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Presidente: Eu penso que eu chorei agora porque não tive coragem de chorar na hora da apresentação. Primeiro, agradecer ao Jacques Rogge pelo carinho, pela gentileza. Todo mundo dizia, na minha delegação: "Mas ele não ri, ele está sempre muito sério. Será que ele gosta de brasileiro ou não gosta de brasileiro?". E eu ficava pensando que, muitas vezes, no papel de Presidente, a gente não pode rir, a gente tem que mostrar a maior seriedade.

Quando estava chegando a hora de falar, a Bárbara estava do meu lado e ela estava chorando, toda hora chorava, o Nuzman emprestou o lenço para ela. Eu fui falar, com a voz embargada. Eu tinha gostado da apresentação do Nuzman, do Sérgio, do Eduardo. Eu não sei se o João Havelange está aqui, mas um país que carrega um homem de 92 anos de idade que nada 1.500 metros todo dia, e que estava na nossa delegação... O companheiro, a Isabel, quando a Isabel me apresentou, eu quase nem levanto para falar, porque eu já estava muito emocionado.

Eu, meu caro Presidente, que pensava que não tinha mais motivo para ter emoção, porque eu já participei de tantas coisas na vida, já me encontrei com tantas personalidades, já participei de tanto evento, que eu imaginava que não ia me emocionar. E, de repente, eu era o mais emocionado, o mais chorão de todos os que estavam ali.

Pois bem, eu queria dizer a vocês, meu querido companheiro Nuzman, querido companheiro Sérgio Cabral, Eduardo Paes; companheiro Orlando, ministro do Esporte; companheiro Carlos Osório, o Michel Temer, que está aqui, o ministro Tarso Genro, o ministro Luiz Barreto, o presidente do Banco Central, o Paulo Coelho, a Hortência, o Pelé. Há tanta gente que nos ajudou que eu prefiro não ficar citando nomes. Eu lembro que quando o Sérgio me apresentou um jornalista com cabelinho comprido que está ali, falando inglês, e ele falava: "Porque nós vamos ganhar, porque vamos ganhar, porque nós precisamos preparar...". O maior otimista do mundo que eu já vi. E nós chegamos aqui e ele tinha razão: nós íamos ganhar, e nós ganhamos as Olimpíadas.

Da minha parte, eu queria dizer para vocês que eu agora estou com um pouco de alegria e um pouco de preocupação. Preocupação porque o que o COI decidiu hoje é aumentar substancialmente a nossa responsabilidade enquanto brasileiros, e eu sou daqueles homens que não tem medo de responsabilidade, eu acho que o ser humano precisa todo dia levantar e ter um desafio para ele ter motivação de viver, de lutar, de brigar e de conquistar. O Brasil precisava dessas Olimpíadas, o Brasil sempre foi um país grande, um país importante, de um povo extraordinário, eu digo sempre que pode ter igual, mas não tem no mundo povo mais feliz, mais criativo e mais alegre que o povo brasileiro - pode ter igual... mais, não tem. E esse povo tem uma índole extraordinária e esse povo merecia essa oportunidade, e agora cabe a nós brasileiros, não é mais ao governo porque eu não estarei no governo em 2016, não é mais o governo do Estado ou a prefeitura, agora é o povo brasileiro, o Estado brasileiro. Eu quero agradecer sobretudo ao presidente da Câmara dos Deputados do meu país, que aprovou o ato olímpico, aprovou o ato olímpico, levando para o Estado brasileiro a responsabilidade de fazer as Olimpíadas.

Eu sei que nessa hora a gente não tem nome, mas agradecemos a todas as pessoas, aquelas mais humildes, aquela que pegava os papéis que vocês esqueciam em cima da mesa e jogava fora, aquela que muitas vezes limpava o cesto de lixo, ou seja, as pessoas mais humildes que trabalharam. Cada um na sua função deu uma contribuição para que nós pudéssemos colher o resultado que nós colhemos hoje. Agradecer o otimismo, a dedicação do companheiro Sérgio Cabral, do prefeito Eduardo Paes, do ministro Orlando, do Carlos Osório, dos atletas que vieram aqui, e dizer para vocês: eu, eu sempre achei que tinha uma coisa que faltava para o Brasil. Nós somos um país que foi colonizado e pelo fato de termos sido colonizados, nós tínhamos mania de ser pequenos, nós tínhamos mania de não sermos importantes, nós sempre achávamos que os outros podiam e que a gente não podia.

Hoje, alguns companheiros viram o avião do presidente Obama chegando a Copenhague, e a televisão mostrava o tempo inteiro e alguns companheiros no meu quarto falavam: "Ih, perdemos, o Obama chegou, ele vai ganhar". Eu estava no G-20 com o Obama e convidei o Obama para vir aqui hoje e o Obama disse: "Não, eu não vou presidente Lula, porque vai a minha mulher e ela é melhor do que eu e ela vai ganhar porque mulher vai sensibilizar mais os homens". Eu falei: Se você não for, eu vou ganhar, se você não for, eu vou ganhar. Ele veio e quis Deus que nós ganhássemos mesmo com a vinda dele aqui.

Eu, presidente Jacques, sou muito amigo do presidente Zapatero, ainda não fiz amizade com o primeiro-ministro do Japão porque ele é novo. E no Japão é assim, no Japão você fala bom dia para um ministro e fala boa tarde para outro, eles trocam muito rápido. Ou seja, eu tenho um profundo respeito pela vitória dele nas eleições, tenho um profundo respeito, a minha amizade pessoal com o Zapatero é de antes de ele ser presidente, é uma amizade antiga, portanto, ele é companheiro, não é uma relação de chefe de Estado.

Tenho um carinho excepcional pelo presidente Obama. Eu acho que o Obama é uma novidade excepcional na política mundial. Acho que o fato de os Estados Unidos da América do Norte terem eleito um negro para a Presidência da República, um jovem como ele, é uma revolução conceitual na cabeça de uma parte do povo americano. Eu tenho uma esperança extraordinária, é um companheiro, e eu queria dizer ao companheiro Obama, dizer ao companheiro Zapatero e dizer ao Hatoyama que me desculpem de eu estar feliz e vocês tristes, mas vocês já foram felizes muitas vezes e nós tristes muitas vezes e nós temos o direito de estarmos felizes hoje e vocês valorizaram a nossa disputa.

Certamente que Chicago seria a quinta Olimpíada nos Estados Unidos, certamente que Madri... Não, a oitava porque tem a de inverno. Certamente que na Espanha seria a segunda. Certamente que no Japão seria a segunda. E nós, a primeira. E eu dizia todo dia quando eu fui para o apartamento quase chorando, nervoso, eu dizia: nós só precisamos de uma oportunidade, gente, só uma. Nos dêem essa oportunidade para a gente provar que nós somos uma grande nação, que nós temos competência de fazer igual à China, igual à Alemanha, igual a qualquer lugar do mundo, porque nós, quando somos provocados, nós sabemos trabalhar.

Então, de todo o coração, eu queria dizer a vocês que a minha responsabilidade aumenta porque nós vamos começar a trabalhar as Olimpíadas amanhã. Não vai ser para depois de amanhã, vai ser amanhã. Vamos ter que organizar, preparar.
Então, do fundo do coração, do fundo do coração, hoje, é um dia talvez mais emocionante da minha vida. Hoje é um dia que eu senti muito mais orgulho de ser brasileiro do que eu já sentia. E o Rio de Janeiro merece, o Brasil merece e, sobretudo, o povo brasileiro merece. Que Deus abençoe a todos nós e que nos dê força para em 2016 estarmos todos vivos, não apenas para fazer a melhor Olimpíada do mundo, mas para a gente cantar parabéns no centésimo aniversário do João Havelange, lá na abertura da nossa Olimpíada. Um abraço e muito obrigado, gente.


Jornalista: Gostaria de fazer uma pergunta para o presidente Lula. Luís Roberto Magalhães, do Jornal Correio Braziliense. Infelizmente, eu tenho que voltar um pouquinho no passado e recordar 2007, o senhor foi vaiado no Pan-Americano. Eu gostaria de saber como é que o senhor agora pretende ser recebido no Brasil, voltar ao Rio de Janeiro com uma Olimpíada, com uma conquista, com certeza a festa lá está enorme, hoje é feriado lá. Gostaria de saber como é que o senhor se sente, vai se sentir ou espera que seja esse retorno ao Brasil e ao Rio de Janeiro.


Presidente: Olha, depois de 2016, nós vamos começar a brigar pelas Olimpíadas de Inverno, não se assustem. Olhe, meu querido, um homem com a minha experiência política...


__________: Quem organizou a vaia, meu caro, levou o troco em 2008, na eleição para prefeito, o povo elegeu Eduardo Paes. Pronto. O povo brasileiro ama o presidente Lula, ele tem 80% de aprovação popular no Brasil. Oitenta e um por cento. Então, fique tranquilo. Quem organizou a vaia levou uma surra do povo do Rio de Janeiro em 2008.


Jornalista: Presidente, parabéns, primeiro. Foi emocionante ver o senhor emocionado também, viu? Emocionou a todos nós, aí, foi um "chororô" geral aí, como o senhor pôde perceber hoje. Primeiro, dar parabéns, porque o senhor conseguiu já ganhar uma eleição do Obama, o que não é para qualquer um, o senhor ganhou uma eleição do Obama, agora vai ter que ganhar outra candidatura, não é, Presidente? Vai ter que ganhar 2014 para ser o presidente durante as Olimpíadas. Topa essa, também?


Presidente: Meu caro, depois dos 63 anos de idade, a gente só pensa no ano seguinte, não pensa quatro anos para a frente. Agora, o compromisso de quem está aqui é trabalhar, e desde já, porque nós temos muitos compromissos: nós temos a Copa do Mundo, em 2014, e temos as Olimpíadas de 2016, e nós temos coisas para fazer que não vamos ter tempo de nos preocupar com coisa secundária.

Agora é trabalhar. O Brasil tem uma sorte, porque a gente já vinha trabalhando muito. São bilhões de dólares que estamos investindo em infraestrutura, para recuperar o tempo atrasado. E tudo isso vai combinar com a Copa do Mundo e vai combinar com as Olimpíadas.

Eu, agora, queria dizer para vocês: eu agora vou para o hotel, vou ligar para a minha mulher, vou dar os parabéns para ela. Eu, Jacques... Uma coisa importante na minha vida: o primeiro diploma que eu ganhei, importante, foi o diploma de presidente da República. Eu nunca ganhei um presente, o primeiro presente que eu tive na vida, eu tive que comprar, que era uma bicicleta velha que a corrente quebrava todo dia e eu tinha que consertar. E, hoje, pessoas que nós nem conhecemos deram a mim o maior presente que um presidente da República poderia querer, que era o de sediar as Olimpíadas no Rio de Janeiro, que merece, porque o Rio é uma cidade sofrida.

O Rio, durante muito tempo, aparecia nos jornais nas páginas policiais. E nós queremos que o Rio de Janeiro comece a aparecer nas páginas esportivas, nas colunas sociais, nas notícias boas das coisas que estamos fazendo. Por isso, eu quero, de coração, agradecer a cada delegado que colocou o Rio 2016, porque Deus, certamente, irá abençoá-los para o resto da vida.


____________: Parabéns, Presidente. Agora só falta o seu coringão ganhar a Libertadores, hein, Presidente!


Presidente: Jacques, se você permite, uma coisa importante: uma das coisas que mais me motivava a querer as Olimpíadas para o Brasil, o Sérgio, o Eduardo Paes, era a juventude brasileira. Nós temos uma juventude que durante décadas não teve oportunidade, não teve chance. Nós estamos dando oportunidade e recuperando chance.

Então, essa Olimpíada, nós temos que dedicá-la, de corpo e alma, à juventude brasileira, que durante muito tempo foi esquecida e que agora nós queremos deixar para ela um futuro muito mais extraordinário do que aquele que nós recebemos dos nossos pais.

Portanto, eu acho que para todo o povo brasileiro mas, sobretudo, para a juventude é que nós deveríamos dedicar essa conquista extraordinária que o Brasil e o Rio de Janeiro tiveram aqui, hoje, em Copenhague.


Jornalista: Presidente Lula, como se sente por ter ganho do presidente Obama no primeiro round, na primeira rodada?

Presidente: Olhe, não fui eu que derrubei o Obama, não fui eu que derrotei o Obama. E o Obama não estava disputando, como eu não estava disputando. O que estava disputando, na verdade, eram dois projetos que tinham muita coisa técnica para ser discutida pelos especialistas do COI.

Então, na verdade, o Brasil, possivelmente por ter perdido muitas, e os Estados Unidos, possivelmente por terem ganho muitas, eles não tiveram a dedicação que teve o Nuzman, o Governador e o Prefeito, de preparar... Ou seja, na verdade, a derrota ensinou ao Rio de Janeiro, a derrota ensinou ao Brasil, e nós apresentamos uma proposta consistente, que envolveu o presidente da República, o governador do estado, o prefeito, ministro do Esporte, presidente da Câmara, presidente do Senado, ou seja, envolveu a sociedade brasileira.

Então, foi isso que derrotou Chicago. Nem o Lula ganhou, nem o Obama perdeu. Ou seja, o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida porque apresentou a melhor proposta para sediar a Olimpíada de 2016.


Jornalista: Presidente, Andrey Neto, O Estado de São Paulo. Presidente, o senhor mencionou há pouco, que o Rio de Janeiro e o Brasil tem desafios enormes e o senhor, particularmente, tem responsabilidades crescentes em relação a daqui para frente em função da vitória de hoje. Eu gostaria que o senhor comentasse quais são, no seu ponto de vista, os maiores desafios do Rio de Janeiro e do Brasil para que a Olimpíada de 2016 seja de fato a maior Olimpíada de todos os tempos?


Presidente: Olhe, primeiro, nós tivemos sorte porque nós começamos já, em 2003, a recuperar o Brasil do ponto de vista da sociedade, os números hoje, econômicos, os números sociais são exuberantes se a gente comparar com o que era há dez anos e ainda nós sabemos que falta muita coisa para ser feita. Nós temos investimentos de US$ 359 bilhões em infraestrutura até 2013. Nós, agora em janeiro de 2007, de 2010, vamos apresentar uma nova proposta de investimento em infraestrutura 2011/2015 e eu preciso fazer isso porque nós precisamos colocar no orçamento da União já dinheiro para ser gasto pelo próximo governo. Nós não queremos que o governo receba de mim aquilo que eu recebi, que eu tive que fazer um corte de 10 bilhões no Orçamento e mais 10 milhões de restos a pagar. Nós vamos querer deixar projeto e dinheiro prontos. Portanto, nós temos muitos investimentos em rodovias, ferrovias, metrô, aeroporto, portos, ou seja, nós temos consciência do que fazer, e eu acho que o desafio de você ter o que fazer e você ter o compromisso com a Copa do Mundo e o compromisso com a Olimpíada significa, definitivamente, que a gente vai ter que dormir menos horas, pensar mais e trabalhar mais. Portanto, a palavra de ordem agora nossa é "trabalho, trabalho e trabalho" para a gente fazer mais e melhor do que em qualquer outro momento da história do nosso País.

Eu saio em 2010, mas certamente esse moço continua, esse moço continua, certamente eles continuam e eu estarei como cidadão brasileiro dando a alma e o coração para que a gente faça o que a gente tem que fazer. Essa chance é um desafio, para nós, histórico e pode ficar certo de que nós não desperdiçaremos, vamos fazer uma coisa para todo mundo ficar admirando e respeitando mais o Brasil e o Rio de Janeiro. Essa vitória para mim é: o Brasil ganhou, definitivamente, a sua cidadania internacional. Nós não somos de segunda classe, somos de primeira classe, não tem nem ninguém melhor, nem ninguém pior, pode ter igual, é assim que nós queremos ser e essa vitória significa isso.

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