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Meu caro amigo presidente Obiang,

Companheiros brasileiros e companheiros da Guiné Equatorial,

Pastor Micha Ondo Bilé, ministro das Relações Exteriores da Guiné Equatorial, por meio de quem cumprimento todos os ministros aqui presentes,

Companheiro Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, por meio de quem cumprimento todos os ministros brasileiros,

Empresários brasileiros,

Empresários da Guiné,

Amigos do corpo diplomático,

Senhoras e senhores,

Ser o primeiro presidente brasileiro a visitar a Guiné Equatorial é mais do que uma satisfação pessoal, é oportunidade para recuperar o tempo perdido. Vamos realizar um potencial adormecido desde 1974, quando estabelecemos nossas relações diplomáticas. Queremos consolidar um diálogo lançado pelas visitas pioneiras do presidente Obiang ao Brasil, em 2006 e 2008.

Senhor Presidente,

A Guiné Equatorial e o Brasil apostam na cooperação solidária como resposta aos nossos desafios comuns rumo ao desenvolvimento duradouro e sustentável. Foi com esta convicção que lançamos o Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, em maio passado.

A Embrapa vem colhendo resultados extraordinários em solo africano. Para garantir que essa experiência esteja ao alcance de todos, vamos estabelecer um centro brasileiro-africano de excelência em bioenergia, com estrutura e alcance regional.

A produção de alimentos e de biocombustíveis são complementares e plenamente compatíveis. O Brasil é o maior exemplo de que é possível aumentar a produção de energia limpa sem comprometer nossa riqueza e diversidade agrícola.

Sabemos que não há agricultura forte sem uma agricultura familiar robusta. A Guiné pode reproduzir a experiência brasileira com políticas públicas voltadas para o pequeno e médio produtor rural. O Programa de Aquisição de Alimentos do Brasil combina soberania alimentar com um leque bem-sucedido de políticas sociais. O Plano da Guiné Equatorial, Horizonte 2020, vai nessa direção: fazer do pequeno agricultor local um parceiro fundamental no desenvolvimento do país.

Guiné Equatorial e Brasil têm um potencial extraordinário para crescerem juntos. É o que demonstra a notável elevação de nosso comércio bilateral. Entre 2002 e 2008 passou de US$ 7 para US$ 411 milhões. Com a criação da Comissão Mista Brasil-Guiné Equatorial, nosso intercâmbio avançará muito mais.

Por essa razão, trouxe comigo importante delegação empresarial composta por representantes dos setores de infraestrutura, aeronáutico, agronegócio, energia, maquinário agrícola e telecomunicações. Todos eles identificam novas oportunidades de negócios.

Empresas brasileiras já operam na Guiné Equatorial em obras de infraestrutura, na cidade de Bata. Estão fazendo da engenharia brasileira um parceiro na construção de moradias, estradas, barragens fluviais e usinas hidrelétricas.

O desenvolvimento do país passa também pelo aproveitamento soberano de seus recursos marítimos. Por meio de acordo no setor de defesa, Guiné Equatorial vai adquirir uma corveta brasileira junto à Emgepron. Vamos reproduzir no Golfo da Guiné a boa cooperação que a Marinha do Brasil mantém com a Namíbia.

Senhor Presidente,

Nossa paixão comum pelo esporte, e em especial pelo futebol, também nos aproxima. Sei do empenho conjunto da Guiné Equatorial e do Gabão para sediar a Copa Africana de 2012. Apoiamos esse esforço para fazer deste país um grande centro desportivo internacional. Desde já coloco à disposição o conhecimento que o Brasil vem adquirindo na preparação da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Nossa identificação cultural tem raízes em nossa afinidade linguística. Mais de duas mil pessoas na Ilha de Annobón falam o annobonés, dialeto português. Com mais razão, o Brasil apoia o pleito da Guiné Equatorial de tornar-se membro pleno da CPLP. Vamos tornar a língua portuguesa ainda mais presente na Guiné Equatorial e ampliar a cooperação em educação e cultura.

Senhor Presidente,

Deixo Malabo com a certeza de que identificamos áreas básicas para o trabalho conjunto. Agora é hora de passarmos aos entendimentos e mecanismos operacionais que nos permitam levar adiante nossos propósitos, e dar formas concretas ao nosso ideal de cooperação.

Quero assegurar ao povo da Guiné Equatorial que em sua caminhada rumo ao desenvolvimento econômico, social e político poderá contar com a cooperação solidária do Brasil e do seu povo. O Brasil acredita que a verdadeira democracia que desejamos deve apoiar-se na riqueza, e sobretudo na justiça social. Esse é um compromisso que o Brasil assumiu com todos neste continente irmão. São quase 200 milhões de brasileiros e 800 milhões de africanos trabalhando juntos na construção de um mundo melhor.

É com esse espírito que convido todos a erguerem suas taças pelo desenvolvimento contínuo das relações da Guiné Equatorial, pela saúde do presidente Obiang, e pela plena felicidade e prosperidade crescente deste povo irmão.

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