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Excelentíssimo senhor José Eduardo dos Santos, presidente da República de Angola, e sua senhora Ana Paula dos Santos,

Minha querida companheira Marisa,

Senhores Carlos Maria da Silva Feijó, ministro de Estado Chefe da Casa Civil de Angola; Assunção Afonso dos Anjos, ministro das Relações Exteriores de Angola, por meio de quem cumprimento os demais ministros presentes da delegação de Angola,

Embaixador Ruy Nogueira, ministro interino das Relações Exteriores do Brasil, por meio de quem cumprimento os demais ministros brasileiros,

Senhores embaixadores,

Senadores,

Deputados,

Amigos empresários,

Amigos e amigas,

Sinto-me honrado em receber uma vez mais, no Brasil, a visita do meu estimado amigo, o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

Nosso encontro ocorre poucos dias após o falecimento de José Saramago. Sua obra é extraordinária contribuição para a literatura mundial e para a valorização da Língua Portuguesa. Inconformado com as injustiças de seu tempo, Saramago aliou sua condição de escritor à de lutador social. Deixa-nos como legado seu compromisso com os mais desfavorecidos, uma inspiração para todos nós.

A relação entre Angola e Brasil está marcada pelo entendimento, compreensão, solidariedade, e pela frequente convergência sobre os temas da agenda internacional. Pelos laços históricos, humanos e culturais que unem nossos países e povos, Angola e Brasil sempre mantiveram um relacionamento privilegiado. Hoje vamos formalizar essa aliança, como fizemos agora há pouco a assinatura da nossa parceria estratégica que nos permitirá trabalhar juntos, de forma ainda mais coordenada e produtiva.

Angola vem realizando significativos avanços na consolidação democrática, fortalecendo suas instituições políticas e econômicas. A nova Constituição aprovada este ano é um passo fundamental para que essa jovem nação trilhe o caminho do desenvolvimento com justiça social e consolide seu destino histórico de país soberano. A economia angolana cresce em ritmo acelerado, o que permitiu dobrar o seu PIB nos últimos sete anos.

O Brasil tem orgulho de poder ter contribuído para esse êxito, por meio da atuação de inúmeras empresas e profissionais brasileiros no projeto de reconstrução nacional angolano. O intercâmbio bilateral mostra a força de nossas relações: entre 2002 e 2008 elevou-se mais de vinte vezes, passando de US$ 211 milhões a US$ 4,2 bilhões, o que faz de Angola um dos principais parceiros do Brasil na África. O “Diálogo Brasil-Países Africanos em matéria de Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural” comprovou nossas expectativas.

As semelhanças entre a savana africana e o cerrado brasileiro são promissoras. Esse é um campo fértil para a atuação da Embrapa no continente africano. Queremos ajudar Angola a diversificar sua economia, realizando seu imenso potencial agrícola e assegurando sua soberania alimentar.

Nossa língua comum também oferece um amplo leque a explorar, em matéria de educação e capacitação de recursos humanos. Os acordos celebrados hoje facilitarão o intercâmbio de docentes e estudantes entre universidades angolanas e brasileiras, a concessão de bolsas de estudo de parte a parte e a criação de redes de pesquisa entre os dois países.

Com a inauguração da Universidade Luso-Afro-Brasileira, em Redenção, no Ceará, a ser aprovada pelo Congresso Nacional, vamos formar dez mil profissionais africanos e brasileiros em setores estratégicos como saúde, agricultura e gestão pública.

Tenho certeza de que à frente da CPLP a partir de julho, Vossa Excelência continuará o processo de consolidação de nossa comunidade, fortalecendo nossa língua no cenário internacional.

Caro amigo Presidente,

Compartilhamos as margens do mesmo oceano. Temos o compromisso de zelar pela paz na região e pelo direito de cada país de aproveitar economicamente os recursos de seu litoral e de sua zona econômica exclusiva. Por isso, queremos dar novo impulso à Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Nosso acordo de cooperação na área de defesa contribuirá para esse objetivo. Vamos reforçar os laços já existentes entre as Forças Armadas de ambos os países, e identificar sinergias e complementaridades que contribuam para o desenvolvimento das respectivas indústrias de Defesa.

Com maior aproximação de Ministérios e agências especializadas dos dois países, bem como a maior interação entre a Petrobras e a Sonangol, tenho certeza de que poderemos avançar muito nossa cooperação na exploração de petróleo submarino.

Meu caro Presidente,

Angola e Brasil são dois grandes países em desenvolvimento, que estão convencidos da necessidade de construir uma ordem internacional mais justa e equânime. A reforma das instituições globais não pode ignorar a crescente importância da África e da América do Sul. Nossas economias estão entre as mais dinâmicas do mundo e entre as que primeiro retomaram o crescimento após a crise financeira.

Na caminhada de Angola rumo à reconstrução nacional, seu melhor aliado será uma governança global, democrática e equilibrada. É preciso que o Banco Mundial e o Fundo Monetário abandonem, de uma vez por todas, seus dogmas obsoletos e condicionalidades absurdas. O maior desequilíbrio no mundo de hoje é o que separa países ricos e pobres.

O desenvolvimento da África, da Ásia e da América Latina contribuirá diretamente para a promoção do crescimento global e para a diminuição desse nefasto e inaceitável desequilíbrio. É essa a mensagem que o Brasil levará à Cúpula do G-20, de Toronto, no próximo fim de semana.

Meu caro José Eduardo dos Santos,

A nova política do Brasil para a África veio para ficar. Meu país está definitivamente decidido a contribuir para que essa relação se aprofunde, e a cooperar com o fortalecimento da democracia e da paz nesse continente irmão. Quero, nesta ocasião, reiterar o compromisso de que as portas do Brasil estarão sempre abertas para Angola.

Com esse espírito, convido todos a erguerem um brinde à prosperidade do povo angolano, ao permanente aprimoramento das relações entre Brasil e Angola e à felicidade pessoal de Vossa Excelência e do povo angolano.

Muito obrigado.

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