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Portal do Governo Brasileiro
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Bem, eu estou aqui num calor que vocês não têm dimensão, e certamente vocês estão num calor maior do que o calor que eu estou aqui, ainda.

Eu tenho um discurso razoável, não tão grande como o da nossa querida representante das Nações Unidas, mas eu vou... não vou utilizar o meu pronunciamento aqui. Vou apenas dizer algumas palavras.

E queria começar cumprimentando o nosso querido convidado, o presidente Yoweri Museveni, presidente de Uganda, Cumprimentar o Noli de Castro, vice-presidente das Filipinas, Cumprimentar o nosso querido companheiro Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, Cumprimentar a senhora Anna Tibaijuka, diretora do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos, Cumprimentar o senhor Manuel Chaves González, terceiro vice-presidente de Governo da Espanha, Cumprimentar o senhor Shaun Donovan, secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos, Convidar [cumprimentar] o senhor Ibrahim Bin Khalifa Al-Khalifa, ministro de Habitação do Bahrein - depois de citar este nome aqui, eu já posso ser considerado meio árabe, porque já falei o nome inteiro, Quero cumprimentar o meu ministro Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, O Marcio Fortes, ministro das Cidades, Quero cumprimentar todos os parlamentares aqui presentes, Quero cumprimentar o prefeito Eduardo Paes, Quero cumprimentar a senhora Nazek Hariri, Quero cumprimentar todos os prefeitos brasileiros que estão aqui, todos os prefeitos de outras cidades da Europa, dos Estados Unidos, da América Latina, do Oriente Médio, da África, da Ásia, Quero cumprimentar os especialistas na discussão sobre a questão urbana.

Eu vou ser, realmente, muito, muito curto. Se o Marcos pegasse aqui o meu discurso seria bom, porque está caindo aqui. O palanque não segura tudo aqui. Primeiro, obrigado por terem vindo ao Brasil e obrigado por terem aceito a cidade do Rio de Janeiro como cidade anfitriã deste encontro. Vocês vão ter o privilégio de passar alguns dias numa das cidades mais extraordinárias do mundo; uma cidade que acaba de ser premiada com as Olimpíadas de 2016; uma cidade que, certamente, será premiada ou com a abertura ou com o encerramento da Copa do Mundo de 2014; mas, sobretudo, uma cidade que começa a ser, nesse momento, vista como a cara de um novo Brasil que está nascendo do forte investimento que o Estado brasileiro, em parceria com os estados e com as prefeituras, está fazendo na questão urbana.

No meu discurso tinha uma série de números que eu não vou citar. Números que, certamente, o Ministro das Cidades vai falar um pouco, que a ministra Dilma Rousseff vai falar um pouco, que depois os especialistas brasileiros que estão aqui para o debate irão falar, que a Caixa Econômica brasileira, certamente, nos painéis de que for participar vai falar.

Então, eu não vou me ater aos números que os meus companheiros de governo vão apresentar a vocês. Eu vou apenas dizer para vocês uma coisa extremamente importante. Nós estamos, neste momento da história brasileira, provando que é possível construir um novo país e é possível construir uma nova política urbana para os países em desenvolvimento. E é possível construir sem precisarmos ficar criticando o que aconteceu antes de nós.

Eu digo sempre que o século XXI é o século em que o administrador público tem que ter duas coisas importantes a fazer: a primeira é projetar uma cidade com melhor qualidade de vida, e a segunda é fazer reparação nos desmandos causados por muitos administradores do século XX que permitiram que o país e muitas cidades, no Brasil e no mundo, se transformassem numa grande favela. A verdade, a verdade é que nós estamos provando que é possível mudar as coisas. Aliás, eu queria pedir às pessoas que vieram de fora - prefeitos de outras cidades, técnicos em urbanização de outros países - que visitassem... e você, Eduardo, montar uma estrutura junto com o nosso vice-governador para que as pessoas visitem o Rio de Janeiro, para ver o que está acontecendo nas favelas do Rio de Janeiro, para ver o que está acontecendo em muitos lugares do Rio e em muitos lugares do Brasil.

Aliás, qualquer um de vocês pode visitar qualquer capital deste país, que vocês vão ver investimentos em políticas urbanas, saneamento básico e habitação, como nunca houve na história deste país. Eu não quero ficar dizendo para vocês, eu quero que vocês visitem o Brasil. Podem visitar o Rio, podem ir para São Paulo, podem pegar um ônibus aqui ou um carro e ir à Baixada Fluminense, podem sair daqui e ir conhecer o ABC Paulista - a região que me projetou para a política brasileira -, podem ir visitar a Bahia, podem ir visitar Recife, Fortaleza, podem escolher qualquer capital, ou, poderia dizer, podem escolher qualquer cidade, que tem investimentos como nunca teve na história deste país.

E por quê? Porque houve um tempo, houve um tempo em que não era prudente fazer investimento para resolver os problemas crônicos das grandes cidades. Saneamento básico, nem pensar! Esse negócio de ficar enterrando tubo embaixo da terra para carregar esgoto! Não dá nem para colocar o nome da mãe ou da avó naquela manilha, porque ela está embaixo da terra! Não dá para fazer propaganda eleitoral! Nem pensar! É por isso que no Brasil nós tínhamos cidades grandes, importantes, que tinham coleta de esgoto, mas não tinham um metro de tratamento de esgoto. As pessoas achavam que não era importante. O importante era fazer viaduto, e aí colocavam o nome da mãe, do pai: "Viaduto Lula da Silva", "Viaduto Hariri", "Viaduto Sérgio Cabral". Isso era importante, ou uma ponte.

A pequenez de muita gente que governou o meu país ao longo de muito tempo foi não perceber que a imagem mais digna que um governante poderia levar, da sua obra como administrador, não era uma ponte com o nome de um parente, mas era uma criança podendo brincar descalça na rua, sem estar pisando em esgoto a céu aberto. Vocês vão perceber um fenômeno que está acontecendo no Brasil e, certamente, alguns setores da imprensa não veem e não enxergam, ou não querem ver e não querem enxergar. Mas, em muitos casos neste país está havendo um êxodo ao contrário: pessoas da cidade estão voltando para o campo.

Isso porque nós temos uma grande política de financiamento para a agricultura familiar; isso porque nós temos uma grande política de assentamento de 570 mil famílias no campo; isso porque o governo federal compra parte do alimento que os pequenos produzem; e isso porque levamos luz elétrica a 12 milhões de brasileiros que moravam no meio do mato e não tinham energia elétrica.

Então, nós temos um acúmulo de experiência que, muito mais do que falar, eu queria que vocês conhecessem, e também pudessem deixar para nós as boas experiências que vocês conhecem nas cidades em que vocês moram, nos países em que vocês vivem. Que vocês pudessem nos mostrar como é que feito isso na Argentina, na Colômbia, na Venezuela, no Equador, no Chile, no Uruguai, no Paraguai, na Bolívia; como é que isso é feito em Uganda; como é que isso é feito na África do Sul; como é que isso é feito em todos os países do mundo, para que a gente aprenda as boas práticas administrativas que vocês estão conhecendo ou colocando em prática nos países que [de onde] vocês vêm.

Uma coisa vocês podem levar daqui do Brasil: nunca... eu não vou dizer "nunca na história do Brasil", porque eu falo muito isso. Mas vocês podem pegar todos os dados, visitar prefeitos de partidos de oposição, visitar intelectuais que não concordam com o governo e perguntar os números, porque os números falam mais do que a língua. Neste país, nunca se trabalhou tanto a questão da urbanização de favelas, nunca se construiu tantas casas.

A Caixa Econômica Federal, que é o banco de financiamento, só para vocês terem ideia, nesses dois primeiros meses de 2010, ela já emprestou mais dinheiro, Marinho, do que todo o ano de 2005. Em apenas dois meses, ela já contratou mais do que ela contratou durante todo o ano de 2005. Da mesma forma é que este país - ao contrário do mundo desenvolvido, que está vendo todo os dias crescer o número de desempregados - neste país, no mês de fevereiro, com Carnaval e tudo, nós criamos 209 mil empregos novos, empregos formais. Isso vocês vão ouvir aqui dos ministros.

Nós gostaríamos de aprender um pouco, porque houve um tempo em que os governantes diziam: "Eu não posso fazer nada porque a economia tem que crescer". É que nem a esquerda, Chico Alencar, que passou a vida inteira dizendo: "Só é possível mudar alguma coisa quando chegar o Socialismo". E deixava de levar um trabalho a sério no cotidiano, a cada hora, a cada minuto. Nós estamos provando que é possível fazer uma combinação entre crescimento econômico e distribuição de renda, entre crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida das pessoas, porque nós estamos fazendo aquilo que todos precisam fazer, que é uma forte política de distribuição de renda.

Estamos muito longe, muito longe de chegar onde queremos, mas já fizemos muito mais do que muitos imaginavam que nós poderíamos fazer. Quando eu tomei posse, em 2003, eu dizia: primeiro nós vamos fazer o necessário; segundo, nós vamos fazer o que é possível; e, quando menos perceberem, nós estaremos fazendo o impossível. Se vocês pegarem muitas escritas ou muitos livros de gente importante, não conseguiriam avaliar o que está acontecendo no Brasil nesse momento. E nós todos queremos aprender com vocês como fazer mais.

De uma coisa eu tenho certeza, e digo isto para terminar aqui o meu discurso: a coisa mais barata e a coisa mais simples que um governo tem que fazer é cuidar da parte mais pobre da população. Essa é uma experiência rica que nós temos acúmulo e gostaríamos de discutir muito com vocês nos painéis que vão acontecer por aqui. Nós, nesses sete anos de governo, já fizemos 67 conferências nacionais.

Cada conferência nacional - a conferência para discutir a questão de gênero, a questão da saúde, a conferência para discutir a questão do negro, a conferência para discutir a questão da comunicação, a conferência para discutir segurança pública, para discutir portador de deficiência -, cada conferência dessas é feita em cada município, depois é feita em cada estado e depois é feita em nível nacional. Na última que nós fizemos, de cultura, mais ou menos 20 mil pessoas participaram do debate sobre a política cultural do nosso país.

 

E é com base nas decisões dessas conferências nacionais que o governo vai se dotando de informações para ir colocando em prática as políticas mais adequadas para atender a necessidade da população. Eu tenho certeza de que os brasileiros e as brasileiras que estão participando deste encontro, depois de quatro dias de debate, certamente estarão mais dotados de sabedoria para fazer com que o governo possa colocar no seu programa, nas suas políticas públicas as experiências bem-sucedidas nos países de vocês.

 

Quero desejar a todos vocês um extraordinário encontro, que discutam e, por favor, visitem o Rio de Janeiro. De vez em quando vocês leem que morreu alguém no Rio de Janeiro. Obviamente que nós não negamos que há violência no Rio de Janeiro. Mas este estado e esta cidade são estado e cidade que têm um povo extraordinário, possivelmente o mais alegre do Brasil, possivelmente o mais cortês do Brasil.

 

Agora, não se embrenhem por lugares que vocês não conhecem. Transitem como cidadãos normais, que vocês vão perceber que nada vai acontecer a nenhum de vocês, a não ser conhecer as melhores praias, a gente mais bonita e a paisagem mais extraordinária que os olhos de vocês vão poder ver.

 

Um abraço e boa sorte.

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