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Presidente: ...um dado aqui, antes da outra pergunta. A Olimpíada não se comprometeu a acabar com favelas. É importante saber que a favela no Rio de Janeiro, em São Paulo, Pernambuco, e Salvador é resultado das crises financeiras que o Brasil viveu durante décadas. Se o Brasil continuar crescendo, gerando empregos e distribuindo renda durante sete anos consecutivos, você pode ficar certo de que aquele povo que mora em barraco vai construir casas de alvenaria e que as favelas vão virar bairros.

Nós estamos com um investimento imenso em todas as capitais do País, não é apenas no Rio de Janeiro só por causa das Olimpíadas, ou por causa da Copa do Mundo. Nós não somos aqueles governantes que, quando vem uma visita estrangeira, a gente tira pobre da rua, não. Os pobres fazem parte deste país e nós queremos trabalhar para eles deixarem de ser pobres, não escondendo eles, mas dando oportunidade deles se formarem e deles trabalharem.

Eu peço a Deus que, quando a gente tiver na abertura das Olimpíadas, que a gente tenha bem menos gente morando em situações inadequadas como nós temos hoje e isso depende exclusivamente do crescimento econômico desse país e da continuidade dos investimentos que nós estamos fazendo. Se eu der um número para você, você anote esse número. Nós, hoje, estamos fazendo investimentos em Manguinhos, no Rio de Janeiro, de saneamento, dragagem e habitação, 400 milhões. É mais do que tudo que foi investido em 2002 em saneamento básico, em todo o território nacional. Em um bairro do Rio de Janeiro, nós estamos colocando mais dinheiro do que foi colocado em 2002 no Brasil inteiro.

Se você for ao Ceará, lá em Maragapinho, que eu fui agora. São 396 milhões em saneamento básico, é o dobro do que foi feito em 2002, para o Brasil inteiro. Agora, isso precisa ter continuidade para que a gente possa daqui a 7 ou 10 anos poder olhar onde era favela no Rio de Janeiro e dizer: as pessoas agora estão morando em bairros, com casa de alvenaria, com rua, com casa iluminada. É isso que nós estamos trabalhando. E não vamos jogar a responsabilidade disso na Copa do Mundo ou nas Olimpíadas. Isso é da responsabilidade da nossa governança e de quem vier depois de nós. Acho que nós temos que fazer um processo de reparação na irresponsabilidade que foi feito nos últimos 40 anos com o povo brasileiro. Na medida em que a economia não crescia, os pobres iam sendo afastados para a beira de córregos, para encosta de morros. E nós, agora, queremos mudar a vida dessa gente.


Jornalista: Maria Luíza Cavalcanti, da BBC Brasil. Uma pergunta que pode ser respondida por qualquer um dos senhores. Um dos grandes argumentos da vitória do Rio de Janeiro foi o argumento de se levar a Olimpíada para a América do Sul e...

Presidente: Está difícil para a gente ouvir, viu, Villanova.

Jornalista: Como?

Presidente: Está difícil para a gente ouvir.

___________: Um pouco mais alto.


Jornalista: Eu sou Maria Luíza Cavalcanti, da BBC Brasil... Porque eu estava aqui atrás, não é?


Presidente: (incompreensível)


Jornalista: Um dos grandes argumentos da candidatura do Rio e que, com certeza, levou à vitória também, ajudou levar à vitória, foi o argumento de que é a primeira Olimpíada a ser realizada na América do Sul. Então, eu queria saber se existe, que tipo de plano existe, de se incluir a América do Sul, os outros países da América do Sul na Olimpíada. Eu, como paulista, com família metade paraense, metade pernambucana, quero saber também que tipo de planos existe de se incluir outras cidades, outros estados brasileiros, de se promover essas outras cidades e outros estados também.

E uma pergunta para o Presidente: Presidente, parece que tudo que o senhor toca assim, no nível internacional, acaba levando o Brasil para um pouquinho mais para frente, um pouquinho mais valorizado. Eu pergunto se só não falta o Oscar na sua carreira, e se o senhor pretende trabalhar para tentar levar o Oscar para o Brasil no ano que vem, por exemplo?


Presidente: Olha, primeiro, eu fiquei muito satisfeito com a compreensão que os presidentes da América do Sul toda tiveram com a vitória do Brasil. Eu fui informado do discurso da Michelle Bachelet, eu fui informado do discurso do Chávez, do Alan Garcia, da Cristina, o Lugo me ligou ontem. Na verdade, os países da América do Sul estão sentindo que eles também ganharam, porque eles vão poder... você imagina a quantidade de argentinos que vão poder ir de carro assistir as Olimpíadas, a quantidade de uruguaios, de paraguaios, de peruanos, agora, com a Interoceânica, que liga o Acre a Lima.

Então, a possibilidade de a América do Sul participar será extraordinariamente possível desta vez. E eu acho que o Brasil inteiro, porque geograficamente a Olimpíada é na cidade do Rio de Janeiro, mas obviamente que o Brasil inteiro vai participar porque no País inteiro vão ser preparados os atletas, vão vir turistas para frequentar os estádios, para conhecer todas as praias. Então, eu acho que o Brasil ganha muito com isso.

A segunda pergunta, eu queria dizer para vocês o seguinte: nós estamos ainda nos beliscando para saber se é verdade que a gente ganhou. Depois de uma semana, nós vamos sentar - eu não ia falar, mas agora eu vou falar, por causa da pergunta - nós vamos fazer uma reunião, o governo federal, o governo estadual, o governo municipal, para começar a discutir junto com o COI os passos, as estratégias para a gente começar a trabalhar e nós vamos criar desde já, é só passar uma semana para a gente começar a colocar a cabeça no lugar e começar a trabalhar.

Bem, por que as coisas têm dado certo para o Brasil? Possivelmente, a diferença entre eu e outras pessoas que governaram o Brasil é que eu tenho que provar todo santo dia, porque se eu não provar as pessoas não me perdoam, de que o Brasil vai dar certo. Eu tenho que provar todo santo dia, talvez não tenha na história todo mundo que tenha que provar todo santo dia. Como eu acredito no Brasil e acredito cegamente de que o Brasil já poderia ser uma potência econômica se as pessoas que tivessem governado o Brasil, tivessem tido esse compromisso, porque o governante, ele não pode tudo, mas se ele quiser ele faz acontecer. Se a gente fosse esperar ter dinheiro no cofre para fazer PAC, a gente não faria o PAC. A gente não faria. O PAC foi uma decisão de coragem nossa. Se a gente fosse esperar ter dinheiro sobrando para fazer um Pronaf, a gente não teria o Pronaf. Ou seja, nós tomamos uma decisão, construímos uma unidade que nunca existiu no Brasil, entre os entes federados. E essa imagem a gente leva para fora. Eu não viajo para fora para falar mal do Brasil, eu viajo para falar das virtudes do Brasil. Que o Brasil não deve nada a ninguém, é só a gente acreditar nisso, é só acreditar, e o que eu faço é isso.

Muita gente me dizia ontem: "O Obama desceu aqui, o Obama vai ganhar, os Estados Unidos..." Não ganhou. A experiência milenar da Espanha não ganhou. A experiência milenar do Japão não ganhou. Quem ganhou foi quem se preparou melhor, quem estava com mais vontade de ganhar. Porque se você olhou nos olhos das outras apresentações, você não via o brilho de quem necessitava ganhar. Eles disputaram e nós viemos aqui para ganhar, foi a nossa delegação que chorou, foram os nossos atletas que choraram de emoção, antes, durante e depois. E é isso que a gente tenta fazer lá fora. Toda vez que eu abro a boca lá fora é com muito orgulho. Com muito orgulho e com muita crença de que o nosso país não é menor do que nenhum país. Então, eu acho que isso dá para a gente essa posição que e gente está conquistando e vamos conquistar mais, vamos conquistar mais, porque eu tenho dito que o século XXI será o século do Brasil e da América do Sul, pode ficar certo disso.

Nós entramos em um momento de conquista de autoestima, e as coisas dão certo no Brasil porque a gente vai atrás, a gente vai atrás. Na crise econômica (incompreensível) uma parte das pessoas que querem que o Brasil não dê certo, torcia para a crise econômica afundar o Brasil, eu diziam que ele ia afundar, e não afundou. O Brasil saiu mais forte, a indústria automobilística este ano vai bater o recorde histórico de produção de automóveis. E por que isso aconteceu? Porque nós não ficamos esperando a crise passar. Nós fizemos as coisas que tinham que fazer neste país. Isso está dando respeitabilidade.

Agora, a coisa mais sagrada é o que vocês estão vendo nessa mesa aqui. É que não tem disputa entre nós. Nós sabemos que nos nossos erros, o Brasil perde, o Rio perde e a cidade do Rio perde. E nós sabemos que nos nossos acertos, unidos como nós estamos, ganha o Brasil, ganha o Estado e ganha a sociedade. Eu acho que esse é o grande recado que a gente vai deixar: é que a gente tem que trabalhar juntos, somar o pouquinho que cada um tem, que vira um "poucão" e aí a gente começa a colher o resultado, é isso.


Jornalista: Presidente Lula, se alguém dissesse há 10 anos que o continente africano sediaria uma Copa do Mundo, e, a América do Sul, os Jogos Olímpicos, o que o senhor teria pensado, quais coisas esportivas hoje, aparentemente improváveis, que o senhor gostaria de ver realizado daqui a dez anos?


Presidente: Olha, eu primeiro... Primeiro, eu concordo com a pergunta. Era muito difícil você imaginar que a África do Sul fosse ganhar a Copa do Mundo. Como era muito difícil, há dez anos a gente imaginar que a gente poderia ganhar as Olimpíadas disputando com os Estados Unidos, com o Japão, ou seja, a primeira economia do mundo, a segunda economia do mundo, e de um país de tradição como a Espanha. Por que nós ganhamos? Eu acho que, além dos méritos da apresentação que nós fizemos, a cabeça dos dirigentes esportivos do mundo começaram a ficar arejadas, as pessoas estão percebendo que existem outros continentes, além do europeu, além da parte rica asiática, além da América do Norte. As pessoas estão começando a pensar e a perceber que existem coisas importantes fora desses continentes. Então, levar para África a Copa do Mundo é uma questão de justiça, porque senão não compensa você ter esporte em que os atletas são todos de origem pobre e as Copas do Mundo serem feitas em países ricos.

Eu lembro que quando nós entramos na disputa para 2014, eu lembro que tinha gente que dizia: "O Brasil não está preparado para fazer Copa do Mundo". É o tipo de gente que levanta de manhã, mesmo o sapato dele sendo velho, ele fala: "Não vai caber no meu pé". Lamentavelmente é isso. O cara é tão mal-humorado que fala: "Não vai caber no meu pé". E nem experimentou, foi alguém que tirou de noite, mas ele tem que acordar contestando alguma coisa. Então, se o Brasil tinha feito uma Copa do Mundo de 50, se o México fez duas, se a Argentina fez, por que o Brasil não poderia fazer uma Copa do Mundo? Ora, por que o Brasil não pode fazer uma Olimpíada? Então, a minha tese é a seguinte: eu sou de uma região que quando a gente não morre até cinco anos de idade e porque a gente vai vencer as coisas.

Então, quem como nós aqui ganhou cada coisa batalhando, aqui fica (incompreensível). E eu acho que daqui a dez anos, o Brasil será uma economia muito forte, podem ficar certos, daqui a dez anos nós estaremos no auge da exploração do pré-sal. Vocês viram o Meirelles citando ontem que, segundo o Banco Mundial, em 2016 o Brasil pode ser a quinta economia do mundo. Significa que nós vamos ficar atrás dos Estados Unidos, do Japão, da Alemanha e da China. Significa que o potencial é esse mesmo. Então, eu acho que daqui a dez anos, você me perguntou o que eu quero daqui a dez anos. Daqui a dez anos eu quero que o Brasil seja uma potência olímpica, nós temos condições para isso, temos condições para isso. Eu quero que o Brasil esteja muito melhor, que o Brasil seja campeão em 2014, que o Brasil seja campeão do mundo em 2018, que o Brasil seja campeão... Nós vamos ganhar pela primeira vez uma medalha de ouro no futebol nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Se essa molecada não ganhar, nós vamos dar cascudo neles. (incompreensível) Tem que ganhar agora. Nós vamos pegar os pais de cada um para ver eles jogarem, para que eles...

Então, eu acho que essa coisa de o esporte estar se popularizando nos países mais pobres... um país como a Nigéria tem 140 milhões de habitantes, tem uma relação comercial com o Brasil de US$ 8 bilhões. Ora, como é que um país desse não pode realizar uma Copa do Mundo? E aí os países ricos também podem contribuir financiando os países pobres a ter, porque isso estimula a sociedade. E no Brasil... no Brasil e na América do Sul tem uma vantagem que não tem na Europa: a juventude.

Você imagina qual vai ser o clima na cabeça da juventude, na perspectiva de poder participar, de participar até indiretamente, participar diretamente, vai ser uma coisa extraordinária. Eu estou, agora... daqui a sete anos, eu estou com 63, vou estar com 70, se duvidarem até vou disputar uma medalha da terceira idade, alguma coisa lá, jogar dominó, qualquer coisa que não precise fazer muito esforço físico. Então, eu acho que é isso. Acho que o Comitê Olímpico desde a demonstração extraordinária de que eles estão democratizando as decisões e (incompreensível).

Primeiro, a América do Sul, quem sabe, daqui a uns dez anos vai ter uma Olimpíada na África? Aí, seria o máximo.


Jornalista: Karina Dourado, da TV Brasil. Presidente, eu queria saber se essa vitória do Rio possibilita abrir portas para o Brasil, politicamente falando, no mundo, como a questão da vaga no Conselho de Segurança da ONU e outras posições que o Brasil pleiteia. E também se o apoio que a França deu nos bastidores aí também tentando convencer o pessoal a votar no Rio, foi fundamental para essa vitória brasileira.


Presidente: Olhe, vamos ver o seguinte: nós tivemos 66 votos, a Espanha teve 32. Na primeira rodada, nós tivemos 26 e a Espanha 28. Significa que nós crescemos 40 votos e a Espanha cresceu quatro, não é? Então, o apoio de um país como a França foi extraordinário, e a França não escondia que era Brasil desde criancinha, isso bem antes, que os franceses já tinham assumido o compromisso com o Brasil. E muita gente da Europa votou no Brasil, muita gente da Europa votou no Brasil. Porque o Comitê entendia, num primeiro momento, que não era justo fazer 2012 em Londres e repetir 2016 na própria Europa. Esse foi um fator que levou a Espanha à derrota. Então todos, tanto Chicago, quanto o Japão, que não foram para a final votaram no Brasil.

Eu queria aproveitar a sua pergunta para dizer o seguinte: olhe, eu sei que não é fácil o primeiro-ministro japonês, o presidente Obama, e o Zapatero voltarem para o seu país com uma derrota. Eu fico imaginando se fosse eu. Eu fico imaginando as manchetes, se eu tivesse perdido. Eu fico imaginando as manchetes, se eu tivesse perdido. Então eu... Não, não tinha nem coletiva, vocês nem teriam vindo aqui para a coletiva. Eu vi, eu vi... Eu quero aproveitar para dizer, olha, que acho que o presidente Obama foi... teve um comportamento extraordinário. Eu vi uma entrevista dele, ontem, já parabenizando o Brasil, dizendo que foi importante que veio para a América do Sul. Eu sei que ele vai apanhar muito da imprensa americana. Mas eu penso que o Obama, ele tem apenas nove meses de mandato, ele tem tudo pela frente e o fato de ter... o fato de os Estados Unidos não ter ganho, os Estados Unidos também tem que se conformar, porque não pode ganhar tudo. E assim vale para o Zapatero, e vale para o Hatoyama.

Agora, um pouquinho de segurança da ONU, para mim é uma questão de tempo. Ele está tão maduro, ele está tão maduro, que é uma questão de tempo. Eu não sei se vai acontecer ainda no meu mandato, mas certamente nunca esteve tão maduro e tem uma compreensão do mundo inteiro. O problema é que quem está lá, não quer largar ou não quer mais gente. Você está em um time que tem cinco... É como o G-8, o G-8 existe há trinta e poucos anos. Quando a gente constrói o G-20, eu não sei o G-8 vai acabar. Eles estão tão acostumados a fazer as reuniões e decidirem que eles podem querer continuar. Mas o fórum que vai decidir sobre economia é o G-20.

Então eu acho que nós estamos perto, muito perto de... não apenas para o Brasil , porque nós não reivindicamos para o Brasil. O Brasil quer participar, mas o que nós reivindicamos é uma reforma. Que tenha países africano, que tenha países latino-americanos, que tenha a Índia, que tenha a Alemanha, é isso que nós reivindicamos e eu acho que vamos conquistar também. O Nuzman vai ter que sair, porque (incompreensível) é capaz de reabrirem a contagem lá. Pode ir lá.

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