulhosamente mostrar que o Rio de Janeiro está preparado do ponto de infraestrutura, do ponto de vista de compromisso da cidade, de compromisso do estado, de compromisso do governo federal, e quero dizer para vocês que, mais ainda: o Rio de Janeiro está preparado de corpo e alma para que a gente realize essas Olimpíadas. São esses os argumentos que nós vamos utilizar e são um pouco os argumentos que nós utilizamos para ganhar as eleições no Brasil.

Mediador: (em inglês)

Jornalista: (em inglês)

Presidente: Na verdade, não sou eu que preciso ganhar. Quem precisa ganhar é a cidade do Rio, o estado do Rio, o Brasil e a América do Sul. Eu aprendi muito nas minhas viagens pelo mundo. Aprendi muito na China, aprendi muito no Japão, aprendi muito em Londres, porque o Brasil hoje é um país que resolveu diversificar suas relações comerciais. Em 2003, nós tomamos uma decisão de mudar a geografia comercial e a geografia política do mundo, procurando novos parceiros, para que um país como o Brasil não ficasse dependente apenas de dois grandes blocos: de um lado, o bloco americano; de outro lado, o bloco europeu. Nós resolvemos diversificar para o continente latino-americano, para o continente africano, para o Oriente Médio, e hoje o Brasil, por conta dessa diversificação, é um país que sofreu menos também a crise na questão da sua balança comercial.

O que significa uma Olimpíada? Tem muita gente que fica discutindo apenas a questão de dinheiro, se vai fazer isso, se vai fazer aquilo. É mais do que isso, é mais do que isso. Fazer uma Olimpíada significa você despir o seu país diante do mundo três, quatro anos antes das Olimpíadas; significa o mundo ter possibilidade de ver o Brasil da forma que o Brasil é e ver o Rio de Janeiro da forma que o Rio de Janeiro é. Não tem preço que pague você colocar um país e uma cidade como o Rio de Janeiro durante anos na imprensa internacional, mostrando as coisas boas, mostrando as coisas ruins. Com as coisas ruins, a gente aprende para fazer coisas boas; com as coisas boas, a gente melhora.

Eu tenho 63 anos de idade e eu não conheço nenhum momento histórico em que o povo brasileiro estivesse com a autoestima tão em alto nível como está agora. Nós sabemos que tem muita coisa para ser feita, mas nós sabemos que temos que fazer. O que é importante é que as pessoas estão percebendo que agora as coisas estão sendo feitas, que agora essa geração de governos que governa o Brasil está fazendo reparação naquilo que foram os desgovernos durante décadas no País, que permitiam que os pobres se amontoassem em favelas, em palafitas, e que agora nós resolvemos, então, mudar isso. Nós resolvemos que é preciso muito investimento para transformar as favelas em bairros, em cidadania, para que as pessoas se sintam bem.

E vocês terão muito orgulho de ir ao Rio de Janeiro no ano que vem, quando a gente começar a fazer as inaugurações nos bairros mais pobres do Rio de Janeiro, que a recuperação do nosso país é uma coisa hoje inquestionável. Nós sabemos que temos um tempo ainda, mas [para] as Olimpíadas ainda tem seis anos e seis anos tem tempo para nós fazermos coisas extraordinárias. E nós queremos mostrar o que vai ser uma Olimpíada no Brasil porque, para alguns países, uma Olimpíada é apenas mais uma disputa esportiva. Para nós, é uma coisa mais extraordinária. Para nós, é a participação, certamente, do povo mais apaixonado por esportes. Para nós, é a possibilidade de comprometer a iniciativa privada brasileira, os empresários brasileiros, o poder público a construir coisas que fiquem como legado para as futuras gerações.

Nós, na América do Sul, temos 180 milhões de jovens. Portanto, é uma oportunidade excepcional de meninos e meninas que não teriam condições de viajar a Tóquio, que não teriam condições de viajar a Madri, que não teriam condições de viajar a Chicago, até porque está muito difícil agora viajar para outros países, porque se forem pobres, têm mais dificuldade de entrar, e no Brasil eles terão passe livre por estradas, por ferrovias, de ônibus, de avião. É a oportunidade extraordinária de um legado que vai ficar para uma juventude imensa, que precisa de oportunidade.

Mediador: (em inglês)

Jornalista: Bom dia, Presidente. Ernesto, jornal O Globo. Na verdade, esta pergunta foi combinada de comum acordo com a imprensa brasileira aqui, ok? Não resta dúvida... pelo menos esse plano que foi apresentado pelo Comitê Olímpico... organizador dos Jogos, segundo a avaliação é considerado o melhor. Então, o que ainda pode tirar os Jogos do Rio de Janeiro? E, no caso de uma derrota, ficaria claro que é uma injustiça no sistema eleitoral que é adotado hoje pelo Comitê Olímpico Internacional? Enfim, se for derrotado, daria para a gente pensar já em Jogos de 2020?

Presidente: Olhe, deixe eu dizer uma coisa. Eu, primeiro, não trabalho com a hipótese de que nós sejamos derrotados. Eu disse que nós começamos, pela primeira vez, a participar dessas Olimpíadas, assumindo um compromisso entre os entes federados. É a primeira vez que nós estamos aqui em uma disputa em que todos nós queremos ser o pai da criança e queremos ser a própria criança. Nós todos estamos aqui com o Presidente da Câmara dos Deputados, que fez um ato extraordinário que foi, aprovar no plenário do Congresso Nacional, o ato olímpico, para mostrar que as Olimpíadas não são uma coisa de um partido ou de um governo; que é uma decisão do Estado brasileiro e de todas as suas instituições realizar essas Olimpíadas.

Lógico que não vai pesar na minha cabeça nenhum sentimento de injustiça se alguns delegados não votarem no Brasil, afinal de contas eu sou amante da democracia e acho que as pessoas têm o direito de gostar de nós ou de não gostar, de votar ou não votar. O dado concreto é que ninguém apresentou um projeto da magnitude que nós apresentamos, da qualidade que nós apresentamos e com a consistência que nós apresentamos. Alguns dizem "Ah, mas o Brasil poderia ter apresentado um projetozinho bem pobrezinho, daqueles que quem lê já não acredita". Eu prefiro pecar pela superação do que pecar pela omissão, e eu acho que o projeto do Brasil é um projeto de superação; superação do COI, superação do governo do estado, da prefeitura, do governo federal e, sobretudo, uma superação da sociedade.

Nós queremos dizer ao mundo que nós podemos. Isso, dito da boca de um americano é muito bonito. Nós nunca dissemos porque no Brasil nós estávamos habituados a dizer "Nós não podemos, nós somos pobres, nós não podemos", como se nós fôssemos cidadãos inferiores. Desta vez, nós queremos olhar para o mundo e dizer: "Sim, nós podemos, e vamos realizar essas Olimpíadas".

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