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___________: Os jornalistas farão agora quatro perguntas. Passo a palavra ao jornalista Aldo Gamboa, da AFP, para a primeira pergunta.

Jornalista: Boa tarde, Presidentes. Gostaria de fazer uma pergunta para o presidente Peres, por favor. O senhor mencionou ontem, no Congresso brasileiro, que o governo de Israel estava disposto a fazer concessões dolorosas e necessárias para o processo de paz na região. Inclusive, fez um chamado (incompreensível) para um novo esforço negociador. Gostaria de saber, Presidente: essas concessões dolorosas e necessárias consistem em que, especificamente? Se se referem à suspensão de assentamentos, por exemplo? E quais são as contrapartidas que o governo de Israel espera da Liderança Palestina, para que esse processo possa avançar? Muito obrigado.

Presidente Shimon Peres:___________

Jornalista: Senhor Presidente, se o Brasil se considera amigo de Israel, como é que nós, israelenses, deveríamos perceber o fato de o Brasil acolher o Presidente do Irã que, em toda oportunidade que tem, nega o Holocausto e conclama pela destruição de Israel?

Presidente: Bem, por uma razão muito simples: você não constrói a paz necessária de ser construída no Oriente Médio se você não conversar com todas as forças políticas e religiosas que querem paz e que se opõem à paz, porque senão você transforma o processo negocial em um clube de amigos em que todos estão concordando com uma coisa, e os que discordam ficam de fora e, portanto, a paz não será possível nunca.

Eu estou convencido, e vou confessar uma coisa para vocês: eu, em 1993, fui a uma visita a Israel. Eu era presidente do Partido dos Trabalhadores. Depois que eu fui a Israel, no ano seguinte fui a Túnis e me encontrei com presidente Arafat.

Eu disse ao presidente Shimon Peres que eu, depois de encontrá-lo e de encontrar o Arafat, eu firmei na minha cabeça uma convicção de que naquele momento, se houvesse possibilidade de ter paz no Oriente Médio, seria pelo papel importante, pela respeitabilidade do Shimon Peres e do Arafat. Lamentavelmente, o Arafat já se foi. Nós temos, agora, apenas 50% dos 100% de possibilidade que nós tínhamos, com a junção dos dois.

Mas, agora precisamos conversar mais. Nós precisamos encontrar mais interlocutores que queiram ajudar na construção da paz no Oriente Médio. E, aí, nós não temos veto a conversar com quem quer que seja, desde que daquela conversa você extraia uma palavra ou apenas uma vírgula que possa contribuir para que a gente possa, definitivamente, construir uma paz duradoura e para sempre, no Oriente Médio.

Jornalista: Senhores Presidentes, eu acho que a resposta do presidente Lula talvez já resolva, satisfaça bem a pergunta que eu teria ao presidente Shimon Peres. Eu vou adiantar e fazer mais uma pergunta ao presidente Lula, e pedir desculpa porque eu vou fugir do tema e vou tratar de um acontecimento que foi importantíssimo para nós no Brasil, hoje. Sinto muito. É o apagão de algumas horas nesta noite, Presidente.

Alguns especialistas associam esse fato a... associam ele muito aos apagões que houve na época do presidente Fernando Henrique Cardoso, há alguns anos. O senhor acha que, novamente, seria a falta de investimento em infraestrutura que teria levado a mais este apagão, e estaríamos diante do risco de uma série, uma nova sequência?

Presidente: Estou esperando que haja uma reunião entre a Aneel, a ONS, o Ministério de Minas e Energia e os diretores das empresas que compõem o Sistema Eletrobrás no Brasil, para que a gente possa detectar o incidente que houve na questão da energia, no Brasil.

Eu vou lhe dar um número, apenas para você registrar: primeiro, nós não tivemos falta de geração de energia. A energia começou, continuou sendo gerada, e nós tivemos um problema na linha de transmissão, e não detectamos ainda qual o exato local em que tivemos o problema. É importante que a gente não faça de uma coisa dessas nenhuma tese; que a gente constate o fato e, com o fato, a gente possa melhor informar à sociedade brasileira.

O que aconteceu em 2001 era que a gente não produzia energia suficiente. Ainda mais: além de não produzir o suficiente, a gente não tinha linha de transmissão para interligar todo o sistema elétrico brasileiro.

Hoje, nós estamos com o sistema elétrico brasileiro todo interligado. Nesses últimos sete anos, o que nós fizemos de linha de transmissão no Brasil equivale a aproximadamente 30% de tudo o que foi feito em 123 anos no País. Portanto, nós fizemos não apenas um forte investimento no setor de transmissão de energia, como fizemos um forte investimento na modernização do sistema energético brasileiro.

Então, nós estamos esperando. Eu, sinceramente, não posso dizer que foi um raio, não posso dizer que foi um vento, não posso dizer que foi um erro humano, enquanto eu não tiver a informação concreta e objetiva do que aconteceu. Até agora há pouco eu falei com o Lobão, falei à uma e meia da manhã, falei às sete horas da manhã, ou seja, a gente não tinha ainda o retrato fiel do que aconteceu.

Duas coisas estão certas: não faltou geração de energia e o problema não foi de falta de linha para interligar, porque elas estão interligadas. Também não quero culpar ninguém, antecipadamente. Possivelmente, até o final da tarde a gente tenha a informação, porque tem que juntar todos os mapas de cada empresa que cuida de cada parte do Brasil, para que a gente possa saber concretamente o que está acontecendo.

Agora, além disso, se eu falar, eu estou chutando, e eu não vou chutar neste assunto. A única coisa que eu posso te dizer é que em apenas sete anos nós fizemos 30% das linhas de transmissão, de tudo o que foi feito em 123 anos neste país.

Jornalista: Presidente Lula, não precisa de tradução. Junto com o presidente Peres vem uma delegação muito grande de homens de negócios de Israel, muitos deles especialistas do campo da segurança. É certo o que se está a falar, que é possível que a (falha no áudio) Federal brasileira compre veículos aéreos não tripulados, aviões sem piloto, para proteger as fronteiras do Brasil e, talvez, pensando na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos? Obrigado.

Presidente: Não apenas pensando na Copa do Mundo. Isso já vem sendo testado pelo Ministério da Justiça há algum tempo. Nós temos aviões em teste e temos interesse em fazer acordo com Israel. O nosso Ministro da Justiça me comunicava, antes de eu chegar à reunião, que as tratativas estão muito avançadas e nós, certamente, iremos concluí-las para que a gente possa ter um avião especializado, não tripulado, para cuidar das nossas fronteiras.

É uma peça extremamente importante, e um país que tem mais de 15 mil quilômetros de fronteira seca, mais de 8 mil quilômetros de costa marítima, precisa de um aparelho desses.
Está encerrada a entrevista.

Presidente Shimon Peres:____________

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