Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

 

Presidente: Eu vou falar um pouquinho, rápido, com vocês. Depois, o Guido me desculpe, eu vou para o hotel buscar a dona Marisa e o Guido vai direto para o aeroporto. Ele e o Marcos ficam aqui, para que vocês destrinchem com eles o que aconteceu.

Primeiro, a reunião do G-20 talvez tenha sido a mais importante que nós já tivemos até agora. Ou seja, é como se nós estivéssemos subindo em uma escada: a de Washington foi o primeiro degrau; em Londres havia um ceticismo, que o G-20 não ia produzir nada, e nós avançamos de forma extraordinária. E hoje eu acho que houve a consagração do G-20 como um fórum institucional para cuidar das questões econômicas. Essa foi uma decisão para mim, extremamente importante.

A segunda decisão importante foi a regulação do setor financeiro. E há acordo de todos os presidentes de que o sistema financeiro precisa ser regulado para não cometer os desatinos que cometeram no ano passado, permitindo que a crise acontecesse.

Depois, uma outra coisa importante que nós decidimos é que nós estamos caminhando rápido para uma nova ordem econômica mundial. Ou seja, nós tomamos a decisão de que nenhum país tem que parar políticas anticíclicas que a gente vinha tomando. Deixamos claro que a crise não acabou, ela está menos em alguns países mas está mais forte em outros países, portanto é importante que a gente não se descuide da prioridade de uma política econômica que faça o país se desenvolver.

Eu saio dessa reunião com a convicção de que o G-20 passa a cumprir um papel excepcional nessa nova ordem econômica, na regulação do sistema financeiro, em estabelecer regras para cuidar da geração de empregos, porque uma das preocupações é que a volta do crescimento necessariamente não significa a volta dos empregos, portanto, é preciso que haja investimentos nos setores que geram empregos. Eu até citei o exemplo do Brasil, de que este ano, com a recuperação econômica, nós vamos chegar no final do ano com aproximadamente um milhão de empregos novos com carteira profissional assinada.

E eu penso que o G-20 está consagrado como fórum que vai discutir os assuntos econômicos daqui para a frente. Isso não quer dizer que vai acabar o G-8, isso não quer dizer que vai acabar o G-5, que vai acabar o (incompreensível), o G-14, ou seja, os países têm liberdade de fazerem quantas reuniões quiserem fazer, mas o G-20 é o fórum que vai discutir as questões econômicas daqui para a frente. E isso por unanimidade, aprovado por todos os países.

Eu acho que esses foram os pontos mais importantes que a gente teve. Houve uma melhora na participação dos países, tanto no FMI quanto no Banco Mundial. Nós reivindicávamos um aumento de cota de 7%, foi aprovado 5%. No Banco Mundial, nós apoiávamos 6, foi aprovado 3. E eu acho que foi um avanço extraordinário.

Só para vocês terem ideia do avanço que os meninos das negociações conseguiram, ontem a reunião terminou, o jantar, dez e meia da noite, o presidente Obama dizendo que o Banco Mundial, nós não tínhamos conseguido avançar, que ficava para o próximo ano a gente ter a regulação. Quando nós chegamos ao hotel, o pessoal estava discutindo, e já tínhamos sinais de que ia haver um avanço também no Banco Mundial.

Nós reivindicamos duas coisas que não ficaram explícitas na nota, que era a capitalização do BID e a capitalização do banco africano, está de forma muito genérica a capitalização dos bancos regionais, mas não define claramente quais os bancos que vão ser capitalizados.

Portanto, eu acho que se nós, na reunião de Washington, tínhamos deixado a economia tranquila, ou seja, passado para a sociedade a ideia de que os governantes iam assumir os riscos, se na reunião de Londres nós demos um passo importante, eu acho que na reunião de hoje nós consagramos o G-20. Eu penso que agora os países têm um fórum muito mais importante e muito mais representativo para discutir as questões econômicas e tomarem as decisões, sobretudo sobre outras questões como comércio, por exemplo.

No encerramento do encontro, eu disse à reunião que faltava a gente definir a questão da Rodada de Doha e que era importante que os Estados Unidos tratassem isso com muito carinho, para que a gente pudesse encontrar uma solução rápida, porque quase todos os países do mundo estão trabalhando favoravelmente a conclusão da Rodada de Doha, até porque em crise econômica e diminuição de comércio exterior, é importante que você conclua a Rodada para as pessoas poderem exportar mais e importar mais.

Então, era isso que eu queria dizer para vocês. Se vocês me permitirem, eu deixarei o Guido Mantega...

Jornalista: Presidente, só uma perguntinha...

Jornalista: (inaudível)

Presidente: O problema é que se eu responder a esses assuntos, amanhã vocês vão falar desses assuntos e o assunto do G-20 vai ficar sem finalizar. Então, uma pergunta.

Jornalista: Sobre o Irã e, hoje, Honduras. Hoje, sobre o Irã, houve esse comunicado... Houve o comunicado de três líderes mundiais sobre o Irã, condenando e acusando o Irã de ter essa usina nuclear. Houve convite do governo brasileiro para receber o presidente do Irã. Essa não é uma situação constrangedora para o Brasil? E por que o Brasil está mantendo esse diálogo com o Irã? E a posição do Brasil em relação à posição dessas potências mundiais que explicitaram hoje essa acusação em relação ao Irã.

Jornalista: (em espanhol)

Presidente: Olha, eu, entre as insinuações ou suposições de que tem uma outra usina lá, e o que o Presidente me falou, até prova em contrário, eu vou ter em conta que o Presidente não tinha por que mentir para mim. Porque, na conversa que nós tivemos, e é público isso, já conversei com todos os líderes que você possa imaginar, nos últimos anos, com relação ao Irã, e o Brasil está muito à vontade, mas muito à vontade porque nós somos o único partido [país] do mundo que tem na sua Constituição a não fabricação de armas nucleares. Isso não é uma decisão do presidente Lula ou de um presidente, qualquer um, isso é uma decisão da Constituinte e está lá consagrado, na nossa Constituição. Portanto, é assunto encerrado.

Entretanto, eu tenho dito para todo mundo que eu defendo para o Irã o mesmo que eu defendo para o Brasil: você pode desenvolver a energia nuclear para fim pacífico, e ninguém contesta isso. Agora, obviamente que, seja o Irã, ou qualquer outro país, quiser construir energia nuclear para dar o segundo passo, de construir armas nucleares, o Brasil é frontalmente contra, porque o Brasil não concorda. E o Brasil gostaria mesmo é que quem as tem desative, para que o mundo fique, efetivamente, imune de qualquer perigo.

Essa é uma coisa... E na conversa que eu tive com o Irã, foi uma conversa, para mim, muito importante, ou seja, o presidente do Irã vai ao Brasil em novembro, não é... e eu vou ao Irã no ano que vem. Nós temos uma boa relação comercial com o Irã, queremos acrescentar essa relação comercial. E eu tenho dito a todo mundo que neste momento você ficar discutindo... Nós já vimos essa história se repetir muitas vezes, não é?
Todo mundo aqui tem memória bastante ávida para saber o seguinte: todos nós... E era o embaixador brasileiro quem dizia que não tinha armas químicas. Fizeram a guerra dizendo que tinha, e até agora não apresentaram armas químicas ao mundo.

Nós temos gente nossa na Comissão de Investigação. Portanto, a Comissão faz a investigação e vai lá ver se tem. Ora, se tiver, obviamente que o Brasil tem uma posição contrária a armas nucleares. Não vejo nenhum problema, e isso não muda absolutamente nada na relação do Brasil com o Irã. Porque o Brasil tem relação com os Estados Unidos, que tem armas nucleares; o Brasil tem relação com a Rússia, que tem armas nucleares; o Brasil tem relação com a Índia, o Brasil tem relação com a China. E nós não abrimos mão da nossa soberania, de termos relações com quem nós quisermos.

Eu disse tanto ao presidente Obama quanto ao presidente Sarkozy, e disse ao presidente do Irã, que é preciso estabelecer um diálogo porque, em política, toda vez que você coloca as pessoas na parede e as pessoas ficam sem ter locução, a tendência natural é cada vez mais você ir falando um contra o outro, até criar as condições de não ter mais conversa.

Então, tanto na conversa com o Presidente do Irã eu disse que era extremamente importante ele ir procurar o Obama e conversar olho no olho do Obama, procurar o Sarkozy e conversar olho no olho. E disse ao Sarkozy e ao Obama que era importante que se estabelecesse uma política de conversação, para não ficar... E essa política de isolamento, a mim não me agrada e ela não dá resultado. O resultado é sempre pior do que uma boa conversa.

Jornalista: Honduras, quem vai fazer a pergunta, para a gente correr? A respeito de Honduras, o governo de fato, de Honduras, emitiu uma nota, criticando duramente o Brasil, dizendo que o Brasil... que o próprio Zelaya teria dito que o Brasil... consultou o senhor e o ministro Celso Amorim, antes de pedir refúgio na embaixada brasileira. Queria saber qual é o seu comentário a esse respeito, por favor.

Presidente: Eu não posso comentar. Até por respeito a mim, eu não vou comentar uma cretinice dita por um golpista. Não vou comentar.

Jornalista: Mas, Presidente, quanto tempo o Zelaya pode ficar na Embaixada no Brasil, se essa crise não se resolve e se o governo de fato, lá, não resolve?

Presidente: Veja, ele vai ficar enquanto for necessário dar segurança para ele na embaixada. O que eu acho triste é que muitas vezes eu ouço perguntas como se o Zelaya fosse culpado de ser o presidente legítimo do seu país, de voltar para o seu país, e os golpistas, como se fossem os inocentes. Golpista não tem meia palavra: é golpista. Usurpou o poder, tirou um presidente legitimamente eleito pela via democrática, tirou do seu país, largou em outro país, e é normal que o presidente queira voltar para o seu país. O que é anormal não é o Zelaya ter voltado, o que é anormal é o tal do Micheletti ter ficado. Esse é o fato anormal da política de Honduras.

E o que nós queremos? É que se restabeleça a normalidade, que se devolva o cargo ao Presidente, que convoque as eleições e que, ganhe quem ganhar, toma posse e Honduras volte à normalidade.

A decisão do Conselho de Segurança da ONU vocês já sabem. O Conselho se reuniu hoje de manhã e fala claramente que é importante respeitar a Convenção de Viena, que deve cessar todos os atos de constrangimento à embaixada brasileira, que a proteção e a inviolabilidade da embaixada são princípios universais. Essa é a decisão do Conselho de Segurança.

Então, eu acho que só tem um fato anormal em Honduras, e que nós não podemos aceitar, nem para Honduras e nem para outro país, que é o golpe de Estado, porque nós já vivemos isso no Brasil, já vivemos isso em muitos lugares da América Central, da América Latina. E se a extrema de um país resolver chegar ao poder pela via fácil de dar um golpe, a democracia corre sério risco.

E não é uma posição do Brasil, não, é uma posição do mundo. Só tem contra isso o golpista, mas os países do mundo inteiro estão favoráveis ao restabelecimento da normalidade em Honduras. E o único jeito de respeitar a normalidade é o Zelaya convocar as eleições. Porque se as eleições forem convocadas pelo golpista, nós iremos manter as mesmas restrições que mantemos ao golpista. É isso.

________: De volta ao G-20.

Jornalista: Uma perguntinha de G-20, Presidente. O Brasil queria 7%, transferência de 7% e a gente levou 5%. Mesmo assim, isso é uma vitória? Eu queria entender se essa transferência é para os emergentes ou para os países sub-representados em geral, porque isso faria uma diferença grande.

Presidente: Deixa eu te falar uma coisa: se você, alguma vez na vida, tivesse participado de negociação, e você reivindicasse 7 e conquistasse 5, você tinha conquistado mais de 50%. Ou seja, isso aí é uma vitória extraordinária, porque não é só a quantidade, é a demonstração de flexibilidade por governantes e instituições que achavam que não precisava mexer nada no mundo.

Essa coisa eu disse hoje, na minha fala de encerramento: a crise, ela foi uma coisa, eu diria, que aconteceu, e no meio da desgraça da crise, surge possibilidades de a gente fazer mudanças que você não faria se não tivesse tido a crise. Por que, o que acontecia até outro dia? Até outro dia, os banqueiros diziam: "Olha, se os bancos fossem administrados como os Estados, nós já tínhamos quebrado". Quebraram. Quebraram, e junto com eles levaram milhões de pessoas.

Então, eu penso que nós tivemos uma conquista enorme, tanto... Não somos nós, Brasil, não, eu digo nós, o G-20 e o povo que vai se beneficiar disso, das mudanças que houve no FMI. Aqui está dito, na proposta, pelo menos 5%, significa que quem consegue cinco pode, daqui a pouco, conseguir seis, daqui a pouco consegue sete, daqui a pouco estamos numa situação de igualdade.

Jornalista: Foi muito difícil, Presidente? Teve muita briga para conseguir isso?

Presidente: Olha, depois você conversa com o Guido e o Marcos (incompreensível), que eles brigaram muito. Eu acho que tem briga, essas coisas não saem de graça, é muita disputa, e as pessoas têm dificuldade de mudar.

Mas eu penso, para terminar a minha participação nesta entrevista, eu penso que uma coisa sagrada, gente, que está acontecendo, é que a crise, ela abriu a cabeça das pessoas. Vocês estão lembrados que quando caiu o Muro de Berlim, eu dizia que: "graças a Deus tinha caído o Muro de Berlim", porque ia permitir que a esquerda tivesse liberdade para repensar novos conceitos sobre democracia, sobre papel do Estado, sobre papel de partido, porque antes parecia que estava tudo escrito no Manifesto. Com a queda do Muro de Berlim, permitiu que a cabeça das pessoas se arejasse, para pensar outras coisas.

A crise econômica, embora tenha trazido transtorno ao mundo, ela permitiu que as pessoas arejassem a cabeça e ninguém mais pudesse dizer que era dono da verdade. Eu sei o que é fazer reunião com os países ricos antes da crise e depois da crise. Eu sei o que é. É como o ser humano que está no hospital, quando a gente está bom, a gente pensa que nunca vai ficar doente, quando está todo mundo lá, moribundo, todo mundo é mais humilde, mais simples, todo mundo quer ajuda, todo mundo precisa de ajuda, ninguém tem mais certeza de nada. E Brasil, com uma vantagem excepcional.

Hoje, quando eu falei na reunião que este ano nós vamos gerar um milhão de empregos com a carteira profissional assinada, e ainda disse que nós vamos crescer pelo menos 5% no ano que vem, é uma coisa inusitada em uma reunião em que os países ricos estão numa crise profunda. Agora, o Brasil, desta vez, tem o que ensinar. É só olhar o funcionamento do sistema financeiro brasileiro, o papel dos bancos públicos brasileiros, que a gente vai perceber que poderiam ter aprendido alguma coisa com as experiências brasileiras.

Então, eu até comecei a minha fala elogiando os ministros da Fazenda, coisa que não é habitual, que trabalharam muito. Elogiando (incompreensível) que trabalharam e que produziram.

__________: Chefe da Delegação.

Presidente: Então, eu acho extraordinário isso. Eu acho que foi uma coisa... Eu acho que daqui para a frente... Nós agora temos um desafio muito grande em Copenhague, que é a questão ambiental, que não tem nada pronto e que tem dificuldade. E nós vamos preparar uma boa proposta para que a gente chegue em Copenhague preparado, ou seja, de qualquer forma eu saio daqui satisfeito, feliz que nós conseguimos bons intentos e mais tranqüilidade, está bem?
Gente, não, não, eu vou... está bom. Agora, fazem para o Guido. Agora, (incompreensível) no G-20, gente. Eu vou sair, eu estou... (incompreensível) a dona Marisa, que eu estou... Eles compreendem. Eles compreendem que a dona Marisa tem um (incompreensível).

Jornalista: Uma pergunta. A minha pergunta para completar Honduras. Queria saber se o senhor pode confirmar as denúncias de ataque contra a Embaixada de Honduras. O Zelaya falou que a Embaixada brasileira em Honduras, o Zelaya falou que foi alvo de ataque com gases, com produtos químicos.

Presidente: Eu não sei. Eu estava o dia inteiro trancado aqui. Somente quando eu chegar agora à Venezuela é que eu vou conversar com o Celso Amorim para a gente poder saber tudo o que aconteceu, ligar para a nossa Embaixada. Hoje, a única nota que eu recebi foi essa nota do Conselho do Segurança, que acabei de receber agora.

Jornalista: Agora, sobre a (incompreensível), a satisfação do senhor. O senhor, o Brasil tem grau (incompreensível), tem neste momento também mais participação no FMI, tem mais poder no mundo com o G-20. Acha possível antes do fim do seu mandato conseguir a vaga no Conselho de Segurança?

Presidente: Olha, o Conselho de Segurança é quase uma unanimidade, é quase unanimidade, ou seja, você pode ter, no máximo, uma pessoa com dúvida. Todo mundo hoje tem clareza que é preciso reformar o Conselho de Segurança, todo mundo, todo mundo tem. A última vez que eu tive... a última conversa que eu tive com o Bush e com a Condoleezza em Camp Davis, ele tinha clareza do que era preciso mudar. Mas aí, sabe, tem o problema de quem vai dar o pontapé inicial, todos os países querem. Agora, no discurso do Kadafi, ele não quer, mas Alemanha quer, o Japão quer, ou seja, a Índia quer, o Brasil quer, o continente Africano quer, quase todo, a França quer, a Inglaterra quer, é uma questão de tempo. A segurança é um processo de maturação: você tem um clube fechado que tem cinco pessoas, dentro desses cinco tem um que tem poder de veto ainda, ou seja, é como se você estivesse em um baile com menos damas do que cavalheiros, ou seja, você não ia deixar mais um homem entrar lá nem... É um clube fechado, então, é difícil, mas eu penso que é irreversível o Conselho de Segurança. É irreversível até para que tenha mais representatividade, para que possa fazer mais o jogo internacional, sabe. Eu estou convencido disso. Está bem, gente. Agora...

Jornalista: (incompreensível)

Presidente: Não, mas eu faço para o Guido, meu filho. Não, mas não... Pode falar em Honduras e Irã, não tem problema. É que o assunto para mim importante, que interessa que o povo brasileiro saiba é do G-20.

Jornalista: Existe uma... (incompreensível).

Presidente: Vai ter já, já.

Jornalista: Existe uma... durante toda a discussão havia uma avaliação de que a ideia de transformar o grupo em um instrumento de coordenação da política econômica doméstica dos países que fazem parte do grupo. Em que grau o senhor acha que, do jeito que as coisas ficaram definidas no (incompreensível), em que grau o senhor acha que isso pode (incompreensível).

Presidente: Não haverá ingerência em nenhum país. Ou seja, o fato de você ter aprovado um documento em que você cria um instrumento de coordenação não fará com que nenhum país perca a autonomia de definir as suas políticas. Isso não deu certo. Isso... muito menos constrangimento, isso não deu certo. Na verdade, essa política de constrangimento é que levou a gente a ter as crises profundas que nós tivemos.

Quando o FMI chegava a um país pequeno e dizia: "Olha, você não pode fazer investimento, você não pode fazer escola, você não pode fazer estrada, você não pode fazer nada, todo o dinheiro tem que ser guardado, tem que fazer ajuste fiscal", ou seja, atrofiou. Isso não deu certo. Então, nós agora, em um conjunto de gente muito mais democrático, muito mais representativo, jamais permitiremos que passasse uma nota dizendo: "Olha, vamos constranger os países, vamos interceder dentro dos países". Não existe hipótese. Depois o Guido vai dar a nota para vocês.

Jornalista: Presidente, como é que foi o comentário do Obama sobre a disputa entre Rio e Chicago?

Presidente: Sobre o quê?

Jornalista: Rio e Chicago. O comentário dele.

Presidente: Olha, ele... (incompreensível) falou o seguinte: é que o fato de eu ter tido preferência pelos aviões franceses que ele agora vai disputar para valer, Chicago. Eu falei: pode ser a sua segunda derrota. Uma coisa importante é o seguinte, uma coisa importante: eu até marquei um jantar com o Zapatero, lá em Copenhague, porque você já precisa começar a pensar no segundo turno, não é? Quem é que vai, quem é que não vai. Isso é que nem fazer campanha política: você tem que disputar o primeiro turno pensando no segundo. Mas eu acho que o Rio está bem, eu acho que o Rio está bem. Eu acho que pode ser que aconteça de o Rio não ganhar, por isso estamos disputando, mas será a primeira vez que derrotam uma cidade sem explicação, será a primeira vez. Porque a proposta do Rio é infinitamente melhor, os compromissos são muito grandes, feitos por Prefeitura, Estado, União. Os Estados Unidos já fizeram quatro olimpíadas, se fizer agora, vai ser a quinta. Já fez quatro de inverno, portanto, são oito olimpíadas, Tóquio já fez e Madri já fez. E o Brasil está entre as dez economias do mundo há muitos anos e nunca realizou uma olimpíada.

Jornalista: Vai ser o senhor contra a Michelle Obama.

Presidente: Não, não...

Jornalista: Ele fez um comentário sobre isso?

Presidente: Não vai ter disputa. Ele disse que a mulher dele é muito mais convincente. Mas não vai ter essa disputa, gente, não vai ter essa disputa, até porque vai estar lá o rei Juan Carlos, vai estar o Zapatero, vai estar o primeiro-ministro do Japão...

__________: Vai estar a Michelle.

Presidente: E vai estar a Michelle. Não é nem a Michelle nem eu que estamos disputando. Ou seja, é o Rio de Janeiro e Chicago. Eu quero saber qual a cidade do mundo, dessas que estão disputando, que podem oferecer uma hidromassagem mar aberto como Rio de Janeiro. Eu quero saber. Então, é por isso que nós vamos ganhar.

Gente...Tchau, querido.

Jornalista: O presidente do PMDB, em Goiás, falou que (incompreensível).

Presidente: Eu fico fantástico porque (incompreensível) você está aqui em Pittsburgh e sabe mais do que eu. Eu não estou sabendo nem que o Meirelles se filiou, gente. Ultimamente, eu só sei de quem sai do PT. Quem entra em outro partido político, eu não sei.

Jornalista: Saiu mais alguém?

Presidente: Tchau, meninos, fiquem com Deus.


Reportar erro
 
 
Fim do conteúdo da página