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Bem, o meu compromisso com o presidente Alan García é que nós iremos inaugurar a Transoceânica, desde que a gente possa andar umas duas ou três horas de carro até chegar... para ver a qualidade da estrada, viu, ô Marcelo. Você, você tome cuidado que nós vamos fiscalizar a estrada.

Presidente Alan García: (em espanhol)

Presidente Lula: A segunda coisa, para os empresários peruanos e para os empresários brasileiros, para os ministros do Peru e para os ministros brasileiros e, sobretudo, para a imprensa brasileira: não tem ninguém aqui nesta mesa que possa ser testemunha viva da evolução das relações Brasil-Peru como o presidente Alan García. E por que ele é a testemunha mais importante disso? Porque o Alan García foi presidente do Peru entre 1985 e 1990 ou [19]89, e o Alan García sabe que na primeira Presidência dele... eu não sei se ele veio alguma vez ao Brasil ou algum presidente brasileiro foi ao Peru, porque não havia o hábito de nós, sul-americanos, nos visitarmos, não havia o hábito. O nosso comércio era muito pequeno, a nossa relação era, de um lado, com o império europeu, de outro lado, com o império americano. Nós não tínhamos uma tradição de comércio entre nós. Eu penso que nesses 25 anos, 30 anos que se passaram, a evolução foi muito grande, sobretudo nos últimos 12 anos ou dez anos, na América do Sul. O que nós conseguimos fazer nesses últimos dez anos em nível de crescimento de comércio bilateral entre nossos países foi uma coisa extraordinária, e poderíamos fazer muito mais... se nós nos livrarmos dos preconceitos, se nós facilitarmos as dificuldades burocráticas, nós poderemos crescer muito mais.

Eu vou dar um exemplo aos companheiros peruanos e brasileiros, e para a imprensa. Nós temos cidades peruanas vizinhas à cidades brasileiras. Entretanto, às vezes, para exportar uma coisa que o Peru poderia vender para um estado brasileiro, às vezes essas coisas têm que ir até São Paulo para voltar para o estado do Acre, para voltar para Rondônia ou aqui para o Amazonas. Às vezes, a gente tem que trazer de São Paulo, a 4.500 quilômetros, uma coisa que poderia ser comprada ali, de um produtor vizinho, para que a gente mantenha uma balança comercial equilibrada.

O presidente Alan García deve saber que eu tenho pautado os meus discursos de comércio internacional pela manutenção do equilíbrio entre a balança comercial dos dois países. Não importa que o Brasil... e não é importante que o Brasil tenha um grande superávit com o Peru. O ideal é que a gente tenha um comércio equilibrado que, em um ano, um possa ter déficit, no outro ano, o outro tenha um déficit, para que haja um incremento do crescimento econômico dos dois países. Portanto, o Brasil precisa facilitar as importações que a gente tem que fazer do Peru. Por exemplo, o Peru produz... Eu fiquei sabendo que nós levamos oito anos para poder fazer um acordo para importar couve-flor do Peru. Não é possível que demore tanto tempo! Eu sou uma pessoa que come sardinha quatro vezes por dia e por ano, ou melhor, por mês... toda semana, pelo menos quatro dias, eu como sardinha porque eu adoro sardinha, e eu estou sabendo que vocês são grandes produtores, que jogam até fora, quando o Presidente do Brasil poderia estar comprando sardinha do Peru para comer. E o Alan García assumiu o compromisso de me mandar uma caixa de sardinhas, de presente, para eu comê-las.

Poderia falar da cebola, poderia falar da cebola. O Acre é vizinho de algumas cidades peruanas e poderia comprar cebola ali, do lado. Não, nós temos que comprar a 6 mil quilômetros de distância, uma coisa que não tem, não tem, não tem sentido para a política de integração, não tem sentido para o equilíbrio comercial e não tem sentido para o preço. Obviamente que uma cebola que vem de 5 mil quilômetros de distância fica muito mais cara do que uma cebola que está ali, a 50 quilômetros de distância. Então, somente a falta de bom senso é que dificulta as coisas. Possivelmente as nossas aduanas precisem ser melhor formadas, é preciso que a gente mexa em muita coisa.

Mas, de qualquer forma, a questão energética... Meu caro Alan García, numa primeira reunião que eu tive, algum tempo atrás, com os países da América do Sul, discutindo a integração energética, a gente chegava à conclusão de que a América do Sul tem um potencial hídrico a ser explorado, de 264 mil megawatts. Não é pouca coisa se você imaginar que isso que nós temos para explorar é mais de duas vezes e meia... mais de uma vez e meia aquilo que o Brasil utiliza de energia hoje. E nós não exploramos isso. Nós somos um continente – o Brasil tem fronteira com dez dos doze países – em que a gente poderia produzir as hidrelétricas, ter linhas de transmissão – os períodos de chuva são diferentes – e a gente poderia se apresentar ao mundo como a parte do mundo com mais segurança energética de todo o planeta Terra, se a gente utilizar o potencial que nós temos.

Eu acho extremamente importante que no acordo que nós fizemos aqui, no protocolo, a gente dar ênfase à questão energética, à necessidade de o Brasil ajudar a financiar, ajudar a construir e ajudar a usar a energia que pode ser produzida no Peru, à exploração do potencial de gás do Peru. O Peru tem muitos fertilizantes que o Brasil pode utilizar, sobretudo, me parece que muito potássio, coisa que o Brasil tem pouco. Nós queremos que as empresas brasileiras ajudem as empresas peruanas a produzir e a gente ser consumidor daquilo que for excesso de produção no Peru.

De forma, presidente Alan García, que eu fico feliz, acho que os nossos empresários estão dando uma demonstração de que, na medida em que os empresários comecem a conversar, comecem a se entender... Porque a verdade é essa: os empresários brasileiros não davam nenhuma importância para os empresários peruanos e os empresários peruanos tinham medo dos empresários brasileiros. Essa era a verdade, porque durante quase um século os países vizinhos do Brasil aprenderam que o Brasil era um império e, portanto, era preciso todo mundo ter medo do Brasil. E o pior é que quem falava isso era o “império”. Era o “império” que dizia: “Olha, cuidado com os empresários brasileiros, eles são perigosos, não façam negócio com o Brasil”. E tudo para a Europa ou para a América do Norte.

Agora eu penso que nós nos descobrimos, acho que nós nos descobrimos. Eu estou muito feliz, Alan García, com a possibilidade da inauguração da Interoceânica porque eu acho que é a grande veia arterial da integração Brasil-Peru. Eu fico imaginando um brasileiro que quiser ir a Cuzco, ele sair de São Paulo, pegar estrada asfaltada, chegar no Peru, andar mil quilômetros, chegar em Cuzco e poder voltar de carro. Se quiser tomar um banho de praia em Lima, já vai tomar um banho de praia em Lima; volta para o Brasil, vai tomar um banho de praia no Brasil. É uma coisa maravilhosa, e como eu estive lá, no começo dessa obra, pode ficar certo de que eu estarei lá em novembro, em dezembro. Ou depois que terminar o meu mandato, se você me convidar, estarei lá para participar da inauguração dessa obra a que eu dou um significado extraordinário, pela importância que ela tem para a integração.

Mais uma vez, querido Alan, bem-vindo ao Brasil e bem-vindo à nossa querida Manaus.

Presidente Alan García: (em espanhol)
 

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