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É um grande prazer iniciar a primeira visita oficial de um Presidente do Brasil ao Catar, participando deste evento empresarial. Aqui estive, no ano passado, quando da reunião América do Sul - Países Árabes.

Qualquer empresário sabe que o sucesso de sua empreitada depende de uma sólida rede de contatos e da qualidade do diálogo com seus interlocutores. Não há nada mais vantajoso do que negociar com alguém de nossa confiança.

Pois é isso que os governos estão fazendo: construindo confiança. Venho a Doha retribuir a visita do Emir do Catar a Brasília, em janeiro último, com o ânimo de impulsionar os contatos iniciados naquela ocasião entre os empresários de nossos países.

A presença expressiva de homens de negócio brasileiros aqui hoje mostra que estamos no caminho certo. Nossas economias estão passando por um processo de modernização sem precedentes.

Estamos construindo estradas, portos e aeroportos para garantir uma infraestrutura competitiva num mundo cada vez mais globalizado. A excelência das empresas de engenharia e construção brasileiras, reconhecida mundialmente, tem um papel a desempenhar.

Nossos países saíram mais fortes da crise. O Catar cresceu 9,5% em 2009, e as perspectivas para os próximos anos são excepcionais.

No Brasil, implementamos uma política de desenvolvimento que combina crescimento sustentável, estabilidade econômica, distribuição de renda e redução da vulnerabilidade externa. Temos um sistema bancário seguro e um mercado interno robusto.

A crise financeira não nos pegou desprevenidos. Nosso risco-país é o menor dos últimos sete anos. Nossas reservas internacionais não param de crescer e nos tornamos credores do FMI. Essas mudanças não são passageiras, nem fruto de políticas provisórias. Resultam de um projeto de longo prazo e de um compromisso com mais de 190 milhões de brasileiros.

Em 2010, nossa economia vai crescer de forma sustentável e vamos gerar 2,5 milhões de novos empregos formais. Estamos ganhando a luta contra a pobreza e a exclusão social. No fim deste ano, contaremos com 14 milhões de novos empregos criados no Brasil desde 2003

Nosso comércio exterior vem crescendo ano após ano, quebrando todos os recordes. Implementamos reformas que consolidam um ambiente macroeconômico sólido. Reduzimos barreiras e burocracias que muitos chamam de “Custo Brasil”.

Ao mesmo tempo, a crise confirmou o acerto de nossa estratégia de diversificação de nossas parcerias. Sem abandonar as relações com sócios tradicionais, buscamos novos mercados e novos horizontes.

É esse o sentido de nossa aproximação com o Oriente Médio. Com a Cúpula América do Sul e Países Árabes, estamos consolidando uma ponte entre dois continentes. Nosso comércio alcança 20 bilhões de dólares, um aumento de 150% desde a primeira Cúpula ASPA, em Brasília, em 2005.

O Brasil está empenhado, junto com seus sócios do Mercosul, em concluir negociações com o Conselho de Cooperação do Golfo. Conto com o Catar para chegarmos a um pacote equilibrado e mutuamente vantajoso.

Senhores empresários,

Catar e Brasil estão dando um exemplo do potencial dessas relações. Nosso intercâmbio bilateral aumentou mais de 10 vezes entre 2003 e 2008, passando de 37 a 439 milhões de dólares. Para continuar neste ritmo, precisamos diversificá-lo por meio de parcerias produtivas em áreas estratégicas. Sei que estão sendo estudadas possibilidades em setores de alto valor agregado como o de máquinas, instrumentos eletrônicos e veículos. Vemos com especial otimismo a perspectiva no setor aeronáutico. Não preciso descrever as virtudes dos Supertucanos, da Embraer, uma vez que os pilotos do Catar já vêm sendo adestrados nessas aeronaves.

A descoberta da camada pré-sal no litoral brasileiro também traz possibilidades excepcionais. Os milionários investimentos em extração, que serão necessárias nos próximos anos, ajudarão a Petrobras a consolidar seus estoques estratégicos e sua posição de vanguarda tecnológica.

Meus amigos e minhas amigas,

Por todas essas razões, o Brasil pode ser a porta de entrada do Catar na América do Sul, e o Catar pode ser o canal privilegiado para o acesso brasileiro ao mercado do Oriente Médio. Vocês, empresários, desempenham papel crucial nessa aliança estratégica que queremos e vamos construir.

Este seminário é uma prova concreta de que nossas relações ultrapassaram a etapa dos discursos bem-intencionados. Para aqueles que temem as distâncias, recordo que a companhia aérea do Catar acaba de estabelecer voo direto entre Doha e São Paulo. Não temos mais motivos para deixar de investir nos contatos empresariais e no fluxo de turismo entre nossos dois países.

Apesar das diferenças culturais e dos percursos históricos distintos, estou convencido de que as perspectivas para as nossas relações econômicas e comerciais nunca foram tão favoráveis. Prova disso é nossa paixão comum pelo esporte e, em especial, pelo futebol. Sei que como parte do esforço para transformar o Catar em um grande centro esportivo internacional, está a campanha para sediar a Copa do Mundo de 2022. Contem com o Brasil nessa empreitada.

Shukran.

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