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_________: Passo a palavra ao jornalista Samir (incompreensível), da Folha de São Paulo.

Jornalista: Eu queria saber do presidente Lula por que o senhor insiste em mediar uma controvérsia na área nuclear, na qual uma das partes, a do governo iraniano, resiste e não quer assinar a última proposta oferecida pela AIEA?

Presidente: Bem, primeiro, o Brasil não insiste. O Brasil tem um modelo de desenvolvimento de energia nuclear reconhecido pelas Nações Unidas e pela Agência que cuida da questão nuclear e, ao mesmo tempo, nós conhecemos a polêmica que existe, em função do mesmo desenvolvimento acontecido no Irã.

O que nós temos defendido, há muito tempo, é que o Irã tenha o direito de desenvolver o enriquecimento do Urânio para a produção de energia, portanto, para fins pacíficos, tanto quanto o Brasil está desenvolvendo. É simples, e eu penso que o presidente Ahmadinejad é que pode dizer a respeito do modelo do Irã, que ele já me colocou duas vezes, hoje e lá em Nova Iorque, e eu acho que aquilo que o Brasil defende para nós, nós defendemos para os outros.

__________: Passo a palavra à jornalista (incompreensível), News Agency.

Jornalista: Minha pergunta se dirige ao distinto presidente do Brasil. Senhor Presidente, o senhor conversou com o presidente do Irã por três horas e pergunto-lhe: qual é a sua estratégia para desenvolver ou fomentar relações de trabalho com o Brasil? Gostaria também de saber sobre as suas posições a respeito das estruturas do mundo contemporâneo e da ordem ou conjuntura atual.

Presidente: Bem, primeiro, eu acredito que a relação entre Brasil e Irã, depois da visita do presidente Ahmadinejad, pode melhorar muito, não apenas pelos acordos que nós assinamos hoje mas, sobretudo, pela perspectiva de trabalho que os nossos Ministros da Ciência e Tecnologia, da Agricultura, da Indústria e Comércio, de Minas e Energia, coordenados pelo Ministério das Relações Exteriores possam fazer, de trabalho, até a nossa visita ao Irã, possivelmente no mês de abril ou no mês de maio.

São duas grandes nações, uma nação com 80 milhões de habitantes, outra nação com 190 milhões de habitantes, com um poder de desenvolvimento extraordinário, com muita similaridade no modelo de desenvolvimento, e nós precisamos explorar isso com muito vigor, daqui para frente.

Daí porque o meu otimismo de que as relações entre Irã e Brasil poderão melhorar significativamente. Já no começo do mês de abril, o ministro Miguel Jorge, da Indústria e Comércio, irá fazer uma visita ao Irã, com uma delegação de empresários brasileiros. Mas entre hoje e o mês de abril, eu espero que os técnicos dos nossos ministérios que eu citei aqui possam receber gente do Irã e levar gente ao Irã, para que a gente possa estabelecer uma meta mais ousada no fluxo da balança comercial com o Irã. Então, eu estou muito otimista.

Com relação à perspectiva para o futuro, eu tenho duas certezas que vão nortear o meu último ano de mandato. A primeira é que, depois da crise econômica mundial, certamente a ordem econômica mundial não será mais a mesma diante da crise, por uma simples razão: já tem muita gente acreditando que o mercado, por si só, não resolverá o problema das sociedades, não resolverá o problema dos países e, portanto, é necessário que o Estado tenha um papel importante, de um lado, de indutor, de outro lado, de fiscalizador ou regulador, sobretudo, do sistema financeiro.

Segundo, que eu trabalho para a construção da paz no mundo. Eu acredito firmemente que nós poderemos ter um mundo de paz, porque a guerra não leva ao desenvolvimento, não leva ao progresso, não leva à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Por isso, eu defendo a paz no Oriente Médio, defendo o Estado Palestino, defendo o Estado de Israel, defendo... ou seja, que todos possam viver em harmonia, no mundo contemporâneo que precisa muito de paz.

Essa é uma posição do Brasil. E exatamente por isso nós temos defendido, ao longo dos últimos 15 anos, a necessidade da mudança das Nações Unidas, com uma reforma profunda no Conselho de Segurança, como membros permanentes, para que todos os continentes estejam representados no Conselho de Segurança e para que as decisões possam ser tomadas com base em uma realidade contemporânea, e não tomadas na realidade de um mundo político de 1948.

Portanto, se a jornalista iraniana quiser levar do Brasil a imagem do presidente mais otimista do mundo, pode levar a minha imagem, porque eu tenho razões de sobra para acreditar, com muito otimismo, que nós vamos construir um mundo muito mais justo nos próximos anos.

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