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Senhora Ellen Johnson-Sirleaf, presidente da República da Libéria,

Senhora Olubanke King, ministra dos Negócios Estrangeiros da Libéria, em nome de quem cumprimento os demais integrantes da delegação liberiana,

Embaixador Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, por meio de quem cumprimento os demais ministros brasileiros aqui presentes,

Senadores, Deputados federais,

Embaixadores,

Amigos e amigas,

A primeira visita de um chefe de Estado da Libéria ao Brasil é ocasião para comemoração. Celebramos o encontro de duas nações nascidas sob o signo da liberdade e da esperança. Ninguém melhor do que a presidenta Ellen Johnson encarna esses valores. Primeira mulher africana chefe de Estado, a eleição de Vossa Excelência consagra uma trajetória dedicada à dignidade do indivíduo e à justiça para todos.

As duras perseguições que sofreu não comprometeram seu empenho em favor da reconciliação nacional. As dificuldades do exílio não abalaram seu compromisso com um futuro de desenvolvimento e democracia para o seu povo. Cara Presidenta, O Brasil compartilha sua confiança inabalável na África. Acreditamos nos 800 milhões de africanos determinados a realizar a promessa de uma região com vastas riquezas naturais e extraordinárias perspectivas de crescimento. Nessa empreitada, a África, hoje, fala com unidade de propósito e voz uníssona. As realizações da União Africana e de organismos como a Cedeao e a União do Rio Mano são prova de que o continente está reencontrando o rumo da construção da paz e da consolidação da democracia.

A Libéria é símbolo dessas conquistas. Superou anos de conflito e lançou-se na reconstrução nacional. Como a Presidenta gosta de dizer, a Libéria não tem problemas, a Libéria tem desafios. O Brasil quer ser parceiro na solução desses desafios. O Acordo de Cooperação Técnica que assinamos em 2009 mostra o caminho a seguir. O intercâmbio de equipes técnicas nas áreas de fortalecimento institucional e de saúde aponta o quanto podemos realizar juntos.

A estratégia liberiana de redução da pobreza e o programa Fome Zero são experiências exitosas que devemos partilhar. Queremos levar para toda a África nosso compromisso de fazer do bem-estar o ponto de partida do desenvolvimento solidário. O combate à Aids será sempre uma prioridade. É com essa convicção que o Brasil está construindo uma fábrica de antirretrovirais em Moçambique. Queremos que a Libéria e todo o continente tenham acesso a medicamentos e treinamentos fundamentais para derrotar uma pandemia que ameaça gerações de africanos.

No Brasil, aprendemos que não há segurança alimentar sem uma agricultura familiar robusta. E, por intermédio da Embrapa, estamos levando ao pequeno agricultor, na Libéria, a experiência brasileira de fortalecimento da produção rural. Estamos semeando em solo africano a revolução verde que os brasileiros conheceram nas últimas décadas. Essa mesma tecnologia tropical também promete outra revolução.

A Libéria possui todas as condições de clima e de solo para ser grande produtora de biocombustíveis. No Brasil, conhecemos os benefícios de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Multiplicamos a geração de renda e empregos, e nos tornamos referência no combate à mudança climática. Em maio próximo, temos a oportunidade de dar um passo decisivo nessa parceria. Vamos realizar, em Brasília, encontro com os ministros da Agricultura de todo o continente africano. Contamos com a participação da Libéria para selar definitivamente uma aliança que une tecnologia do futuro com a solidariedade que atravessa gerações.

Senhora Presidenta, Essas são as armas dos países em desenvolvimento para vencer uma crise financeira global que golpeou, sobretudo, os mais vulneráveis. Fazer a economia mundial voltar a crescer, mas de forma sustentável, significa recolocar o tema do desenvolvimento no foco da agenda global. Gerar empregos e derrotar a fome são tarefas inadiáveis em um mundo cada vez mais interdependente.

Na caminhada da Libéria rumo à reconstrução nacional, seu melhor aliado será uma governança global democrática e equilibrada. É preciso que o Banco Mundial e o Fundo Monetário abandonem seus dogmas obsoletos e condicionalidades nefastas. O Brasil não se tornou credor desses organismos para que as coisas continuassem como antes. Exigimos reformas profundas para que os países em desenvolvimento possam ter voz ativa na definição de seu próprio futuro.

É esse o compromisso que os países do Bric renovarão em seu encontro em Brasília, na semana que vem. É também a mensagem que o Brasil levará às próximas cúpulas do G-20. Sei que estaremos falando pela Libéria e pelos jovens africanos que sonham com um amanhã à altura das melhores tradições e conquistas desse nobre continente.

É com esse propósito que dou boas-vindas à Vossa Excelência e peço a todos que levantem um brinde em homenagem a Presidenta da Libéria.

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