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Excelentíssimo senhor Mahmoud Ahmadinejad, presidente da República Islâmica do Irã,

Senhores ministros iranianos,

Ministros brasileiros,

Empresários iranianos,

Empresários brasileiros,

Amigos da imprensa iraniana e da imprensa brasileira,

Meus senhores e minhas senhoras,

 

Tenho muita alegria em participar do encerramento deste seminário. Aqui foram discutidas novas oportunidades de negócios, que nossos empresários estão explorando para fortalecer a parceria econômica e comercial entre Irã e Brasil.

Somos dois grandes países em desenvolvimento, com economias dinâmicas e um empresariado empreendedor. Nossa associação ganha importância no momento em que o mundo passa por acelerada transformação. A crise financeira demonstrou urgência em reorganizar a economia mundial.

Os grandes mercados emergentes têm novo papel e colocam a exigência de uma nova governança econômica global. Não só o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional precisam transformar-se. É necessário também um sistema multilateral de comércio mais representativo dos anseios do mundo em desenvolvimento.

Por isso, defendemos o fim dos entraves que impedem o avanço do processo de ascensão do Irã na OMC. O ingresso do Irã na OMC tem que obedecer os critérios estritamente técnicos.

Fizemos uma nova geografia econômica e comercial. Há 20 anos, quase 70% do comércio exterior brasileiro se voltavam para os países da OCDE. Hoje, 55% das trocas são com o mundo em desenvolvimento. Essa diversificação foi possível graças aos avanços na integração latino-americana e ao reforço de parcerias no Oriente Médio, África e Ásia. Sem abrir mão de nossos parceiros tradicionais, fizemos das relações Sul-Sul um grande ativo de nossa política externa.

Senhoras e senhores,

O Irã é um dos grandes mercados do Sul e parceiro importante. Assim como o Brasil, o Irã não se deixou abater pela crise, manteve sua trajetória de crescimento sólido. Nos últimos sete anos, nosso intercâmbio comercial mais do que dobrou: de 500 milhões para 1 bilhão e 200 mil dólares. Hoje já está entre os três maiores mercados para produtos brasileiros no Oriente Médio. A recessão global não afetou essa tendência. Ao contrário, mostrou nossa capacidade de propor saídas alternativas para a crise.

Mas podemos avançar muito mais. Mais de 450 empresas brasileiras exportaram para o Irã no ano passado. Representantes de 60 companhias brasileiras vieram a este seminário, muitas buscando parceiros pela primeira vez.

Os números de 2010 são motivo de otimismo. No primeiro trimestre do ano, as exportações brasileiras para o Irã cresceram 77% e as importações brasileiras cresceram 125%. O agronegócio oferece um desafio especial. O Irã já é um dos cinco maiores mercados do Brasil neste setor, sobretudo para açúcar, carne e soja. Com o apoio da Embrapa à efetiva transferência tecnológica, queremos ajudar o Irã a aumentar sua independência alimentar.

Irã e Brasil são potências petrolíferas, mas as fontes renováveis de energia são o caminho do futuro. O Irã já entrou na revolução dos biocombustíveis, ao aprovar a legislação que prevê a adição de 5% de etanol à gasolina. Convido missão técnica a ir ao Brasil conhecer nossa experiência com os motores flex-fuel.

Transferência de tecnologia e cooperação técnica são palavras chaves para nossa parceria em programa de desenvolvimento industrial do Irã. É conhecido o arrojo dos empresários brasileiros nos setores da alimentação, construção civil e petroquímica.

Há também um amplo espaço inexplorado para bens de capital e serviços, nos setores estratégicos de telefonia, energia e indústria de petróleo. A participação de empresas brasileiras na extração de ferro, cobre, chumbo e zinco é outra opção para diversificar a pauta de exportação do Irã.

O êxito de um empreendimento dessa envergadura certamente atrairá outros investimentos brasileiros e constituirá caminho para reforçar e equilibrar os fluxos comerciais.

O mercado brasileiro, em franco crescimento, é uma excelente opção para produtos, serviços e investimentos iranianos. As possibilidades se multiplicam ainda mais com os dois megaeventos esportivos que serão sediados no Brasil: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Precisamos aumentar o turismo, multiplicar as conexões aéreas e capitalizar as possibilidades abertas pelos acordos que assinamos em cooperação esportiva.

Não alcançaremos nossas ambições sem um mecanismo ágil e ambicioso de financiamento e de operações comerciais. É importante lembrar que o acordo de financiamento que nós assinamos hoje é um acordo de financiamento de 1 bilhão de euros, em cinco anos, para a venda de alimentos para o Irã.

Não faz sentido que os negócios entre empresas iranianas e brasileiras dependam de crédito e da boa vontade de bancos estrangeiros. Esse foi um tema central da recente troca de missões técnicas entre nossos países. Vamos colocar em prática alternativas capazes de sustentar um intercâmbio decente e mais equilibrado. É esse o objetivo do Memorando de Entendimento para a Concessão de Linhas de Crédito que acabamos de firmar. Serão recursos destinados, preferencialmente, para a importação de alimentos brasileiros.

 

Minhas amigas e meus amigos,

Com a intensa agenda de visitas de alto nível, de lado a lado, estamos superando a barreira da distância e reforçando nosso conhecimento mútuo. Estamos criando as condições para aprovar projetos que aprofundarão nossa parceria e enriquecerão a cooperação (incompreensível) solidariedade Sul-Sul.

Ao concluir os trabalhos deste seminário, tenho certeza de que estabelecemos as bases concretas para confiar no futuro das relações econômicas e comerciais entre os nossos países.

Antes de agradecer, eu queria dizer aos companheiros, que entreguei ao presidente Ahmadinejad um livro na língua do povo iraniano, ensinando como exportar para o Brasil, numa demonstração de que o Brasil não quer apenas vender. Nós queremos, também, ajudar a produzir aqui e a comprar aqui os produtos fabricados, porque na minha opinião, o bom comércio é aquele que tem um equilíbrio no fluxo da balança comercial e que um país não tenha um grande superávit sobre o outro.

Por isso, eu queria, depois, convidar o empresário representante dos empresários, Ali Akbar Mehrabian, para pegar este livro aqui e começar a vender muito para o Brasil nos próximos dias. Ah, ele é Ministro de Indústrias e Minas do Irã. Levante a mão que o meu companheiro vai entregar aí embaixo. É melhor vir aqui porque aí tiramos uma foto. Embora eu não seja candidato nas próximas eleições, uma foto sempre ajuda.

 

Muito obrigado.

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