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Excelentíssimo senhor Silvio Berlusconi, presidente do Conselho de Ministros da República Italiana,

Ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores,

Nelson Jobim, ministro da Defesa,

Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,

E Orlando Silva, ministro dos Esportes, que me comunicou que o Paraguai venceu o Japão nos pênaltis e, portanto, foi para as quartas de final. Significa que nós, significa que nós corremos o bom risco de ter quatro países do Mercosul disputando as semifinais daqui a pouco.

Quero cumprimentar o senhor Adolfo Urso, vice-ministro do Desenvolvimento Econômico, em nome de quem cumprimento todos os membros da comitiva italiana,

Quero cumprimentar o nosso companheiro e amigo Benjamin Steinbruch, presidente da Fiesp,

Cumprimentar os embaixadores aqui presentes,

Cumprimentar os empresários, as empresárias,

E cumprimentar os companheiros da imprensa brasileira e da imprensa italiana,

Recebo com muita satisfação a visita do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Sua presença no Brasil fortalecerá uma parceria estratégica fundada nos vínculos humanos que aproximam nossos dois países. Quase 30 milhões de brasileiros descendem de italianos, que vieram ajudar a construir o Brasil moderno de hoje. Começava aí uma saga que marcou a vida brasileira nas artes, na política, na agricultura, nos negócios, na culinária e no esporte. Esse é o patrimônio maior de nossa amizade.

Caro primeiro-ministro Berlusconi,

Essa amizade centenária ganhou novo impulso com o Plano de Ação que assinamos em abril. Ele prepara nossa parceria para os desafios do século XXI. Queremos estar na vanguarda nas áreas de defesa, de energia, de ciência e tecnologia, de educação e cultura.

A associação no desenvolvimento do caça AMX é exemplo do que podemos alcançar. Vamos replicar seu êxito na produção de unidades navais, fragatas e navios de apoio logístico. Também cooperaremos no setor de transportes terrestres e no desenvolvimento de veículos blindados.

O êxito das empresas italianas instaladas no país comprova que investir no Brasil é um bom negócio. A acelerada retomada do crescimento no Brasil está multiplicando situações para novos empreendimentos.

Temos motivos para otimismo, pois as oportunidades estão traçadas com a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, sem falar nos projetos de infraestrutura no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento.

Estão dadas as condições para continuarmos a multiplicar um comércio bilateral que triplicou entre 2002 e 2008, chegando a quase US$ 10 bilhões.

Mais comércio será a nossa resposta à crise internacional. Queremos ultrapassar a barreira dos US$ 10 bilhões, de forma a refletir as dimensões e potencialidades das nossas economias.

Foi esse espírito de superação que motivou a criação do Conselho Empresarial Brasil-Itália. Vamos diversificar o comércio, estimular a atuação das pequenas e médias empresas e enfatizar projetos conjuntos de inovação tecnológica.

Igual sentido empreendedor nos levou a retomar as negociações para um acordo de associação entre o Mercosul e a União Européia. Temos o desafio de ir além da discussão sobre tarifas e subsídios. Estamos sinalizando o compromisso de ambos os blocos em ganhar escalas de competitividade e multiplicar oportunidades de investimentos.

Também estamos juntando forças em defesa de uma ordem global mais justa e equilibrada. Atuamos juntos no G-20 para assegurar maior transparência e responsabilidade dos mercados financeiros. Assim, lograremos prevenir futuras crises.

Confio que a recém-concluída Cúpula de Toronto tenha dado sinal claro do compromisso do G-20 em tomar as medidas de saneamento financeiro das economias europeias. Mas também de estímulos necessários para garantir uma retomada forte e sustentável do crescimento global.

A crise internacional reforçou o papel decisivo dos países emergentes e em desenvolvimento. A Itália encontrará no Brasil uma alternativa sólida e segura contra choques futuros. Isso só é possível porque não repetimos os erros do passado.

A experiência brasileira não deixa margem para dúvidas. Políticas recessivas não resolvem desajustes macroeconômicos. Pelo contrário, agravam o desemprego e as desigualdades sociais.

A história da América Latina, na década de 80, foi dominada por ajustes fiscais que inviabilizaram o crescimento e produziram graves desequilíbrios fiscais.

Em resposta à crise atual, o Brasil não hesitou em estimular o crescimento, o consumo e o crédito. Eu próprio, no auge da crise, conclamei os brasileiros para que continuassem a consumir.

Os resultados estão aí. Temos uma economia robustecida pelo crescimento recente, pela notável melhora na distribuição de renda, por um sistema financeiro sólido, sujeito à regulação e supervisões rigorosas.

A consequência, no plano social, será a criação de mais de 2 milhões de novos empregos formais em 2010, o que elevará a mais de 14 milhões de postos de trabalho, ao longo do meu governo.

Meu caro amigo Primeiro-Ministro,

Itália e Brasil estão unidos na construção de um mundo fundado na cooperação solidária, onde a solução pacífica de conflitos fortalece a democracia e resguarda os direitos humanos.

Essa convicção nossa ação conjunta de ajuda humanitária às vítimas do terremoto no Haiti. Equipes militares e de primeiros-socorros brasileiras chegaram a Porto Príncipe a bordo do porta-aviões italiano Cavour.

Com igual sentido de solidariedade, estamos empenhados na busca de solução negociada para o conflito árabe-israelense. Estamos convencidos de que novos atores poderão contribuir decisivamente para evitar nova frustração das iniciativas em favor da paz.

Foi com esse espírito que Brasil e Turquia se empenharam em uma solução pacífica e negociada para a questão do Programa Nuclear Iraniano, que se consubstanciou na “Declaração de Teerã”, de 17 de maio.

Senhor Primeiro-Ministro,

Não hesito em afirmar que vivemos um momento de excepcional criatividade na parceria entre italianos e brasileiros. A multiplicidade de eventos e contratos que a sua visita enseja é um eloquente testemunho do que podemos realizar juntos. Sei que será inspiração para os participantes deste evento empresarial.

Minha amigas e meus amigos,

Vocês perceberam que eu acabei o meu discurso, mas eu tenho outro aqui, pequeno. Eu não poderia deixar o Berlusconi ir embora sem falar um pouco com o coração de um brasileiro que tem cada vez mais orgulho do que este país pode ser nos próximos anos.

Quando nós discutimos economia, Primeiro-Ministro, normalmente, os nossos ministros discutem a macroeconomia, grandes números, grandes tomadas de decisões no Tesouro Nacional, no Banco Central. Eu costumo fazer uma mistura entre a macroeconomia e a microeconomia, aquela economia pequena, que não aparece nas primeiras páginas dos jornais, que muitas vezes não merece noticiário em um canal de televisão. Mas é aquela pequena economia que permite que um cidadão simples comece a compreender o que é virar cidadão. Nesses dias, eu fui a um banco no Nordeste chamado BNB, Banco do Nordeste. Esse banco, em 2002 disponibilizou, no ano inteiro, para crédito apenas R$ 262 milhões. E esse banco, Benjamin, tinha uma inadimplência de 37,5%. Significa que era um banco que dava duas alegrias ao tomador do dinheiro: a primeira, o fato de ele pegar o dinheiro; a segunda, o fato de ele não ter que pagar esse dinheiro.

Pois bem, se em 2002 esse banco investiu apenas R$ 262 milhões de reais, em 2009 esse banco financiou R$ 22 bilhões. Para os pequenos agricultores, esse banco financiou R$ 1,3 bilhão, que atendeu a um milhão de pequenos proprietários.

Quando eu falo da microeconomia, eu falo que as coisas não são antagônicas. E vocês sabem da minha briga, no Brasil, de não permitir que haja confronto entre o agronegócio e

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