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Senhor Cavaco Silva, presidente da República portuguesa, e sua senhora, Maria Cavaco Silva,

Excelentíssimo senhor José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal,

Senhor Arménio Vieira, agraciado pelo Prêmio Camões de 2009,

Senhora Gabriela Canavillas, ministra da Cultura de Portugal, na pessoa da qual saúdo os demais ministros portugueses,

Meu caro Juca Ferreira, ministro da Cultura do Brasil, na pessoa do qual saúdo os demais ministros brasileiros que me acompanham,

Senhora Helena Buescu, representante do Conselho do Júri do Prêmio Camões,

Senhoras e senhores,

É um grande prazer participar, pela terceira vez, da entrega do Prêmio Camões. Criada em 1988, esta premiação já é uma referência internacional. Reconheceu escritores de Angola, Moçambique, Portugal e Brasil, países que espelham toda a rica diversidade de nossa cultura comum.

Mas o Prêmio não é um marco apenas para o mundo da língua portuguesa. Muitos desses agraciados são renomados escritores além de suas fronteiras, numa demonstração definitiva do universalismo da civilização lusófona. Ela expressa sentimentos e comunica valores que tocam a nossa humanidade comum.

Premiar este ano, pela primeira vez, um escritor de Cabo Verde é fazer justiça a uma tradição literária que exprime essa abertura ao mundo. Como arquipélago, Cabo Verde e seu povo sempre tiveram o mar e o além-mar como vocação natural.

Arménio Vieira, nascido na cidade da Praia, é poeta, escritor e jornalista. É tão versátil quanto a palavra, que é seu instrumento de trabalho. É autor de uma obra inovadora que muito diz sobre as lutas e os sonhos de nossos povos. Arménio Vieira é um artesão da liberdade. Cantou os valores comuns que uniram nossos povos ao longo da história na luta anticolonial, a busca da paz, da justiça e do desenvolvimento, mas também enalteceu a liberdade do homem. A saudável rebeldia e o inconformismo de Arménio Vieira andam de mãos dadas com uma profunda sensibilidade pela dor e injustiça do outro, como em João Cabral de Melo Neto, a quem tanto admira. Nem por isso a poesia e a prosa de Arménio Vieira são marcadas pela lamentação. Elas se nutrem, sobretudo, de um forte sentimento de esperança.

Como você, Arménio, sonhamos e trabalhamos para que os quatros continentes em que viceja a língua portuguesa estejam, um dia, à medida dos nossos sonhos de liberdade.

Meus parabéns, Arménio Vieira, e muito obrigado por sua inestimável contribuição à nossa língua e à nossa cultura.

Muito obrigado.

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