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Jornalista: Senhores presidentes, a União Europeia e o Brasil estão na liderança da luta contra o aquecimento global, vemos bem. Mas, infelizmente, ainda estamos esperando as propostas dos Estados Unidos, da China e da Índia. Pois bem, se as coisas não correrem como nós esperamos e queremos, vão ficar satisfeitos com um acordo de princípio, apenas, em Copenhague, ou seja, sem nenhum elemento que crie obrigações?

Presidente: Eu penso que esse documento assinado pelo presidente Sarkozy e por mim, ele é mais do que uma carta de princípio. Eu acho que ele passa a ser a nossa a ser a nossa bíblia climática. Ou seja, e nós, obviamente, que vamos para Copenhague e vamos nas reuniões subsequentes que fizermos com os outros países, balizá-los para um paradigma próximo disso aqui ou igual isso aqui. E nós sabemos que vai precisar de muita disputa.

O dado concreto é que eu tenho clareza absoluta que hoje a humanidade, as pessoas que estão discutindo a questão ambiental no mundo e as pessoas sérias estão de acordo com os princípios que estão colocados neste documento e querendo torná-los realidade. Hoje, é Brasil e França, amanhã pode ser o mundo inteiro assinando um documento desse.

Jornalista: O senhor pensa em dar alguma garantia de que o Brasil, efetivamente, vai cumprir essas metas?

Presidente: Olhe, a garantia que um chefe de Estado pode dar é o documento que nós fizemos ser consenso na sociedade brasileira e, sobretudo, nas instituições que cuidam da questão climática, no Brasil, e, ao mesmo tempo, esse documento ser tornado público.

Ou seja, eu tenho apenas mais um ano de mandato. O que está colocado não é para o presidente Lula fazer, é para o Brasil fazer, são para os agricultores fazerem, para os prefeitos, para os governadores de estado, para o Congresso Nacional, para os agricultores pequenos e grandes. É um compromisso patriótico do nosso país.

E eu vou dizer para você como é possível atingir isso: o desmatamento que a ministra Dilma disse aqui, que foi reduzido, na Amazônia, de 12.900 para 7 mil quilômetros, é o que estava previsto para 2014. Portanto, nós antecipamos em praticamente 4 anos o desmatamento. Da mesma forma que nós antecipamos em 3 anos o biodiesel, que estava previsto 5% de biodiesel no óleo diesel brasileiro, em 2013, e nós agora, a partir de 1º de dezembro de 2010, vamos começar a utilizar o B5. E, mais ainda, nós vamos antecipar em muitos anos uma outra meta, que é o cumprimento das Metas do Milênio na maioria dos itens que as Nações Unidas avocou. Portanto, nós estamos convencidos que se os brasileiros tomarem isso como uma bandeira, nós iremos surpreender o mundo fazendo mais rápido e, quem sabe, fazendo até mais.

Esse desmatamento, é importante a imprensa brasileira compreender: quando nós tomamos a decisão de que não adiantava nós ficarmos punindo prefeito, brigando com governador, e chamamos os governadores, e chamamos os prefeitos, e construímos uma parceria com eles, dando benefícios e condições materiais para que os prefeitos pudessem ser os fiscais... Ontem, eu participei de uma reunião com 43 prefeitos das áreas que mais desmatavam no Brasil. E os prefeitos estão em festa, porque eles passaram a compreender que o não desmatamento é uma vantagem comparativa para o desenvolvimento dos seus municípios. Então, em vez de tapas, chamego, e a gente resolve o problema.

Jornalista: Lula, vai a Roma, agora? Vai fazer a extradição de Cesare Battisti, que começou uma greve de fome e que disse estar pronto de ir até a morte?

Presidente: Olha, eu, se fosse o Batistti não começaria greve de fome, porque eu fiz greve de fome, é ruim. Eu fiz seis dias de greve de fome e não aconselho ninguém a fazer greve de fome.

Veja, eu acho que o presidente da República do Brasil pouco pode fazer quando o processo está na mão da instância superior da Justiça brasileira. O processo do Batistti está no Supremo Tribunal Federal e eu tenho que esperar a decisão da Suprema Corte para saber se sobra alguma coisa para a Presidência da República fazer.

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