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Quero agradecer ao presidente Ahmadinejad pela hospitalidade com que acolhe a 14ª Cúpula do G-15. Aqui estão reunidos líderes de um grupo de nações unidas na sua diversidade, que escolheram o Irã, ponto de encontro de muitas civilizações, para dar continuidade a este importante diálogo.

Criado há mais de 20 anos, o G-15 foi nossa resposta às transformações inauguradas com o fim do mundo bipolar. Atravessamos juntos os anos difíceis da hegemonia do pensamento único. Éramos uma das poucas vozes dissonantes do projeto conservador defendido pelos seguidores do Consenso de Washington. Nunca hesitamos na defesa de um mundo mais democrático, onde todas as vozes pudessem ser ouvidas.

A crise em que está hoje mergulhada a economia mundial, sobretudo nos países desenvolvidos, mostra que nossos diagnósticos de anos atrás eram basicamente corretos.

Sabemos como o descolamento do setor financeiro em relação ao setor produtivo levou a economia mundial à beira do abismo. Sabemos como esse descontrole foi alimentado pela crença cega e fundamentalista no mercado, ao qual se atribuám condições de autorregulação perfeita da atividade econômica.

Há alguns anos começamos a ouvir vozes que afirmavam que um outro mundo era possível. Hoje temos claro que um outro mundo é necessário, é imprescindível. O mundo do pós-crise será muito diferente daquele em que nosso Grupo se formou.

O G-7 deixou de ser o centro de gravidade da nova governança econômica global. Mas o G-15, que nasceu como contraponto, não perdeu sua vocação.

Tenho a convicção de que no momento em que estamos redesenhando um sistema internacional mais justo e solidário, nosso Grupo mantém e amplia sua relevância.

Hoje o G-15 tem entre seus membros algumas das economias mais dinâmicas do mundo. Somos agora um dos principais motores do crescimento da economia internacional. Precisamos seguir juntos no momento em que a crise global ganha novo alento e ameaça o emprego e a esperança de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento.

Sempre que enfrentamos as crises divididos, fomos derrotados. Sempre que estivemos juntos e unidos, trilhamos o caminho da vitória. Foi assim na OMC, com o G-20 Comercial, será assim no G-20 Financeiro.

Mas a unidade não significa desconhecer diferenças. Atuamos em cenários econômicos, políticos e sociais distintos. Temos especificidades culturais e trajetórias históricas próprias. Não buscamos modelos únicos nem unanimidades. Nossa força está na capacidade de construir a unidade de projetos distintos. Nossa unidade, na diversidade, é o principal trunfo que temos para garantir uma presença livre e soberana dos países em desenvolvimento neste mundo em transformação.

O G-15 continua a espelhar essa riqueza dos países do Sul. Sua força advém da interação cultural, política e econômica, em busca do objetivo comum: uma ordem internacional mais justa socialmente e mais democrática politicamente. Erradicar a fome e o subdesenvolvimento ainda são os principais desafios da Humanidade no limiar do século XXI.

Devemos aproveitar a variedade de nossas capacidades e experiências para aprofundar a cooperação Sul-Sul. Sobre a base da solidariedade podemos construir uma nova cooperação centrada no desenvolvimento e na paz. O Fundo de Cooperação do G-15 para a África é central nessa estratégia. Ele nos permite inaugurar uma nova era nas relações com os países africanos. O G-15 precisa tomar a dianteira nesse esforço e adotar uma política sistemática de apoio ao desenvolvimento rural e à agricultura africana.

O Brasil sempre esteve na vanguarda desses esforços. Lançamos na semana passada, em Brasília, o Diálogo Brasil-Países Africanos em matéria de Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural. A experiência brasileira mostrou que é possível converter áreas tropicais em espaços férteis e produtivos. Queremos levar a revolução agrícola do cerrado brasileiro para as savanas africanas. Vamos gerar empregos, renda e uma fonte potencial de exportações.

Com o Fundo IBAS – Índia, Brasil e África do Sul –, estamos provando que não é preciso ser rico para ser solidário. Podemos ajudar sem ingerência nos assuntos internos de outras nações. Estamos transformando em iniciativas concretas de solidariedade Sul-Sul nossos avanços em pesquisa agrícola, formação técnico-profissional, saúde e desenvolvimento de fontes renováveis de energia. Estamos, também, implementando projetos de cooperação no Haiti, Palestina, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Burundi, Laos e Cambodja, na convicção de que podemos erradicar a fome e a pobreza.

Senhor Presidente, caros amigos,

Esta Cúpula é a culminação de uma longa caminhada e o começo de uma jornada ainda mais promissora. Já temos uma história conjunta e, certamente, estaremos juntos no futuro. Cooperação, diálogo e solidariedade, esses devem ser os pilares do G-15. No momento em que o mundo busca alternativas para um modelo esgotado, podemos oferecer uma perspectiva renovadora. O mundo espera, sobretudo, demonstrações de liderança e coragem daqueles que apostam numa visão de futuro comum.

Muito obrigado, Presidente.

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