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Bem, primeiro, cumprimentar o senhor Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu,

Nosso querido companheiro José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia,

Cumprimentando o companheiro Celso Amorim, estarei cumprimentando todos os companheiros ministros brasileiros que estão aqui,

Cumprimentando os membros, homens e mulheres das delegações européias,

Cumprimentar o Carlos Mariani Bittencourt, copresidente do 4º Encontro Empresarial Brasil-União Europeia, por meio de quem cumprimento os empresários brasileiros e europeus aqui presentes,

Cumprimentar os companheiros da imprensa,

Cumprimentar os nossos companheiros diplomatas que estão aqui, razão pelo sucesso do Celso Amorim,

Cumprimentar... Ia cumprimentar pessoalmente o Norton, pela organização, mas, Durão Barroso, você sabe que nesses 80 anos de existência de Copa do Mundo, nove Copas são do Mercosul e nove Copas, da Europa, da União Europeia. Ou seja, mais precisamente quatro da Itália, três da Alemanha, uma da Inglaterra e uma da Espanha. E a França uma. É que a gente esquece porque a França ganha em um ano e no outro ela cai fora no começo.

Bem, então, a União Europeia tem uma a mais que nós, tem uma a mais do que nós, Celso. Estamos devendo essa, que vai ser o desempate em 2014, quando será realizada aqui, então, no Brasil.

 

Mas eu queria dizer para os empresários que eu sinceramente não vou fazer o meu discurso. O meu discurso tem 29 páginas, fala muitas das coisas que aqui já falaram os nossos companheiros da União Europeia, certamente vai repetir coisas que o Mariani falou, certamente vai repetir muitas coisas que os empresários falaram na hora em que nós estávamos discutindo entre os ministros, e eu vou tentar ser breve.

Eu só queria que vocês me alertassem, porque toda vez que eu falo que vou ser breve, e falo de improviso, eu falo mais do que se tivesse lido o meu discurso, mas vou tentar. Celso, faça alguma coisa, assim, um negócio qualquer.

Olha, eu penso que a primeira coisa que nós temos que enaltecer é a qualidade da parceria estratégica entre União Europeia e Brasil. E antes da parceria estratégica entre União Europeia e Brasil, a relação entre Brasil e Europa. Ou seja, eu comecei a minha vida política tendo relações com os europeus, seja brigando com os empresários europeus em São Bernardo do Campo, em Diadema, onde eu era presidente do Sindicato, seja indo negociar com os dirigentes sindicais europeus na Europa, seja em Portugal, seja na França, na Inglaterra, na Alemanha, depois na Suécia, na Holanda, na Finlândia, antes de ser Presidente eu já conhecia tudo isso, negociando acordos sindicais. Então, nós temos uma imensa noção da importância do significado do investimento, do capital europeu, no nosso país, no Mercosul e, sobretudo, no Brasil.

O que há de mudança concreta? Há duas mudanças que nós precisamos ter visíveis, ou seja, com a queda do Muro de Berlim, a União Europeia, a parte rica da União Europeia teve que adotar a parte pobre da União Europeia. E obviamente que essa parte pobre da União Europeia, em vários momentos, disputa com o Brasil e disputa com outros países a partilha das possibilidades de investimentos que tem a União Europeia, e nós constatamos e aceitamos isso como um fato natural, da mesma forma que é uma coisa nova. A gente não tinha noção, em 1973, quando Nixon resolveu estabelecer que a China seria um parceiro preferencial, que a China ia chegar a 2010 com a potência, com a capacidade produtiva, com a capacidade de crescimento e, sobretudo, com a capacidade de reserva que a China chegou a 2010. E, também, muita gente não acreditava que o Brasil pudesse chegar a 2010 na situação em que se encontra o Brasil.

Eu vou dizer isso porque eu estou vendo aqui muitos brasileiros, estou vendo muita gente da imprensa brasileira, estou vendo muita gente do próprio governo, e a verdade é que muitos de nós não acreditávamos que o Brasil chegasse aonde chegou. Se a gente pudesse fazer uma retrospectiva, o que alguns de nós pensávamos há dez anos, não se tinha noção de que o Brasil pudesse chegar aonde chegou. Eu podia até começar fazendo crítica a mim mesmo, Miguel Jorge, para não fazer aos outros, eu me reuni durante muito tempo com grande parte dos melhores economistas deste país, que faziam parte do meu, nem sempre do meu partido, mas que normalmente me auxiliavam em campanha política, e eu, depois de cada campanha, depois de cada debate, com 20 ou 30 economistas, eu saía de lá me perguntando se eu deveria ser candidato a Presidente, porque eles me mostravam uma situação tão difícil no Brasil, ou seja, uma dívida interna impagável, uma dívida interna impagável, a externa impagável, geração de emprego impossível, a quebradeira das empresas, a falta de competitividade, a falta de infraestrutura, e, às vezes, eu ia para casa com dor de cabeça, eu falava: puxa vida, será que esses companheiros são meus amigos? Eles dizem que eu tenho que ser Presidente da República do Brasil e dizem que o Brasil está quebrado, que não vai dar certo. Como eu posso ser presidente de um país que não vai dar certo?

Outros companheiros, é importante que o nosso companheiro, nossos companheiros conheçam essa história, porque isso vai mexer muito com o futuro deste país. É importante que o companheiro Van Rompuy e o Durão Barroso saibam e os empresários saibam o seguinte – Quantos diziam assim: “Mas, este país, será que vai dar certo eleger um metalúrgico, um cara que não tem diploma universitário, um cara que não aprendeu a falar inglês, um cara que não aprendeu a falar espanhol, um cara que fala ‘menas laranja’, ‘menas não são sei das quantas’? Será que vai dar certo?”.

E por aí, ou seja, as coisas iam sendo construídas com uma imagem muito negativa. Agora mesmo, quando nós fomos disputar as Olimpíadas, em Copenhague, eu cansei de assistir, cansei de ver, cansei de ouvir, cansei de ler, as pessoas dizerem: “Mas por que o Brasil quer uma Olimpíada? O Brasil tem que investir em educação, o Brasil precisa investir em transporte, o Brasil precisa investir não sei das quantas. Esse negócio de competir com os Estados Unidos... Onde já se viu competir com os Estados Unidos? Chicago! Onde já se viu disputar com Madri? Onde já se viu disputar com Tóquio?” Parecia uma coisa impossível, chegavam a me chamar de arrogante, de achar que era muita petulância desse baixinho nordestino querer fazer uma Olimpíada, o Brasil já tinha perdido três, e que... sabe?

E depois a gente percebe que as coisas acontecem quando a gente consegue trabalhar, quando a gente consegue armazenar, e eu inclusive, Durão, agradeço a um companheiro como você, que antes de eu tomar posse, foi à Granja do Torto me visitar, eras então o primeiro-ministro de Portugal, foste com o companheiro chamado Vasco e o companheiro Aloizio Mercadante, e foste dizer que estaria à disposição, enquanto primeiro-ministro de Portugal, para me ajudar naquilo que fosse possível, ajudar... Isso lá, ainda em dezembro de 2002, eu não tinha tomado posse, eu já era Presidente da República. E fora aparecendo companheiros depositando confiança, eu não me esqueço nunca do (incompreensível), que foi o presidente do FMI, da primeira conversa que nós tivemos, uma conversa dura, uma conversa... sabe? Porque eu passei 20 anos da minha vida carregando faixa, “Fora FMI”, “Fora não sei das quantas” e, de repente, eu estava sentado na frente de um cara do FMI, querendo que aumentasse superávit primário, e eu tinha acabado de ganhar as eleições, eu deitava na cama e ficava olhando para o céu, se era verdade que eu era Presidente ou não, se eu tinha ganho, se eu já tinha tomado posse... Aquela... sabe?

Bem, o dado concreto é que essa efervescência de dúvidas e de dificuldades, e os adversários torcendo para que não desse certo, tinha gente que achava que não ia dar certo, que ia quebrar, que o Brasil realmente não ia poder dar certo, ou seja, o dado concreto é que os empresários europeus que vieram aqui hoje, que vieram ontem, antes de ontem, trasantontem, sabem perfeitamente bem que nós estamos vivendo um momento que pouca gente acreditou que a gente pudesse viver. Um país que tem um sistema financeiro mais sólido do que até o europeu. Um país que tem uma política fiscal muito dura, um país que tem controle da alavancagem da capacidade de financiamento dos bancos brasileiros. Um país que tem bancos públicos de qualidade, e que foram esses bancos públicos que não permitiram que este país quebrasse, ou tivesse o desastre que teve em algumas economias mais ricas, porque aqui, Durão Barroso, você sabe disso, aqui, quando nós descobrimos, um belo dia, que a indústria automobilística brasileira não estava vendendo carro novo porque não tinha quem comprasse carro velho, carro usado, e que os bancos que financiavam carro usado não tinham mais carteira, não tinham mais dinheiro, ninguém queria comprar, nós tomamos a atitude de comprar a carteira dos bancos pequenos que financiavam carro usado, tivemos a coragem de comprar 50% do Banco Votorantim, que tinha uma carteira de R$ 90 bilhões de reais de financiamento de carro usado, porque nós precisávamos de expertise. E aí eu fui perguntar para o cidadão do Banco do Brasil em quanto tempo a gente iria adquirir expertise se a gente começasse do zero. Ele falou: “vai levar anos, Presidente”.

Aí eu lembrei de uma história que Felipe González me contou, eu era candidato a Presidente da República em [19]89 e fui à Espanha, e Felipe González era primeiro-ministro, e ele me recebeu gentilmente, porque eu tinha conhecido ele na UGT, ainda enquanto advogado, e o Felipe González fez uma pergunta para mim, dizendo o seguinte: “Lula, como é que você vai lidar com as Forças Armadas?” E eu, humildemente, falei para o Felipe González: Ah, nós vamos democratizar as Forças Armadas. E ele perguntou: “Como é que vai fazer para democratizar as Forças Armadas?”. Nós vamos começar a formar as crianças nas escolas, não sei das quantas... Ele falou: “Lula, você tem um pequeno problema, é que você só tem quatro anos de mandato e um general demora quatro anos para se formar, 40 anos, ou seja, você só tem quatro anos, um general leva 40 anos para chegar a ser general, como é que você vai democratizar esse general se o seu mandato só dura quatro anos?”.

Aí eu aprendi essa lição e comecei a perceber que a gente precisa fazer as coisas que tem que ser feitas com o material que a gente tem, com a disponibilidade que a gente tem, e com o tempo que a gente tem. Então, eu tomei uma decisão neste país: eu não vou ficar brigando com ninguém, está cheio de gente que tentou brigar comigo, mas eu não quero brigar com ninguém. Eu não quero brigar porque o mandato não permite você brigar. O mandato é tão curto, que se você trabalhar 24 horas por dia, como a gente trabalha, ainda não consegue fazer tudo. Você imagina se você passar o tempo brigando com a tua oposição, brigando com empresário, brigando com trabalhador. Eu resolvi não brigar.

O dado concreto é o seguinte: este país virou um país sério, este país virou um país sério. Antigamente, quem viajava, e os empresários que viajavam, a imprensa que viajava, sabia o que Brasil era tido lá fora como um país que não cumpria com as suas obrigações. Aliás, foi um presidente francês que veio aqui e disse que este país não era sério. Porque as pessoas achavam que podiam brincar, podiam brincar de fazer dívida e não pagar, podiam brincar de dizer que iam fazer parceria e não fazer. Podiam brincar de dizer que estavam fazendo investimentos e não faziam. E sabe o que acontece, companheiros da União Europeia, eu tinha de provar a cada dia que a gente tinha que fazer as coisas. E eu tinha um medo, Durão Barroso, a minha visão era o Walesa, presidente da Polônia, porque qualquer intelectual, qualquer empresário, que já governaram este país aqui, aos montes, não deu certo, não deu certo, o cara sai, volta para a sua empresa, o cara passa seis meses em Nova York, seis meses em Paris, o cara vai fazer um cursinho de quatro meses em Harvard, para aperfeiçoar o seu inglês, volta, e quatro anos depois é candidato à Presidente e ninguém se lembra de nada.

E eu tinha um Walesa como experiência, o Walesa, está certo que ele não tinha partido, não tinha organização, foi muito mais a queda do Muro de Berlim que elegeu o Walesa, foi a força da Igreja Católica, mas um dado concreto é que ele terminou um mandato fracassado, ele terminou um mandato, ou seja, com zero na pesquisa, tentou ser candidato, teve 0,6% de voto. E eu falava: puxa vida, se nós terminarmos assim, eu estou desgraçado. Qual era o meu medo? Era você criar na sociedade a ideia de que se um trabalhar não deu certo, nunca mais você vai eleger um trabalhador para governar este país.

E aí começamos a trabalhar o acerto da macroeconomia, uma pena que o Guido Mantega não está aqui, não sei se ele veio de manhã falar, mas era importante que os empresários pudessem ouvir como está a macroeconomia brasileira. E junto com a macroeconomia, companheiros, nós fizemos uma coisa chamada microeconomia, que é um milagre tão ou mais importante do que a macroeconomia. Ou seja, nós decidimos, neste país, que não era incompatível a gente fazer distribuição de renda enquanto o país crescia. Nós desmistificamos o mito de que era preciso primeiro o bolo crescer para depois distribuir. E com pequenas políticas de transferência de renda, com pequenas políticas de transferência de crédito, nós fomos criando uma sociedade neste país que foi adquirindo poder de compra, que foi aumentando o comércio, que foi aumentando a fábrica... Quando chegou a crise em 2008, as classes D e E do Nordeste brasileiro consumiram mais do que as classes A e B do Sudeste brasileiro. É o milagre da multiplicação dos pães, ou seja, dê um pouquinho a quem não tem nada que aquele pouquinho vira um prato de comida dentro de casa, vira um sapato, vira uma meia, vira um tênis, vira qualquer coisa. E essa gente começou a ter acesso a empréstimo.

Eu lembro, Durão Barroso, e lembro companheiro van Rompuy, eu nunca tinha ouvido falar na palavra “crédito consignado”. Quando foi um dia, nós resolvemos, perguntamos para os banqueiros: Por que não empresta dinheiro para pobre? “Ah, porque não tem garantia”. Porque no Brasil, a coisa era tão difícil para pegar dinheiro, que só conseguia dinheiro no banco quem não precisava de dinheiro. Quem precisava, não conseguia crédito neste país.

Então, ah, tem problema de crédito? Tem. Então nós resolvemos criar crédito, criamos uma coisa chamada “crédito consignado”. Uma parte dele feito acordo entre sindicatos e empresários. Escolhia o banco, emprestava o dinheiro, não podia consumir mais que 30% do pagamento do trabalhador, ele escolhia em quantos meses podia pagar, pegava R$ 2 mil, pegava US$ 1 mil, US$ 1,5 mil, US$ 800... O fato concreto é que hoje nós temos R$ 120 bilhões no crédito consignado circulando por este país, fazendo com que os pobres possam comprar alguma coisa neste país.

Eu não vou falar de todos os programas sociais, eu queria falar desse, e queria falar de um programa que muita gente achou que eu só trabalhava para o pobre. Nós criamos aqui um programa chamado Luz para Todos, levamos energia para mais de 12 milhões de pessoas, foram 2 milhões e 400 mil residências que não tinham luz. Como o pobre tem mais filho do que a classe média... a classe média é um ou dois – a classe média é meio sovina para fazer filho –, é um ou dois... Ou seja, os pobres são mais investidores, eles têm quatro, têm cinco... Então, nós chegamos a 2 milhões e 400 mil casas até agora, pretendemos chegar a muito mais até o final do ano. Ou seja, atendemos praticamente mais de 12 milhões de pessoas com um programa em que nós colocamos o poste de graça, o fio de graça, já foram 1,1 milhão km de fio, já foram 5 milhões e 600 mil postes, já foram 860 mil transformadores... Tudo de graça, pago pelo governo, para levar ao povo da Amazônia, ao povo de Nordeste, o direito de ter a mesma luz que tem o Presidente da República em Brasília, ou, quem sabe, o companheiro que mora na Avenida Paulista, ou quem mora em Copacabana.

O que aconteceu com a multiplicação dos pães? Quando a luz chega na casa da pessoa, 83% compraram televisor, 79% compraram geladeira, 59% compraram aparelho de som, e eu fico imaginando quantas casas de farinha, quantos moinhos, quantos liquidificadores foram comprados por essa gente pobre, que estava vivendo no século XVIII e que, em quatro anos, nós trouxemos ela para o século XXI.

Ou seja, esse é o milagre de uma série de coisas que aconteceram no Brasil, que colocou dinheiro para circular. Eu vou lhe dar um exemplo. Você conhece São Paulo bem, não é, Durão Barroso? Pois bem, você sabe qual é o Mc Donald's que mais vende, que mais vende no mundo hoje? Não é de Nova York, não é de Chicago, não é de Frankfurt. É de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Ou seja, é o pobre tendo acesso àquele lanche “buchudo”, que precisa ser jacaré para poder dar uma mordida naquilo, eu não consigo... Mas, de qualquer forma, a molecada gosta, e venda-se. Então, esse é o milagre deste país. É o milagre de um governo que está investindo, até 2014, mais de US$ 600 bilhões em infraestrutura. É o milagre de um governo que está investindo, até 2014, US$ 224 bilhões na prospecção de petróleo, em pesquisa, na construção de navio, na construção de plataforma...

Porque, antes de eu chegar ao governo, o Brasil não fazia sonda, não fazia plataforma e não fazia petroleiro, porque diziam que a gente não tinha tecnologia. Nós compramos uma briga, e vamos fazer. Que me perdoem os companheiros de Singapura, que me perdoem os companheiros da China: a verdade é que 75% da plataforma, da sonda e dos navios são componentes nacionais. Eu fui inaugurar um navio, agora, em Pernambuco, um grande petroleiro. Os soldadores eram cortadores de cana que foram para uma escola aprender a soldar e deixaram de ser cortadores de cana, profissão que eles fazem desde que os portugueses chegaram aqui, em 1500.

Então, é esse milagre deste país que teve a coragem de ontem lançar o edital da construção de um trem-bala ligando o Rio de Janeiro a São Paulo e a Campinas. E vai ter gente que não vai gostar: “Está ganhando dinheiro em trem-bala, poderia fazer uma ‘trem-lesma’, um trem não sei das quantas”.  Nós queremos é logo o “bicho” mais ligeiro, logo o “bicho” mais rápido, para a gente... Porque o pessoal viaja para a Itália, para a Espanha, para Portugal, para a China e fala: “Nossa, lá o trem é maravilhoso”. E aqui no Brasil tinha que ser aqueles “toc-toc” pendurados. Não! O Brasil tem competência.

E vamos fazer a Copa, vamos fazer Olimpíada do Exército 2011, vamos fazer Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo 2014, Copa das Américas 2015, e Olimpíadas 2016. É pura overdose de esporte, overdose. Vai ter gente que vai dizer: “Mas o Brasil está preparado para tudo isso?” São aqueles mesmos que diziam: “A África está preparada para tudo isso?” São aqueles que não acreditam em si mesmos. Porque tem um tipo de gente que não acredita, levanta de manhã: “Ah, não vou sair de casa porque vai chover”; no outro dia: “Eu não vou sair, porque o sol vai estar muito quente”; “Eu não vou sair para procurar emprego porque não vou achar”. Eu saía para procurar emprego, meu caro Durão Barroso... Eu fiquei desempregado um ano e meio. Eu tinha um sapato que parecia aquele de couro de jacaré, mas que não tinha sido trabalhado direito, o couro era duro. Eu andava mais de oito quilômetros a pé, chegava determinado momento, o sapato apertava, eu tinha que tirar e andar a pé, e nunca deixei de sair para procurar emprego um dia, e um belo dia eu achei o emprego.

Então, eu acho que o Brasil adotou a seguinte política: Nós não temos que ficar mais esperando ninguém, nós temos que acreditar no nosso potencial. Quando eu cheguei aqui, Durão Barroso, era até vergonhoso falar no Brasil ter empresa multinacional. Era até vergonhoso. Eu lembro que, em Angola, eu disse a um grupo de empresários brasileiros: Gente, nós precisamos ter empresa multinacional, é legal ter empresa brasileira, é uma bandeira do Brasil em outro país. Aqui, teve um jornal que fez uma manchete: “Lula critica empresários que não querem ser multinacionais”.

Hoje, nós temos empresa no Canadá, temos empresa na Alemanha, temos empresa nos Estados Unidos, temos a maior empresa, onde você quiser tem empresa, acho que até no Alasca nós já estamos. Acho que até... Só não queremos ir para a Antártida para não poluir, mas o país ganhou envergadura, tem uma geração de empresários novos que estão acreditando, que investem, que não ficam lamentando... Eu, em cada viagem que eu faço, eu pego logo esse aviãozinho meu, que a imprensa me criticava porque eu tinha comprado um avião novo, quando foi um dia colocamos todos eles no velho, o velho quase cai, aí todo mundo achou que tinha que comprar um novo mesmo...

Esses dias nós fomos fazer uma viagem e levamos o “sucatão” aí de... Como chama? De Escav. Aí estão lá, todos os companheiros... Aqui está cheio de companheiros que estavam dentro do avião. Aí vai lá o piloto e fala o seguinte: “Bom, em caso de falta de pressurização...”. Todo mundo ficou esperando cair a máscara, não tinha máscara... O cara pegou um saco plástico e colocou no pescoço e tinha um botão que durava só cinco minutos, ou seja... Esse era o avião reserva nosso. Esse era o avião reserva nosso, sabe? E as pessoas tinham vergonha de dizer que a gente tinha que comprar avião. As pessoas tinham vergonha, é a mediocridade política, a mediocridade, a visão mesquinha de quem não tem autoestima, de quem não tem orgulho.

Então, queria dizer aos empresários europeus e aos brasileiros: se vocês quiserem um mercado para fazer investimento, que tem um governo que paga na hora, eu duvido que tenha no mundo hoje um governo que paga como paga o governo brasileiro, duvido. (Incompreensível) se você sabe, até o dinheiro do FMI, nós fomos o primeiro a colocar. Os 14 bilhões do FMI, muita gente mais rica do que nós não colocou, mas nós já colocamos. Porque eu acho que é isso que vai dando credibilidade a este país.

Então, eu queria dizer aos empresários europeus: eu estou extremamente satisfeito com a nossa parceria estratégica, acho que nós temos um potencial extraordinário de crescimento. Nós temos muita afinidade, muita, muita afinidade, ou seja, nós fomos descobertos pelos europeus. Já os alemães chegaram aqui em 1850, já os italianos chegaram em 1875, e foram ocupando, foram ocupando. Depois chegaram os japoneses em 1908, chegaram os espanhóis não sei quando, mas o dado concreto é o seguinte: É que este país é um país plural, multiétnico, e nós nos orgulhamos dessa mistura. Não sei se você viu a Copa do Mundo, seleção da Alemanha, só alemão, só tinha um negro, que era um brasileiro, que era o Cacau. Jogou Itália e não sei quem, 22 brancos em campo, mais 12 brancos na reserva. Só tinha... O time da África era só negro, não tinha branco. O único time que tinha negro e branco era Brasil e França, e Portugal também tinha um pouco, menos que Brasil e França. Então é este país, de múltipla raça, de múltipla cultura, este país, essa miscigenação extraordinária, que tem uma economia sólida, que tem US$ 250 bilhões de reserva. Eu falo com orgulho porque já somos o sétimo país do mundo em reservas internacionais. E não faz muito tempo, meu companheiro Rompuy, não faz muito tempo, eu estava na Índia quando a Índia atingiu cem bilhões. E eu dizia: meu Deus do céu, será que um dia o Brasil vai ter US$ 100 bilhões de reserva? Três anos depois, nós temos 100, mais 100, e mais 50, ou seja, temos duas vezes e meia o que a gente pensava que não ia ter.

Portanto, eu quero, do fundo do coração, dizer a vocês, companheiros empresários, que este país está de portas abertas, com muitas oportunidades de investimento, nunca se fez, nem os ingleses quando vieram aqui financiar Barão de Mauá, nem eles estão fazendo a quantidade de ferrovias que nós estamos fazendo neste país.

Então, eu quero convidar vocês, se tiverem dinheiro guardado em um banco e não tiverem certeza se esse banco está muito sólido, por favor, atravessem o Atlântico e venham para o Brasil, que nós estamos esperando vocês.

Um abraço e que Deus nos abençoe.

 

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