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Portal do Governo Brasileiro
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Meu caro companheiro e amigo Mauricio Funes, presidente de El Salvador, e sua companheira... nossa querida companheira Vanda Pignato,
Meu querido Hugo Martínez, ministro das Relações Exteriores de El Salvador, por meio de quem cumprimento todos os integrantes da comitiva de El Salvador,
Meu querido companheiro Miguel Jorge, ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior [Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior], por meio de quem cumprimento toda a comitiva do meu governo,
Meu caro companheiro Benjamin Steinbruch, presidente em exercício da Fiesp,
Companheiros empresários de El Salvador, empresários brasileiros,
Companheiros da imprensa,
Amigos e amigas,

Eu prometo ser muito breve porque acho que é importante ouvirmos o companheiro Mauricio. Mas vocês sabem que estão faltando menos de cinco meses para terminar o meu mandato, e eu tenho dois microfones aqui à minha frente, eu não sei ficar sem falar, então...

Como é uma reunião com empresários, eu queria me dirigir, especificamente, aos empresários brasileiros e aos empresários de El Salvador, e tentar, em breve... em curto espaço de tempo, contar um pouco daquilo que aconteceu no Brasil, que eu acho que é o sucesso do Brasil e que eu acho que pode ser o sucesso de El Salvador e pode ser o sucesso de qualquer país do mundo.

A primeira coisa que nós temos que ter clareza – os empresários de El Salvador, o companheiro Mauricio e a Vanda sabem – é que El Salvador é um país pequeno, de 6 milhões de habitantes, que durante 12 anos gastava 60% do seu orçamento por conta de uma guerra. Eu acho que ninguém que viveu uma experiência como aquela vivida em El Salvador deseja aquilo em qualquer outro país do mundo. Existem milhões e milhões de razões para que a gente fale em paz todos os dias, e não existe nenhuma razão para que a gente fale em guerra a vida inteira.

Graças a Deus, o Brasil é um país que, há muito mais de um século, vive em paz. E quando eu assumi a Presidência da República eu tinha um compromisso, primeiro, de consciência. Vocês sabem, a minha origem é do movimento sindical, aqui tem vários companheiros que me conheceram em greve. Está aí, atrás, o Luís Eulálio de Bueno Vidigal, que foi o primeiro presidente da Fiesp, em 1978, que quando nós começamos a fazer as primeiras greves foi a São Bernardo do Campo conversar comigo.

Era impensável, era impensável que um presidente de uma federação fosse a uma sede de um sindicato, e o Vidigal foi conversar comigo. Aqui tem muitos empresários com quem eu fiz greve. Eu estava falando com o Mauricio do Delfim Netto. Eu passei tanto tempo fazendo críticas ao Delfim Netto. Quando as pessoas vão virando personalidades vão ficando importantes, tudo que acontece de errado a gente encontra alguém para jogar a culpa. E teve um tempo em que tudo era o Delfim Netto, apesar dele não ser o presidente da República, mas ele era tão forte que era mais forte que o presidente, a tal... pela inteligência dele, pela participação dele.

Mauricio, hoje eu posso te dizer que depois de muito tempo, já na campanha, eu hoje reconheço e admiro o Delfim Netto como uma das pessoas mais extraordinárias que este país teve, uma figura inteligente, e que nos momentos mais difíceis do meu governo ele poderia ter escrito artigos me esculhambando, dizendo: “Está provado que operário não sabe governar mesmo. Tem que ir lá, voltar a comer marmita no bandejão, que é o que você sabe fazer”. Ele fez um dos mais extraordinários artigos defendendo a mim e defendendo a política econômica do governo, mesmo quando alguns companheiros do PT criticavam a nossa política econômica.

Bem, eu estou contando esses casos para mostrar a evolução que os anos e o exercício do cargo nos dão. Eu vou deixar o governo, Mauricio, daqui a cinco meses, com a consciência mais tranquila do que a consciência de qualquer passarinho que esteja descansando na selva em El Salvador; com a consciência tranquila do dever cumprido, sabendo que fizemos muita coisa e sabendo que ainda tem muita coisa para fazer. E o que é gostoso é a gente descobrir que o povo aprendeu a gostar das coisas boas. Então, quanto mais a gente faz, mais o povo reivindica.

Essa é que é a coisa extraordinária da democracia, é as pessoas terem desejos infinitos de melhorar de vida, de trabalhar, de ganhar seu salário. Vocês sabem quantas décadas nós passamos, neste país, em que tinha desaparecido da porta das fábricas qualquer placa dizendo “Precisa-se”, e nós, em oito anos, vamos entregar o mandato com a geração de 14 milhões e meio de empregos formais, coisa que era impensável acontecer neste país.

Eu tenho tido com os empresários brasileiros, Mauricio, uma relação... eu, certamente, já vim mais à Fiesp do que fui à CUT, porque... certamente, porque “santo de casa não faz milagre”. Eu tenho vindo muito aqui porque eu tenho um pensamento sobre o papel que os empresários brasileiros podem jogar e que muitas vezes não jogamos porque não sabíamos que precisávamos jogar, ou nós mesmos, às vezes, não nos dávamos a importância que a gente deveria ter. Nós não tínhamos orgulho de nós mesmos porque nós aprendemos que tinha gente melhor do que nós e, portanto, nós éramos já, de pronto, tratados por nós mesmos como se nós fôssemos inferiores.

Nós não tínhamos uma boa relação na América do Sul. Eu sou o primeiro presidente da República que visitou todos os países da América Central. Aqui neste país, com exceção do Imperador, em 1800 e pouco, que pegava um navio, saía por seis meses, de viagem, para ir para o Líbano ou para ir não sei para onde, os presidentes gostavam muito de ir para a França, para Londres, para... alguns para Miami, outros para Nova Iorque. Não existia muito... mesmo aqui, o nosso continente.

Este ano a gente vai fechar a nossa balança comercial com a Argentina, quase na ordem de US$ 30 bilhões, quase 30 mil millones. Gostou do meu espanhol? Mil millones? Pois bem, quando eu cheguei aqui, a gente tinha US$ 7 bilhões ou 8, porque nós tínhamos aprendido, não era culpa individual de ninguém: todo mundo quer vender para os Estados Unidos. Só que os Estados Unidos, também, têm limite para comprar. Todo mundo tem limite. Todo mundo quer vender para a Europa, mas a Europa também tem limite para comprar. E quando chega a um determinado limite, nós viramos competidores, e quando nós viramos competidores, viramos inimigos.

Vocês sabem que no meio... neste mundo globalizado, esse negócio de comércio é guerra, é guerra... guerra ou problemas políticos internos de cada país. Nós não fizemos acordo na OMC, por conta da política americana e por conta da política na Índia. Mas o acordo estava quase pronto, faltava quase nada para a gente resolver, e parou. Já tem dois anos que não se fala mais na Rodada de Doha. Só nós, aqui no Brasil, falamos na Rodada de Doha. E o Brasil não queria nada. A gente dizia: Não, o que nós queremos é fazer uma política que possa favorecer os países menores, que os países ricos possam abrir seus mercados para os países menores.

Eu tenho conversado muito com os empresários. Graças a Deus, os empresários brasileiros têm viajado muito, ou junto comigo ou sozinhos, ou junto com o meu ministro Miguel Jorge. Nós temos montado delegações; para quase tudo quanto é país que a gente pode, leva delegações de empresários para que eles possam ver e conhecer outros empresários, os empresários dos outros países conhecerem a gente. Porque também, do ponto de vista da política econômica e da política industrial, muitas vezes, foi vendido para muitos países da América Central, como foi vendido para o México, que o grande perigo para o México era o Brasil. Certamente, alguém, uma vez, em El Salvador ou na Guatemala ou em Honduras deve ter dito: “Olha, cuidado com os empresários brasileiros. Os bonzinhos são os americanos. Os brasileiros são um perigo danado”. Ora, mas eu nem acho ruim, porque essa é a política de quem quer manter o seu mercado, não permitir que outros entrem no seu mercado.

O Brasil não tinha nenhuma importância. Quando o Brasil virou o maior exportador de carne do mundo, você tem que ver, Mauricio, o que falam da carne brasileira, o que falam... Aqui, muitas vezes, se pegar um passarinho comendo um carrapato em cima de um boi, vão dizer que existe uma anormalidade e, portanto, vamos fazer mais uma investigação sanitária no Brasil, porque nós viramos competidores. Então, quando você não tem importância, você é pequeno, você não compete, ninguém te perturba. Agora, quando você começa a competir, você começa a perceber que os inimigos estão por aí, e vão começar a falar.

E eu, então, tenho tentado mostrar para o nosso pessoal o quanto é importante o Brasil ajudar o desenvolvimento da África e, ao mesmo tempo, ajudar o seu próprio desenvolvimento, porque quando nós exportamos serviços, nós estamos exportando engenharia nossa e, portanto, nós estamos ajudando o país a desenvolver, gerando emprego lá, e também gerando desenvolvimento no Brasil.

Eu estava vendo a balança comercial [entre] o Brasil e El Salvador. Uma balança comercial de um fluxo total quase US$ 200 bilhões, dos quais 195 bilhões nós vendemos e compramos apenas 5 bilhões... 5 milhões. Cinco milhões. É muito pouco, é muito pouco.

O Brasil precisa compreender que quem é grande tem mais responsabilidade, quem é grande tem mais... é assim dentro da casa da gente: o pai e a mãe têm mais responsabilidade do que os filhos em tudo, dentro de uma casa. Um país como os Estados Unidos têm mais responsabilidade, um país como a China tem que ter mais responsabilidade, e o Brasil tem que ter responsabilidade de tentar ajudar com que os empresários brasileiros se associem a empresários de El Salvador e que produzam coisas lá para que a gente possa comprar, para aumentar ou para igualar.

Uma política comercial correta não é aquela em que um país tem só superávit comercial. Tem que ter um equilíbrio, tem que ter... Se em um ano você tem um déficit, no outro ano você tem um superávit, você equilibra, todo mundo vive bem. Mas se só um tem déficit, vai criando problema, e a balança comercial de El Salvador é deficitária, é deficitária.

Então, eu acho que encontros como este, Benjamin, são de extrema importância para que as pessoas venham ao Brasil, para que conheçam os empresários brasileiros, para que façam reuniões e para que a gente comece a discutir as oportunidades de o que o Brasil pode fazer lá, com o que o Brasil pode contribuir com o setor têxtil lá, por exemplo – estou vendo aqui companheiros do setor têxtil brasileiro –, com o que o Brasil pode contribuir na questão do etanol ou com o que o Brasil pode contribuir na questão de outros produtos, até para, do território de El Salvador, a gente fazer exportação para mercados em que El Salvador tem facilidade de colocar os seus produtos, como os Estados Unidos.

Então, eu penso que é quase um compromisso nosso. O Brasil não ficará mais rico se os países vizinhos seus forem pobres. O Brasil ficará mais rico se os seus vizinhos ficarem mais ricos. Eu vou dar um exemplo, eu vou dar um exemplo. Eu fui, agora, ao Paraguai. O maior investimento privado da história do Paraguai significa US$ 104 milhões, feito pela Camargo Corrêa em associação com uma empresa paraguaia para fazer uma fábrica de cimento. Cento e quatro milhões.

O que nós descobrimos agora? Nós resolvemos que o Brasil tem a obrigação de financiar uma linha de transmissão para Assunção, porque não é possível... Teoricamente, os paraguaios têm direito a 50% da energia de Itaipu e Assunção vive de apagão em apagão porque não tem energia. Como é que você vai convencer o povo paraguaio que o acordo é justo? É você levando energia para ele. Hoje foi engraçado, porque eu falei com um empresário que a gente estava levando energia, e ele falou: “Assim que chegar energia a Assunção, eu quero montar uma fábrica no Paraguai”. É esse o papel do Brasil.

(Falha na gravação) o meu amigo presidente do México, Calderón, que o México também é um país grande (falha na gravação) a outra ponta da América Latina, que ele poderia se juntar conosco. Em vez de sermos inimigos, vocês imaginem os empresários mexicanos (falha na gravação) do Brasil, e a gente ajudar os países mais pobres de toda a América Central, já que a gente pode ir a pé de um para o outro, de um lado para o outro.

Mas a gente não ajuda porque todos nós, todos nós passamos o século XX todo acreditando que nós tínhamos que olhar só para os Estados Unidos, só para a Europa, e não olhar para nós. Nós temos que olhar para nós para ver o potencial. Não é possível que El Salvador não possa produzir alguma coisa que interesse ao Brasil. Ô gente, imagine se em vez de 5 milhões, a gente importasse 200 milhões de El Salvador, o que a gente poderia ajudar El Salvador, e para nós não significa nada! Poderia ser um empresário nosso que fosse lá, se associasse a um empresário de El Salvador e começasse a exportar para cá, para os Estados Unidos ou para outro lugar.

Eu dizia para o Mauricio... e vou terminar logo, Mauricio, fique tranquilo. Eu dizia para o Mauricio... Eu fui a um país africano, agora, chamado – o último que eu visitei – Zâmbia, e eu perguntei para o presidente do país – país de 10 milhões de habitantes, pobre como todos sabemos: quanto você... primeiro eu perguntei: você tem petróleo? “Não.” Aí eu estava em um daqueles carrões que queima acho que uns três... uns dez litros de diesel por quilômetro.

Então, eu falei: você importa quanto de petróleo? Primeiro, eu perguntei se ele produzia petróleo. Não. Você importa quanto? Ele falou: “Um bilhão e meio de petróleo, eu importo”. Eu disse para ele: você já pensou, em vez de comprar petróleo, você fazer o seu combustível aqui, plantando? Você já pensou? Eu não estou nem querendo vender carro, porque as empresas de automóvel no Brasil são todas estrangeiras e, possivelmente, elas nem queiram que entre carro a álcool na África, porque é o mercado original dos carros deles, produzidos lá; é uma briga que nós vamos ter que fazer, uma boa briga comercial. Mas aí, imagina se os países africanos que importam petróleo pudessem produzir cana-de-açúcar. Eles teriam que vantagens? Gerariam empregos plantando a cana; quando a cana estivesse crescendo, estaria sequestrando carbono, já estaria contribuindo para o clima; geraria emprego quando fosse moer a cana; iria produzir um combustível que, quando ligasse o motor do carro, esse combustível emitiria menos gás de efeito estufa do que os combustíveis fósseis.

E está tudo ali, eles têm a terra, têm o sol, têm a água, têm os trabalhadores e têm os carros, só teriam que mudar os carros. Teriam que comprar os carros brasileiros, porque nós produzimos flex fuel e eles não produzem, ou eles passem a produzir flex fuel. Se nós no Brasil produzimos, por que eles não produzem lá? Era um jeito de a gente ajudar os países pobres a se desenvolverem. Aí, eu perguntei para o Mauricio: quanto de petróleo El Salvador importa por ano? Deve ser por volta de uns US$ 2, US$ 3 bilhões. Bom, que seja, US$ 1,5 bilhão, porque o país tem pouco, mas tem muito carro, e a renda per capita em El Salvador, pelo que eu vi nesse livrinho de vocês aí, é certamente cinco vezes mais do que qualquer país africano; é quase US$ 4 mil de renda per capita, ou seja, não é uma renda per capita qualquer. Agora, você imagina: El Salvador já produz o etanol - atenção, companheiros brasileiros - eles já produzem etanol, tem até empresa brasileira lá.

Eles exportam o tal de melado para os Estados Unidos. Então, eles já exportam. Eu disse aos companheiros, ministro Miguel Jorge e ao Ministro de Minas e Energia: é preciso juntar um grupo de empresários e ir conversar com os empresários em El Salvador e com o Mauricio, para ver se não é vantagem, ao invés de exportar apenas o melado, produzir etanol e exportar etanol para os Estados Unidos para eles pararem de produzir etanol de milho, [por] que quem gosta de milho é frango.

Estou fazendo propaganda aqui das nossas empresas de carne, aqui... E fazer da cana-de-açúcar... Eles já têm tudo: já têm a produção, já têm a cana, já têm as usinas, ou seja, já está quase tudo pronto, só teria que também... tem o problema dos coches, que não poderia ser el coche americano; teria que ser... Não, se a Ford americana que produz no Brasil produz flex fuel, a Ford em Detroit poderia produzir flex fuel. Nós não queremos nem brigar com eles, nós só queremos que eles façam um carro que atenda os interesses de combustível dos países menores, e não os interesses deles. Não é uma coisa para a gente pensar e poderia...? A maioria dos países pequenos não tem petróleo, e nós temos tecnologia para a gente poder ajudar.

Então, eu queria dizer aos empresários de El Salvador que eu penso que era muito importante que vocês, nas conversas que tiveram aqui com os empresários brasileiros, pensassem como fazer El Salvador crescer e crescer de forma duradoura. Porque não é crescer um ano e depois decrescer no outro, ou crescer... ficar como se fosse aquele negócio que faz no coração, que fica... a gente fica vendo assim... nunca tem uma linha reta. Crescimento bom é aquele que cresce que nem o coração meu, assim, pressão 11 X 7, está sempre reta, assim, a linhazinha.

El Salvador dar uma chance de crescer vários anos seguidos, e fazer isso, Mauricio, com uma boa política social porque... A verdade é que nós aprendemos: não adianta nada crescer só a economia se a gente não tiver coragem de repartir o resultado desse crescimento com as pessoas mais pobres. E vocês não sabem como é bom as pessoas pobres virarem classe média, porque viram consumidores. As pessoas gostam de televisão boa, gostam de geladeira boa, gostam de ter carro. Essas pessoas não sonhavam com isso. Então, a ascensão da camada mais pobre é a diminuição da violência, é a volta à escola, é o acesso ao consumo de coisas que todo mundo deveria ter e que parece que só alguns podem ter.

Então, Mauricio, eu posso te dizer o seguinte. Esse gesto do companheiro Benjamin, de trazer empresários aqui, convidar, e você convidar os seus empresários, é um gesto que para mim tem um grande significado. Eu posso te dizer, sem ser... sem querer ser profeta. Mas a relação entre El Salvador e o Brasil, e a relação entre os empresários brasileiros e os empresários salvadorenhos nunca mais será a mesma. Você vai perceber que vai ter mudanças, porque eu acho que o Brasil está tendo consciência disso. Eu ouvi as palavras do discurso do Benjamin, e eu acho que essas palavras, Benjamin, deveriam ser adotadas por todo o empresariado nosso.

Quanto mais os países da América Latina crescerem, quanto mais os países africanos crescerem, quanto mais os países da América do Sul crescerem, mais o Brasil cresce. O Brasil não tem que ter medo de ver os seus parceiros crescerem, porque vai facilitar o mundo para todos nós.

Portanto, querido Mauricio e queridos empresários salvadorenhos, sejam bem-vindos a este país, e podem ficar certos de que aquilo que estiver ao meu alcance... Se o Benjamin fizesse (incompreensível) logo, eu até poderia inaugurá-lo antes de terminar o meu mandato, mas não vai fazer em apenas cinco meses, que é mais complicado. Mas, de qualquer forma, naquilo que depender de mim, podem ficar certos...

Eu disse ao companheiro Obama, um dia... quando eu fui conversar com o Obama eu falei do Maurício. O Maurício ainda não tinha ganhado as eleições em El Salvador, e eu falei: olha, Obama, preste atenção, porque vai ganhar as eleições em El Salvador um menino de boa qualidade. É porque... Não, vocês sabem, a gente aprende quando a pessoa é boa, pelos olhos. Você olha... Maurício é um extraordinário companheiro. Depois eu liguei para o Obama outra vez, dizendo para o Obama: olha, Obama, converse com o Maurício, porque nós temos que ajudar El Salvador a se transformar num país... nós temos que apagar aqueles 12 anos de guerra, sem contar o tempo de ditadura que teve lá. Nós temos que apagar, e fazer valer cada vez mais, fazer valer cada vez mais o gosto pela democracia. É o que nós estamos fazendo no Brasil, Maurício, e por isso é que eu acho que nós poderemos servir de lição, porque aqui nós exercemos a democracia vinte e quatro horas por dia.

Eu duvido que tenha um empresário neste país que diga que algum dia teve algum problema com o governo. Todos estão ganhando bastante dinheiro. Nesta semana os bancos anunciaram o seu faturamento: todos ganharam muito dinheiro. Os empresários, médios, pequenos e grandes estão ganhando dinheiro. O trabalhador está tendo aumento real de salário. Nos meus oito anos de governo, 90% dos acordos salariais, todos, foram acima da inflação. Nós provamos que foi possível dar, em oito anos, 74% de aumento para o salário mínimo e não voltar a inflação.

Então, eu acho que... a harmonia que nós construímos aqui, eu acho que pode, pode ser olhada com carinho por El Salvador, e a gente consolidar a democracia. Eu vejo em você um companheiro da mais alta qualidade para consolidar o processo democrático em El Salvador.
Por isso, meu querido, seja bem-vindo a São Paulo, à Fiesp e ao Brasil.

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