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Jornalista: Presidente Lula, eu queria saber o seguinte: o Greenpeace estava aí à porta quando o senhor chegou, não sei se chegou a ver...

Presidente: Eu cumprimentei.

Presidente: Pedindo que fosse a Copenhague, já vai lá, todo mundo sabe, mas, ao mesmo tempo, pedindo que o Brasil fosse muito mais ambicioso na meta de reflorestamento, reflorestação, do desmatamento, do que é a proposta do Plano Nacional do... Pede zero até 2015, quando o Plano fala em 80% até 2020. É possível o Brasil ser mais ambicioso nessa questão?

Presidente Durão Barroso:__________

Presidente: Eu vou... Depois, a imprensa brasileira deve receber a declaração conjunta, para que vocês extraiam daqui tudo o que nós fizemos de bom e de ruim nesta negociação.

Primeiro, a pergunta se o Brasil pode assumir o compromisso de desmatamento zero. Eu acho que nem se o Brasil fosse careca poderia assumir o desmatamento zero, porque sempre vai haver alguém que vai cortar alguma coisa. O que o Brasil está fazendo é algo muito revolucionário e muito forte, porque nós já tivemos, este ano, o menor desmatamento dos últimos 20 anos e estamos assumindo o compromisso de, até 2017, reduzir 70%, até 2020, reduzir 80% do desmatamento, ou seja, é uma meta que vai precisar de um esforço incomensurável da sociedade brasileira para que a gente possa cumpri-la.

Agora, eu penso que a discussão que nós vamos ter, daqui para frente, ela não pode ser tão simplista, ela precisa ser mais profunda. Nós vamos ter que chegar a Copenhague sabendo concretamente quanto cada país emite de gás de efeito estufa. Nós queremos saber, desde o menor país africano, Guiné-Bissau, por exemplo, que não deve emitir nada, até os Estados Unidos. Nós queremos saber do Brasil até a Suécia; nós queremos saber da Argentina até a Alemanha, até a França, para que cada um assuma a responsabilidade pelo mal que está causando, ou pelo benefício que vai causar. Porque a partir do momento em que a gente souber quanto emite um país do tamanho dos Estados Unidos, ou um país do tamanho da China, a gente vai ficar sabendo também quanto eles sequestram e qual é a tarefa que ele tem que cumprir a partir dali. A tarefa ou de reflorestar, ou de diminuir a emissão de gases, ou de financiar para que outros países possam diminuir as emissões.

Então, eu acho que Copenhague é muito importante exatamente por isso: porque nós vamos parar de falar de forma genérica e vamos saber, a partir de então, como cobrar de cada país para cumprir com o seu papel. Se cada um tiver uma meta... E o Brasil apresentou, no seu Plano, uma meta, o Brasil já mandou para o Congresso a proposta de zoneamento agroecológico, demarcando claramente quais as áreas que você pode plantar cana-de-açúcar ou não. Vamos fazer o zoneamento agroecológico do dendê, para saber onde se pode plantar a palma africana. Vamos ter uma política de recuperação de todas as terras degradadas.

Agora, é importante que verdadeiramente cada um cumpra com as suas obrigações, porque eu acho que se cada um fizer a lição de casa, nós todos teremos muito mais tranquilidade daqui para frente.

Presidente Durão Barroso:__________

____________: (inglês)

____________:

Jornalista: Presidente Lula, irá participar pessoalmente na reunião de Copenhague, não? Por quê?

Presidente: A ideia é que a gente participe no maior número possível de dirigentes mundiais. Obviamente que se não for nenhum dirigente mundial, eu também não iria, iria o Ministério de Relações Exteriores, iria um grupo de brasileiros. Mas eu trabalho com a ideia de que vários presidentes compareçam, entre o dia 16 e o dia 17, mais ou menos, de dezembro, a Copenhague, para que a gente possa fazer uma discussão de fundo. Ou seja, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse bem: quando nós fizemos a reunião do G-8... G-5, em Tóquio, eu propus que a ONU assumisse a responsabilidade de qualificar e criar até um tipo de PNUD para cuidar só de meio ambiente, que é para a gente ter uma referência única no mundo e a gente começar a trabalhar em cima de número, para que não fique trabalhando... Cada país tem seu número, cada departamento de energia tem seu número, cada um cita o número que quiser.

Então, o que nós queremos é ter uma fonte única que balize as informações para a Suécia, que balize as informações para o Brasil e para qualquer país do mundo para, a partir daí, a gente, então, assumir cada um a sua responsabilidade.

E eu penso que a ida dos líderes a Copenhague seria bom por isso: para você começar a deixar de discutir de forma genérica e cada um assumir a sua função no tratamento da questão do aquecimento global. Por isso que eu tenho interesse de ir, porque eu acho que nós estamos deixando passar anos... eu, já faço cinco ou seis reuniões de líderes que a gente ensaia discutir, a gente não aprofunda, ensaia discutir e não aprofunda a questão climática e a questão da Rodada de Doha. Em algum momento a gente tem que colocar um fim nisso, para que a gente comece a pensar em outras coisas.

A Rodada de Doha estava quase concluída, no final do ano passado, entre a União Europeia e o Brasil estava totalmente certo, mas aí tivemos o problema da eleição nos Estados Unidos, que o presidente Bush não quis avançar o sinal, e depois teve o problema da eleição na Índia, em que também não quiseram mexer, nós paramos e já perdemos um ano e não conseguimos concluir o acordo que já poderia estar feito.

Jornalista: (falha na gravação) brasileira em Honduras. Como é e como vê uma solução dessa crise?

Presidente: Olha, para nós a solução da crise seria simples se o golpista saísse do poder, deixasse o presidente legítimo assumir. As eleições serão em novembro, estaria resolvido, porque Honduras precisa de tranquilidade e de paz.
Na verdade, o presidente Zelaya está na Embaixada brasileira como hóspede, porque ele não tem nenhum estatuto de exilado, não tem nada. Ele chegou à Embaixada e, nós, obviamente, que não íamos deixá-lo desamparado, até porque as embaixadas historicamente no mundo inteiro salvaram muita gente. Eu lembro que quando houve o golpe do Pinochet, no Chile, que o Chile rompeu com Cuba, quem ficou tomando conta da Embaixada de Cuba foi o embaixador sueco. E lá dentro estava cheio de gente perseguida, gente inclusive com armas, e nem o Pinochet teve coragem de invadir a Embaixada cubana, que estava sem embaixador cubano, mas sob a guarda da Embaixada da Suécia.

Então, eu penso que só tem uma coisa errada em Honduras: É estar na Presidência quem não deveria estar... a única coisa errada... Se ele sair, volta à normalidade. Se ele sair e permitir que o Presidente assuma e convoque novas eleições, todo mundo vai mandar a Embaixada para lá outra vez..., todo mundo vai tirar todas as punições que tiveram, porque nós queremos que Honduras sobreviva bem, que o povo viva bem... Agora, enquanto tiver um golpista lá, nós não temos o que fazer, a não ser exigir que ele saia para que o povo de Honduras possa ter o seu presidente legitimamente eleito de volta ao poder.

Jornalista: Boa tarde, Floriano Filho, TV Brasil.

Jornalista: (em inglês)

(Durão Barroso)

Jornalista: ...Presidente Barroso, nós estivemos lá com o presidente Barroso em Bruxelas, e eu fiz, na ocasião, uma pergunta sobre a questão de comércio. A Europa pretende que o Brasil abra o setor industrial para acesso a mercados no Brasil. Por que o Brasil não pode exportar carros, por exemplo, flex-fuel e aviões aqui para a Europa? Há algum impedimento para isso, alguma barreira, é questão de subsídio, é questão de tarifa?

E, por fim, para o presidente Lula, a questão dos caças, Presidente. O senhor está aqui na Suécia agora, a Suécia é um país que está concorrendo também. E não houve um anúncio oficial, mas houve uma grande crença de que os franceses seriam escolhidos. Há alguma coisa nova nessa área, ou os suecos ainda têm chances?

Presidente Durão Barroso:____________

Presidente: Voltando à questão do clima, eu queria dizer o seguinte, antes de responder a dos caças, eu queria dizer que primeiro: eu gostaria que todos os países do mundo tivessem a matriz energética tão limpa quanto o Brasil tem. Nós temos uma matriz energética geral da ordem de 47% de energia limpa, enquanto que o resto do mundo tem 12%. Segundo, nós temos 85% da nossa matriz de energia elétrica renovável. Terceiro, os nossos carros utilizam, no mínimo, 25% de etanol. Com o flex-fuel, 85% dos carros produzidos no Brasil já são flex-fuel, portanto são carros muito despoluentes. Eu, se pudesse, ia trazer um carro a etanol lá para Copenhague e ficar medindo a emissão de gases do carro a etanol e do carro a gasolina para ver quem é que tem mais responsabilidade por isso.

Agora, eu acho que nós chegamos a uma fase em que não adianta mais a gente ficar culpando quem é o culpado, porque tem uma divergência que vocês acompanham pela imprensa, a Europa se dispõe a fazer uma redução, tendo como data-base os anos 90. Os Estados Unidos querem 2005, não é? É preciso levar em conta que a China não pode pagar o mesmo preço que pagou a Inglaterra, que começou a industrialização há 200 anos. Então, é preciso que haja essa política de... uma certa leveza nas nossas discussões, para que a gente não tente recuperar em um dia o que estragamos em 200 anos, mas que a gente tenha o compromisso de que, nos próximos anos, nós vamos ser mais delicados com o Planeta. Não é porque nós não vamos... Eu, certamente, não estarei lá, mas muita gente jovem pode estar lá, se o aquecimento chegar a aumentar 2% ou 3%, ou seja, vai saber o que vai acontecer.

Então, eu penso que nós temos que cuidar. Cada ser humano do Planeta Terra precisa começar a ser fiscal, porque quando uma pessoa, ou uma empresa, ou um Estado cria problemas todos pagarão. Acabou o tempo em que uma pessoa poluía um rio e não acontecia nada. Acabou, porque todo mundo agora está percebendo que ele também tem direito e tem que ser tratado com dignidade.

Então, tem uma evolução. Se a gente resolver um pouco a situação dos Estados Unidos em um acordo e se o Obama conseguir convencer o Congresso Nacional e o Senado, as coisas podem avançar. Se a China... e nós precisamos conversar muito com a China, conversar muito com a Índia, a gente começa a resolver. O que eu acho é que se a gente analisar o tipo de conversa que a gente está tendo hoje com o que a gente tinha há cinco anos, a evolução é extraordinária, porque agora nós já estamos aceitando conversar, antes a gente não aceitava conversar.

Com relação aos caças. Veja, nós temos um processo no Brasil, tem três propostas. Eu não conversei ainda com o Primeiro-Ministro, recebi uma carta do primeiro-ministro (incompreensível). Oficialmente, eu não conheço a proposta. A única proposta que eu recebi textualmente, que queria negociar, foi a visita do Sarkozy ao Brasil. Certamente, nos próximos dias ou, quem sabe, nas próximas semanas, eu deverei receber, do Ministério da Defesa, uma análise. Nós temos algumas condições. E vamos ver o que vai acontecer.

Ou seja, eu acho que o Brasil tem a necessidade, porque nós temos que tomar conta do nosso pré-sal, nós temos que tomar conta da nossa Amazônia, nós temos 15 mil quilômetros de fronteiras secas e 8 mil quilômetros de costa marítima. Está cheio de piratas. Hoje eu vi, aí, na televisão, piratas sequestrando navio aí, pelo lado da Somália, daqui a pouco aparece um pirata para pegar o nosso pré-sal. Então, nós temos que nos cuidar.

Mas isso, também, eu vou fazer sem a pressa necessária, porque eu tenho que compatibilizar a situação econômica do País, as necessidades sociais com os investimentos dessa natureza. Pode ficar tranquilo, que nós vamos fazer a coisa serena, com muito cuidado, e, no momento certo, nós vamos decidir.

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